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  "textContent": "\nO corpo em movimento conta histórias. Histórias de descobertas, de quedas e recomeços, de confiança que nasce aos poucos. Para muitas crianças, correr, pular, girar ou dançar é a primeira forma de se expressar no mundo – antes mesmo das palavras. E é nesse movimento cotidiano, feito de brincadeiras e tentativas, que se constrói não apenas um corpo mais forte, mas também uma relação saudável consigo mesmo. Corpo em movimento Freepik Na casa do gerente de comunicação Gustavo Mello, 41 anos, e da ceramista Tainã Mello, 38, o esporte sempre foi entendido como parte desse cuidado. Pais de Lucas Marcelo, 11, e Bella Rosa, 8, eles nunca buscaram formar atletas profissionais. Queriam, acima de tudo, filhos ativos, curiosos e confiantes. “Nem eu nem a Tainã somos grandes esportistas, mas sempre entendemos que praticar atividade física era muito importante para as crianças”, diz Gustavo. “Eu gostaria de ter sido incentivada a praticar esporte. Se não vira um hábito desde cedo, na vida adulta, sofremos para começar”, completa Tainã. A atividade física entrou de vez na rotina da família em 2018, quando os pais matricularam Lucas em uma escola de futebol. Logo perceberam que o menino tinha facilidade para os esportes. Bella, como boa irmã mais nova, foi junto. Depois de experimentar o futebol e outras modalidades, Lucas se encontrou no balé – e o talento rendeu bolsas de estudo em duas escolas. Em uma delas, ele é o único menino, mas isso não o incomoda. Pelo contrário. “Ele acha maravilhoso ser pioneiro”, conta a mãe. Bella também faz balé, mas já planeja mudar para alguma luta em 2026. Os ganhos vão além do físico. “O balé trabalha disciplina, condicionamento e postura. E o esporte ensinou Lucas a perder, o que é importante, já que ele é muito competitivo. Bella aprendeu que é preciso dedicação e esforço para atingir um resultado”, diz o pai. Inspirados pelos filhos, Gustavo e Tainã mudaram a própria rotina e passaram a frequentar a academia. “Precisamos nos fortalecer para dar conta da rotina corrida, envelhecer com saúde e acompanhar as brincadeiras das crianças”, explica Gustavo. Cada vez mais, a ciência tem reforçado, inclusive, que o hábito cultivado na infância rende frutos duradouros. Pesquisadores da Universidade de Halmstad, na Suécia, realizaram uma meta análise de 36 estudos que acompanharam voluntários por períodos que variaram de 1 a 54 anos após o início das pesquisas. O objetivo era entender o impacto que a prática esportiva na infância e adolescência tem na saúde ao longo da vida, em comparação com quem não se exercitou na juventude. O trabalho foi publicado em julho de 2025 no International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity. “Jovens que participaram de esportes tendem a manter níveis mais altos de atividade física na vida adulta do que quem nunca praticou, além de apresentar melhor saúde e bem-estar geral, composição corporal mais saudável, com menores níveis de gordura, menos sintomas de ansiedade, depressão e estresse e maior nível de autoestima, confiança e resiliência frente aos desafios”, diz o principal autor do estudo e pesquisador de psicologia do esporte da Universidade de Halmstad, Dennis Bengtsson, em entrevista a Crescer. Para Bengtsson, os resultados reforçam a importância de criar ambientes esportivos acessíveis, inclusivos e acolhedores, capazes de estimular a participação contínua de crianças e adolescentes. Embora o sonho de ser jogador de futebol não tenha se realizado, o apresentador e influenciador digital Fred Bruno – que ilustra nossa capa ao lado do filho, Cris – reforça o impacto que o esporte tem na sua vida: “Acho que 90% da minha personalidade foi formada pelo esporte – o trabalho em equipe, a garra, a determinação, o foco... Para o Cris, passo a mesma coisa”, contou Fred a Crescer. Cris e Fred Bruno Babuska @babuskafotografia | PRODUÇÃO ARTÍSTICA E STYLIST: Clara Harumi @claraharumi e Renan Veira @reenansv | BARBEIRO: Aldrieu Araújo Silva @dillblack | MAKE: Ivana Santos @ivanajsantos Começa cedo... Exatamente! Até os bebês podem – e devem – se movimentar antes mesmo de aprender a andar. “Quanto mais estímulo damos a eles, sem pular etapas, melhor vai ser o desenvolvimento neuromotor”, afirma a pediatra Ana Lucia de Sá Pinto, especializada em exercício e esporte e responsável pelo ambulatório de medicina do esporte do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. O desenvolvimento neuromotor é o processo pelo qual cérebro, nervos e músculos passam a atuar de forma integrada, permitindo que a criança adquira movimentos cada vez mais coordenados e eficientes – desde sentar e andar até habilidades mais complexas, como correr, escrever e manter o equilíbrio. Esse desenvolvimento é essencial não só para o corpo, mas para a cognição, área que envolve atenção, linguagem, percepção, raciocínio, resolução de problemas e tomada de decisões. “O exercício trabalha o pensamento, a