Dor nas costas de adolescente revela câncer agressivo: “Não se pode ignorar nenhuma dor”, alerta mãe
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February 20, 2026
Ao sentir as primeiras dores nas costas, Júlia, de 16 anos, não imaginava que esse quadro — muitas vezes comum — estava associado a um câncer grave. A estudante viu sua vida mudar completamente no ano passado, após ser diagnosticada com um sarcoma ósseo — um câncer que se origina no tecido ósseo ou cartilaginoso. Júlia tem 16 anos Arquivo Pessoal Seu filho ou filha tem alguma condição rara? Envie sua história para o nosso e-mail redacaocrescer@gmail com o assunto “Minha História” ou para o nosso WhatsApp (11) 98808-7558. Desde então, a adolescente, que mora em Brasília (DF), passou por uma longa jornada de tratamento e recuperação. Neste mês, a família, finalmente, respirou aliviada ao ver Júlia enfrentando sua última quimioterapia. “Foi uma tempestade, mas sempre tivemos pessoas ao nosso redor que nos fortaleceram”, disse a mãe da estudante, Danielle Rodrigues Junqueira, em entrevista à CRESCER. “Perdemos o chão” A mãe, a pedagoga Danielle, de 48 anos, conta que tudo começou com uma forte dor nas costas. Na ocasião, Júlia foi medicada, mas, um mês depois, voltou a sentir dores. Então, a jovem retornou ao hospital para uma investigação mais detalhada. Um raio-X indicou um quadro de pneumonia. Apesar do tratamento, a dor voltou. “Achamos estranho”, disse a mãe. “Meu marido, que é neonatologista, pediu para fazer uma tomografia”. Foi, então, que a família se deparou com uma das notícias mais angustiantes. Após a realização de uma biópsia, Júlia foi diagnosticada com um Sarcoma de Ewing. No momento, perdemos o chão, mas entreguei tudo na mão de Deus para nos dar força e nos fortalecer. Diante da notícia tão delicada, a família começou a buscar informações sobre tratamentos que pudessem ajudar a jovem. “Ela ficou sem acreditar, mas falou: 'Não vai ser nada. Vai passar'. Eu me admirei com a resiliência da minha filha, parece que dá mais força para gente”. Menino de 6 anos enfrenta câncer pela segunda vez: 'Foi como voltar no tempo' Em meio à luta contra o câncer, menino emociona ao ganhar carreata de aniversário, em SP Ao estranhar um sinal no banho, mãe leva filho ao médico e descobre câncer raro O tratamento O câncer de Júlia levou a família a passar um tempo em São Paulo. A jovem foi acompanhada por Carla Macedo, coordenadora do serviço de oncologia pediátrica do Hospital Samaritano Higienópolis (SP), que também é especialista em sarcomas ósseos. “Conversamos bastante sobre isso. Não foi uma decisão fácil porque a nossa vida é toda em Brasília (DF)”, admite a mãe. Júlia também precisou se ausentar da escola para iniciar o tratamento. “Foi uma fase bem complicada, principalmente por não saber como seria tudo isso. Mas foi a melhor decisão.” Júlia com a família Arquivo Pessoal “O tratamento impactou muito o nosso dia a dia, foi uma mudança de estado e eu tive que ficar com ela aqui, sozinha, porque meu marido trabalhava em Brasília e vinha a cada 15 dias”. Ao longo do tratamento, a adolescente enfrentou muitos desafios, no entanto, um dos momentos mais marcantes foi quando notou a queda dos cabelos. “Foi o que mais a impactou”, lembra Danielle. A princípio, a estudante passou por seis quimioterapias. Logo depois, ela foi submetida a uma cirurgia para a retirada de três costelas e também para colocação de uma prótese de titânio. “A cirurgia foi superbem. A recuperação dela foi excelente”, comemorou. Após a cirurgia, Júlia ainda precisou passar por oito sessões de quimioterapia em menos de um mês. Para apoiá-la, ela contou com o apoio dos amigos. Mesmo longe, eles sempre estiveram presentes. “Isso fez com que tudo até ficasse mais leve para ela e para mim, porque eu a via feliz, sorrindo e brincando. Isso acalma o nosso coração”, destacou. Outro apoio especial foi das suas calopsitas. “Elas são o xodó dela. Nós as trouxemos para ficar perto e ajudou muito”, Danielle comentou. Este mês, Júlia passou pela última sessão de quimioterapia. No entanto, o longo período de tratamentos deixou marcas profundas na família e também lições. Como mensagem para outros pais, ela destaca: “Não se pode ignorar nenhuma dor, temos que procurar ajuda e investigar. Nunca imaginei que minha filha teria essa doença”, desabafou. O que é um sarcoma ósseo? Os sarcomas ósseos são caracterizados como tumores primários dos ossos. Os principais tipos que se manifestam em adolescentes são: Osteossarcoma Sarcoma de Ewing Júlia foi diagnosticada com o Sarcoma de Ewing — um tipo raro e agressivo de câncer que se origina principalmente nos ossos, mas também pode afetar tecidos moles (músculos e cartilagens). Esse é o segundo tumor ósseo maligno mais comum na infância e adolescência. Como é um tumor agressivo, é necessário realizar o tratamento com poliquimioterapia, cirurgia e/ou radioterapia. É essencial realizar um diagnóstico precoce, uma vez que esse tipo de câncer pode evoluir para metástase em pulmões, ossos e medula óssea. Quais são os sintomas? Dor persistente: dor no osso ou articulação que piora à noite e não melhora com repouso ou analgésicos comuns. Inchaço ou caroço: presença de uma massa visível ou palpável, geralmente nas pernas, braços, bacia ou costelas. Febre e perda de peso: febre sem causa aparente, emagrecimento e fadiga constante. Fraturas espontâneas: o tumor enfraquece o osso, podendo causar quebras sem trauma significativo. Como é o diagnosticado? Para fechar o diagnóstico, é preciso realizar uma combinação de avaliações que incluem: Exames de Imagem: radiografia (Raio-X), Ressonância Magnética (para ver a extensão local) e Tomografia ou PET-CT (para verificar metástases). Biópsia: procedimento essencial em que uma amostra do tecido é removida para análise laboratorial e confirmação da malignidade. Com os avanços da medicina, os diagnósticos têm se tornado cada vez mais precisos. Como o Sarcoma de Ewing é caracterizado por uma fusão genética específica (geralmente entre os genes EWS e FLI1), testes moleculares também podem confirmar o diagnóstico ao identificar essa “assinatura” genética, que o diferencia de outros tumores. Por que esse tipo de câncer é mais frequente em adolescentes? Os sarcomas ósseos podem ocorrer em qualquer idade, mas o pico de incidência é entre 10 e 20 anos. “Acredita-se que o rápido crescimento ósseo típico da puberdade e as alterações hormonais e celulares desse período facilitem o surgimento das mutações genéticas que desencadeiam o tumor”, explica a especialista Carla Macedo. Como é feito o tratamento? O tratamento consiste em uma abordagem multidisciplinar: Quimioterapia: geralmente o primeiro passo para reduzir o tumor e eliminar células cancerígenas circulantes. Cirurgia: realizada para remover o tumor principal. Radioterapia: utilizada quando o tumor está em locais de difícil acesso cirúrgico (como coluna ou bacia) ou após a cirurgia para eliminar resíduos. Fontes: Carla Macedo, coordenadora do serviço de oncologia pediátrica do Hospital Samaritano Higienópolis (SP)
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