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  "textContent": "\nAos 32 anos, Jordana Araújo carrega no currículo algo que não cabe apenas em cargos ou crachás. Comentarista de futebol da GE TV, o novo canal multiplataforma do Grupo Globo, ela também é mãe, mulher preta, periférica e símbolo de um tipo de persistência que não se aprende na faculdade. Sua história é feita de interrupções, retomadas e escolhas difíceis, costuradas por um sonho antigo: viver da comunicação esportiva. Jornada, comentarista de futebol da GE TV, conta como é maternar Pietro, 10 ano, com uma rotina puxada Reprodução/redes sociais Nascida e criada em Osasco, na Grande São Paulo, Jordana dizia desde os 12 anos que queria “falar de futebol na TV”, relembra ela, em entrevista exclusiva a CRESCER. Um desejo ousado para uma menina preta da periferia em um cenário midiático ainda pouco diverso. \"Eu me desdobro para estar com ele\", diz Fred Bruno sobre o filho, Cris Ela conta que, antes de chegar ao jornalismo, trabalhou como babá, recepcionista e arquivista, porém, quando finalmente entrou na faculdade, parecia que tudo começava a se alinhar. Jordana só não esperava que a vida mudaria o rumo da sua história. Uma maternidade inesperada e a persistência em recomeçar A gravidez de Pietro, 10 anos, não foi planejada. Jordana descobriu que estava grávida já perto do terceiro mês, no comecinho do curso de Jornalismo. “Foi um susto. Eu vinha de um contexto periférico, sem estrutura financeira, pagando a faculdade com ajuda dos meus pais. Eu pensei: se eu não consigo cuidar de uma gata, como vou cuidar de uma criança?”, relembra. Trancar a faculdade foi, para ela, a sensação concreta de encerrar um sonho. A pausa não foi apenas acadêmica, mas emocional. Houve um afastamento temporário do futebol, como se diminuir o contato com o esporte que amava fosse uma forma de anestesiar a dor daquela renúncia forçada. O que parecia um fim virou um intervalo. Em 2015, Jordana viveu uma virada emocional que mudou tudo. “Aquilo não podia ser o fim. Eu entendi que era o momento, não o encerramento.” Durante quatro anos, trabalhou como assistente administrativa na área de logística, enquanto criava Pietro e reorganizava a vida financeira. Jordana e o filho, Pietro. Arquivo Pessoal Foi o filho quem se tornou a principal fonte de energia para continuar. “Eu olhava para ele e pensava: eu vou dar orgulho para você.” Em 2020, Jordana voltou para a faculdade de Jornalismo. Teve que recomeçar do zero, aos 25 anos, mãe de uma criança pequena, enfrentando novamente estágio, salário baixo e uma rotina puxada. \"Eu só não trabalhei nos primeiros 8 meses de vida do meu filho. No resto, estava correndo atrás dos meus sonhos e de dinheiro para pagar as contas, claro\", brinca. Na BandNews, foi estagiária por quase dois anos, conciliando plantões, projetos paralelos e a maternidade. “Nada foi fácil, mas tudo era movido por ele.” Narradora mostra mãe a assistindo ao vivo na TV pela primeira vez: “Ela acorda às 3h30 para trabalhar” Jordana integra o time da GE TV desde o lançada da plataforma, em setembro de 2025 Reprodução/redes sociais A chegada à Globo e o peso simbólico da conquista Quando veio o convite para integrar o Grupo Globo, Jordana fez questão de contar primeiro para Pietro. “Eu sentei com ele e disse: tudo o que a gente passou nesses últimos anos nos trouxe até aqui. Ele chorou comigo. Disse que sabia que tudo ia valer a pena.” Para ela, a Globo não representava apenas o auge do jornalismo esportivo, mas a confirmação de que o caminho torto também leva longe. Em outubro de 2023, entrou para o time do SporTV e, em 2025, passou a integrar a GE TV, projeto multiplataforma que une streaming, linguagem jovem e rigor jornalístico. “É uma honra estar no marco zero de um projeto inovador na maior emissora do país. A gente sabe o peso de colocar o nome na história da Globo.” Brasileira volta da Austrália com surpresa — um bebê que ninguém sabia que estava a caminho A GE TV nasce em um momento de transformação do consumo de conteúdo esportivo. Com transmissões gratuitas, linguagem mais próxima e presença forte no digital, o canal dialoga com novas gerações sem abrir mão da credibilidade. “É leve, é jovem, mas sem perder o compromisso com a informação correta e a ética jornalística. As pessoas acham que agora ficou mais fácil. Não ficou. A cobrança por excelência continua, talvez até maior”, explica Jordana. Maternidade e rotina de TV: culpa, diálogo e parceria Conciliar a agenda intensa do jornalismo esportivo com a maternidade é um exercício diário. Jordana define o sentimento como o “divertidamente da culpa”. O que ajuda a amenizar esse sentimento complexo é o diálogo constante com Pietro e a parceria com o pai do menino. “Somos separados, mas temos uma relação muito saudável. Pietro entende minhas ausências, participa do meu trabalho, opina sobre minhas análises e me liga para dizer que me viu na TV.” Mais do que falar de esporte, Jordana entende que sua presença comunica algo maior. Como mulher preta e periférica, ela ocupa um espaço que historicamente foi negado. Seu letramento racial, como ela mesma diz, é recente, mas potente. O filme Pantera Negra, de 2018, da Marvel Studios, foi um divisor de águas, um espelho simbólico de força e pertencimento. A jornalista conta que o filho liga para dizer que a viu na TV e comenta sobre suas transmissões Arquivo Pessoal “Quando eu tinha 11 anos, quase não via mulheres, muito menos mulheres negras, no jornalismo esportivo. Hoje, penso nessa menina quando entro no estúdio.” Para Jordana, ser referência não é sobre vaidade, mas sobre abrir caminho. “Quero que essas meninas se enxerguem e entendam que esse espaço também é delas.” Ao ligar as câmeras, ela carrega Osasco, a maternidade, a pausa, o recomeço e a certeza de que sua história não é exceção. É anúncio, quase um sinal de que outras virão, ocupando telas, microfones e ditando suas próprias narrativas.",
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