coordenação, a memória e o conhecimento abstrato”, explica a pediatra Flávia Meyer, integrante do grupo de trabalho sobre atividade física da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A partir dos 3 anos, já é possível pensar em exercícios mais estruturados. A natação costuma ser a porta de entrada – e é uma ótima escolha, tanto pelos benefícios físicos quanto pela segurança, já que aprender a nadar reduz o risco de afogamento. No entanto, experimentar diferentes modalidades ensina à criança muito mais do que se movimentar. “Ela aprende valores, a socializar, dividir, respeitar regras e lidar com pressão, além de se divertir, é claro”, diz Ana Lucia. “A criança desenvolve ainda autoconfiança e tolerância a frustrações”, complementa Flávia. Fred e Cris Babuska @babuskafotografia | PRODUÇÃO ARTÍSTICA E STYLIST: Clara Harumi @claraharumi e Renan Veira @reenansv | BARBEIRO: Aldrieu Araújo Silva @dillblack | MAKE: Ivana Santos @ivanajsantos Contra o sedentarismo Quando o gosto pelo movimento nasce cedo, diminuem as chances de a criança entrar em uma estatística preocupante. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% dos adolescentes entre 11 e 17 anos não cumprem a recomendação de, ao menos, uma hora diária de atividade física vigorosa. Para Ana Lucia, o sedentarismo nessa fase pode estar relacionado à falta de tempo dos pais para levar os filhos às atividades, à dificuldade de acesso a locais adequados, à carga horária intensa da escola e das atividades extracurriculares ou, simplesmente, à falta de interesse. O excesso de telas também pesa – e muito. O curitibano Miguel, 11 anos, é um exemplo. Durante uma consulta de rotina, o pediatra alertou que o menino estava acima do peso ideal e com gordura no fígado. Foi preciso ajustar a alimentação e incluir exercício na rotina. Miguel escolheu o taekwondo. “Antes disso, ele era muito caseiro e ficava até três horas por dia no celular”, conta o pai, o trabalhador autônomo Leandro Sette, 39 anos. Em apenas quatro meses, com o novo estilo de vida, Miguel normalizou os exames, perdeu peso e ganhou agilidade e disposição. Passou a praticar boxe no Projeto Social Se Prepara Lá, do pugilista Edson Foreman, e começou na natação. “Ele pegou gosto pelo esporte. Está mais feliz, dorme mais cedo e conheceu novas pessoas”, diz Leandro, que reduziu o tempo de tela do filho para uma hora por dia. Assim como aconteceu com a família Mello, a mudança do menino impactou os pais. Antes sedentários, Leandro e a esposa agora aproveitam o horário das aulas de taekwondo para caminhar em uma praça. Múltiplos benefícios A atividade física tem papel fundamental no eixo do crescimento infantil, que envolve estatura e fortalecimento de ossos e músculos. Para que esse efeito seja positivo, porém, é essencial que a criança durma bem, por tempo suficiente, e tenha uma alimentação saudável, com aporte calórico adequado. Além disso, o exercício atua diretamente no bem-estar emocional. A prática regular melhora o funcionamento das sinapses cerebrais e aumenta a liberação de serotonina e dopamina – neurotransmissores ligados à motivação, ao prazer e ao humor. Por isso, é um aliado importante na prevenção e no alívio de sintomas de ansiedade e depressão. E se a criança não gostar de nenhum esporte? Nesse caso, a melhor estratégia é experimentar diferentes atividades até encontrar algo que combine com ela, sem sobrecarregar a família com gastos excessivos. “É preciso equilibrar insistência com compreensão. Faça um combinado, por exemplo, de ela persistir por, pelo menos, seis meses antes de desistir de uma atividade. Mas não dá para forçá-la a praticar um esporte com o qual não obtenha prazer”, orienta Flávia Meyer. Contra o sedentarismo Freepik Etiqueta para os pais Para o aprendizado e o bem-estar dos filhos, o mais produtivo é que os pais assumam o papel de observadores atentos e incentivadores – não de técnicos. Nada de gritar instruções da beira do campo durante o jogo de futebol, por exemplo. Segundo Dennis Bengtsson, a pressão excessiva pode despertar sentimentos de inadequação. “O ideal é incentivar e elogiar o esforço, algo que está sob nosso controle. Já os resultados, nem sempre”, explica. Outro ponto essencial é evitar associar a prática de exercícios a questões estéticas. “Uma abordagem mais eficiente é destacar ganhos como força, disposição e saúde”, orienta Flávia. Vale ainda redobrar a atenção com as comparações. Colocar a criança frente a frente com colegas, irmãos ou primos é desmotivador. Quando essas comparações surgirem – seja por iniciativa da própria criança ou de terceiros –, cabe aos adultos reforçar que ninguém precisa ser perfeito e que cada pessoa tem talentos e desafios únicos. Afinal, gênios do esporte são raros. O que realmente importa é aproveitar o caminho, se movimentar e se divertir.",
  "title": "Ciência revela que cultivar um hábito na infância pode influenciar sua saúde por décadas"
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