Por que respeitar seu filho não é deixar ele decidir tudo, segundo Cortella
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February 7, 2026
Se ele pudesse escolher, o que seu filho de 5 anos comeria no café da manhã? Provavelmente batata frita com ketchup. O que ele vestiria? Fantasia de super-herói. Todos os dias. E o que ele estudaria na escola? Nada. Ou só teria o recreio. Sabe aquela vontade quase automática de perguntar para a criança o que ela quer comer, vestir, fazer, decidir? De achar que, quanto mais escolhas ela tiver, mais respeitada ela vai se sentir? Pois é. O filósofo Mario Sérgio Cortella, em entrevista à CRESCER Sabrina Ongaratto O filósofo e educador Mario Sergio Cortella faz um convite para a gente frear um pouco esse impulso e olhar com mais cuidado para o papel do adulto na educação. "Levar em conta é diferente de subordinação", ele diz. Em entrevista exclusiva à CRESCER, ele fala sobre um erro comum: achar que respeitar a criança significa deixá-la decidir tudo. E explica por que essa 'liberdade total' pode ser, na verdade, um dos maiores equívocos das famílias. Pode ceder, mas não sempre Antes que você entre em pânico achando que nunca mais pode deixar seu filho escolher nada: respira. Cortella não está dizendo que você precisa ser um general em casa. Às vezes, quando é possível e faz sentido, sim, você pode ceder aos desejos da criança. Quer comer pipoca no lanche da tarde? Tudo bem. Prefere a camiseta azul em vez da vermelha? Sem problema. Quer assistir mais um episódio do desenho no sábado? Por que não? Esse é o erro que pais amorosos mais cometem sem nem perceber, segundo Mario Sergio Cortella O problema é quando isso vira regra, não exceção, e tudo passa pelo filtro do "o que você quer?". Tem coisas que simplesmente não são negociáveis: escovar os dentes, ir para a escola, dormir num horário decente... E outras que você, como adulto, sabe que são essenciais para a formação dele, mesmo que ele ainda não entenda. Então, como respeitar sem virar refém? A chave está numa frase que o educador repetiu várias vezes na entrevista: "Levar em conta não é se subordinar". Cortella usa um exemplo simples para mostrar o risco dessa inversão de papéis. "Eu não posso entrar numa sala de aula e perguntar: ‘O que vocês querem estudar hoje?’". Em uma segunda-feira, às 10 da manhã, a resposta provavelmente seria honesta: nada. Ou brincar. O mesmo raciocínio vale para dentro de casa. Levar a criança em conta não significa entregar o comando. Significa observar, considerar e, ainda assim, assumir a responsabilidade de conduzir. Para isso, obviamente, é preciso entender o universo da criança. "Se você não conhece o contexto, o ambiente, os desejos, os temores, você não consegue participar da formação de alguém", diz. E é necessário saber de tudo isso não para atender cada desejo do seu filho. Você precisa conhecer para usar esse conhecimento como ponte para chegar onde ele precisa ir. "É que se eu não tenho alguma noção e não entendo o que a criança entende, o que ela pensa, o que ela deseja, eu não consigo atuar junto a ela", explica Cortella. Mas, na prática, como é isso? Seu filho é obcecado por videogame? Perfeito. Use o jogo para ensinar lógica, planejamento, geometria espacial, até economia. Você levou em conta o interesse dele. Cedeu quando dá (um tempinho extra no sábado, por exemplo). Mas não deixou ele passar o dia inteiro só no tablet. Você guiou. Porque no fim, seu filho não quer realmente passar o dia comendo batata frita de fantasia de super-herói (ok, talvez ele queira). Mas o que ele realmente precisa é de alguém que o conheça tão bem a ponto de saber quando dizer sim e quando dizer não. Acompanhe a CRESCER nas redes sociais
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