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"textContent": "\nDepois de praticamente dois meses de férias, é comum que o horário de dormir das crianças fique menos rígido... Durante o período de recesso, os pequenos acabam indo dormir mais tarde, acordando também mais tarde, o que deixa a rotina menos previsível. Só que quando o dia de retornar à escola se aproxima, os problemas dão as caras. Acordar é difícil, o mau humor vem, parece que seu filho não dormiu o suficiente. As consequências vão de atrasos à queda no rendimento, passando por muita irritação e estresse no caminho. Volta às aulas: é hora de começar a readaptar os horários de dormir e de acordar Freepik Taboola Recommendation Mas, com um pouco de planejamento e apostando em uma adaptação gradual, é possível retomar o ritmo aos poucos, evitando todo esse impacto e respeitando o relógio biológico infantil. Começar antes: dica que faz toda a diferença! Para o pediatra Paulo Telles, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o reajuste da rotina deve começar de 10 dias a duas semanas antes do início das aulas. A hora é agora! “Esse tempo permite que a criança se adapte aos novos horários de forma gradual, com menos resistência e menos prejuízo ao tempo total de sono”, explica. Mudanças bruscas, feitas poucos dias antes do retorno, costumam resultar em noites mal dormidas e maior cansaço nos primeiros dias de aula. A pediatra Elisabeth Fernandes, também da SBP, reforça: o sono precisa de preparo. “O relógio biológico não muda de uma hora para outra. Quando a adaptação é feita com antecedência, a criança chega à escola mais regulada e com melhor disposição”, afirma. Uma das principais recomendações dos especialistas é evitar viradas radicais. O ideal é adiantar o horário de dormir e de acordar em 15 a 30 minutos a cada dois dias, até chegar ao ritmo escolar. Esse processo progressivo reduz despertares noturnos, irritação e sonolência excessiva durante o dia. Criar um ritual antes de dormir também ajuda. Banho morno, leitura ou uma conversa tranquila sinalizam ao corpo que é hora de desacelerar. “Esse momento precisa ser calmo e previsível”, orienta o pediatra Paulo. Um tempo nas telas O uso de telas à noite é sempre prejudicial ao sono. Nesse período da readaptação, na volta às aulas, os efeitos são sentidos com mais intensidade. A luz azul emitida por celulares, tablets e televisões interfere na produção de melatonina, hormônio essencial para o sono. A orientação é desligar os aparelhos ou mantê-los longe de uma a duas horas antes de dormir. Estabelecer um horário-limite, como desligar os aparelhos após as 19h ou 20h, é uma medida prática e possível para a maioria das famílias. “Quando esse limite é combinado e seguido por todos, inclusive adultos, a criança se acalma mais rápido e o adormecer acontece com menos conflito”, afirma a médica Elisabeth. Os cuidados com o sono começam de dia A qualidade do sono noturno não depende apenas do que acontece à noite. Alimentação equilibrada, atividade física regular e exposição à luz natural ao longo do dia ajudam a regular os ritmos circadianos, que fazem com que o corpo entenda os ciclos biológicos de dia e noite. Além de melhorarem o humor e a saúde mental, atividades ao ar livre ajudam a gastar energia e facilitam o momento de adormecer. Já estímulos intensos no período noturno tendem a ter o efeito contrário. É melhor evitar. Cada idade pede uma estratégia As necessidades mudam conforme a fase da infância: Bebês e crianças pequenas se beneficiam de horários previsíveis de sono e sonecas, além de um ambiente tranquilo e seguro. Crianças maiores precisam de rituais consistentes, mas também de limites claros. Adolescentes, apesar de buscarem mais autonomia, ainda necessitam de supervisão, especialmente em relação a telas, jogos e conversas online à noite. “O mais importante é ajustar as estratégias à idade da criança, à rotina da família e aos horários da escola e do trabalho dos pais”, ressalta Paulo. Quando o sono vira sinal de alerta Na maioria dos casos, é normal e até esperado que as crianças ofereçam alguma resistência às regras, quanto ao horário de ir para a cama e de acordar, na volta às aulas. Mas, se a dificuldade para dormir persiste por mais de duas a três semanas ou vem acompanhada de sinais como sonolência diurna excessiva, irritabilidade, queda no desempenho escolar, mudanças no apetite ou ronco frequente, é hora de investigar. A recomendação é procurar orientação profissional para avaliar possíveis distúrbios do sono ou outras questões associadas. Mas, na maioria dos casos, com organização, previsibilidade e pequenas mudanças feitas no tempo certo, o retorno às aulas pode ser mais leve e garantir noites bem dormidas para toda a família.",
"title": "Volta às aulas: como reorganizar a rotina de sono das crianças após as férias"
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