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"publishedAt": "2026-02-17T14:10:57.000Z",
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"textContent": "\nUma pesquisa brasileira traz novas pistas sobre a Síndrome de Dravet, uma forma rara e grave de epilepsia que costuma se manifestar ainda no primeiro ano de vida. O estudo sugere que alterações na concentração de minerais dentro das células do cérebro podem estar relacionadas à gravidade da condição. Pesquisa brasileira com células humanas revela alterações químicas associadas à Síndrome de Dravet Freepik O trabalho foi publicado na revista científica ACS Chemical Neuroscience, título de referência em pesquisas sobre as bases moleculares da função nervosa, e contou com a participação do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), do Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). O que é a Síndrome de Dravet? A Síndrome de Dravet é uma condição neurológica genética marcada por crises epilépticas frequentes e difíceis de controlar. Além das convulsões, a criança pode apresentar atrasos no desenvolvimento cognitivo e motor. A doença também está associada a um risco aumentado de morte precoce na infância e na adolescência. Na maioria dos casos, a síndrome está ligada a mutações no gene SCN1A, responsável pela produção de um canal de sódio essencial para a comunicação entre os neurônios. Quando esse canal não funciona como deveria, o cérebro entra em um estado de hiperexcitabilidade, favorecendo as crises. Atualmente, não há cura. O tratamento é focado na redução da frequência e intensidade das convulsões, com medicamentos anticonvulsivantes e, em alguns casos, canabidiol. O que fazer quando um bebê entra em convulsão? Como a pesquisa foi feita? Para entender melhor os mecanismos da doença, os cientistas utilizaram uma técnica inovadora e não invasiva. Células retiradas da urina de pacientes com Síndrome de Dravet e de pessoas sem a condição foram reprogramadas em laboratório para se tornarem células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPS. Essas células têm a capacidade de se transformar em diferentes tipos celulares, inclusive neurônios. A partir delas, os pesquisadores criaram neuroesferas, pequenos aglomerados tridimensionais que reproduzem aspectos do desenvolvimento do cérebro humano. Assim, foi possível estudar a doença em laboratório, sem riscos aos pacientes e sem interferência de medicamentos. Convulsão em bebês e crianças: o que os pais precisam saber após os episódios de Henri Castelli no BBB 26 O que os cientistas descobriram? A equipe analisou a concentração de elementos químicos nessas neuroesferas usando uma técnica de alta precisão chamada microfluorescência de raios-X por radiação síncrotron. As análises foram realizadas no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). Os resultados mostraram que as células de pacientes com Síndrome de Dravet apresentavam níveis mais elevados de potássio, cobre e zinco em comparação às células do grupo controle. Já minerais como cálcio e ferro não apresentaram diferenças significativas. Segundo os pesquisadores, o excesso de potássio pode estar ligado a falhas em um mecanismo celular responsável por manter o equilíbrio elétrico dos neurônios. Esse desequilíbrio pode deixar as células mais excitáveis, facilitando as crises epilépticas. O aumento de zinco pode estar relacionado à forma como os neurônios transmitem sinais, enquanto os níveis mais altos de cobre podem indicar uma resposta do cérebro ao estresse oxidativo provocado pelas crises repetidas. Bebê sofre convulsão em voo para o Chile e família relata desespero: “Viagem virou pesadelo”, diz mãe Por que isso é importante? De acordo com o neurocientista Stevens Rehen, do IDOR, a pesquisa amplia a compreensão sobre a fisiopatologia da Síndrome de Dravet ao olhar além da mutação genética. Mais do que identificar o gene envolvido, o estudo mostra que o ambiente químico dentro das células também pode influenciar a gravidade da doença. Essa descoberta pode abrir caminho para novas estratégias terapêuticas no futuro, que atuem não apenas no controle das crises, mas também nos mecanismos celulares envolvidos. Para famílias que convivem com uma condição rara e desafiadora como a Síndrome de Dravet, cada avanço científico representa um passo importante na busca por tratamentos mais eficazes e melhor qualidade de vida para as crianças.",
"title": "Desequilíbrio de minerais no cérebro pode ajudar a explicar epilepsia infantil grave, diz estudo"
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