Denise Fraga: "O homem feminista e antimachista"
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February 17, 2026
Adoro observar meus sobrinhos netos brincando. São sete meninos. Vieram em penca. De 7 anos a 2 meses, ganhamos uma penca de homenzinhos. Paro para olhá-los. Bom de ver. A espontaneidade de uma criança é algo cintilante. Denise Fraga: "Não podemos criar nossas crianças sem a crença básica na transformação humana" O olhar primeiro e natural sobre as coisas, as indecisões diante de um desafio, o sorriso mais franco que pode existir. Estão onde estão, olham as coisas, os mais novos ainda com a boca aberta a sorver o mundo. Falam alto. Mesmo os que não falam, falam alto. Olham-se, percebem-se e naturalmente disputam. Já criaram preferências entre si, pequenas dissimulações, caras de choro sem lágrimas e chutes estratégicos. Denise Fraga reflete sobre o homem feminista Freepik De tanto em tanto tempo, um vem chorando chamando a mãe ou o pai. Depois de um rápido colo, voltam a brincar na microssociedade que formaram bem ali, no tapete da casa da bisa. É bonito de ver. Curioso não ter vindo nenhuma menina. E eu fico torcendo para que eles tenham meios de abrir a mente, os poros e o coração para a importância que é ser do sexo masculino nessa geração. Meu filho Pedro os fotografa nesse almoço de família. É meu fotógrafo preferido. A árvore de Natal como pano de fundo ajuda a criar a imagem de perfeição de futuro para esses pequenos. Bendita época do ano em que os corações amolecem e nossa esperança torna a ressuscitar. Fico ali, olhando o meu pequeno grande Pedro fotografando os sete menininhos que, juntos e contemporâneos, testemunhando uns aos outros, vão precisar entender-se como homens – ou o que bem quiserem – neste mundo tão complexo. Pois foi mesmo nessa época de Natal que tivemos uma boa conversa, eu e Pedro. Tomávamos um vinho branco no dia 24. É uma hora curiosa da vida quando você começa a beber com o seu filho. Deliciar-se com o vinho soltando-lhe as ideias e a língua, enquanto você vive a dualidade própria de um coração de mãe ao vê-lo encher mais uma taça. Mas tivemos ótimas conversas brindando juntos. Uma delas foi essa. Pedro reclamava do discurso feminista exagerado na boca das meninas: “Elas estão chatas. Falam o que a gente já sabe. Eu nunca achei que tinha alguma diferença entre homem e mulher, nunca achei que homem deveria ganhar mais do que mulher ou ser o chefe da casa. Elas estão chatas com isso...”. Ouvindo o Pedro, meu coração de mãe ficou imaginando a possível dificuldade com as meninas que o jovem rapaz pudesse estar passando. Realmente, não está fácil para eles. Não é fácil se reinventar. E é preciso que a gente entenda que, mesmo com a melhor educação e orientação feminista que possamos dar a nossos pequenos, dentro daquele bebezinho no tapete, há um machista estrutural. Fiquei feliz ao ouvir do Pedro que ele já sabia o que as meninas insistiam em lhe ensinar, mas estendi-lhe a mão e disse: “Parabéns! Você acaba de ser promovido! De um homem não machista, te promovo a um homem feminista e antimachista. Seus amigos talvez precisem de você. Então, mãos à obra: em vez de ficar reclamando que você já sabe a lição, vire professor”. Estamos vivendo uma hora de grandes transformações na história da humanidade, e fazer parte disso dá muito prazer. Precisamos entender a importância de criar meninos nessa hora e arregimentar nossos pequenos para a grande novidade. Chato? Pode ser. Mas chato mesmo é deixá-los na plataforma perdendo o trem da história.
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