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  "textContent": "\nHábitos de uso de celular compulsivo em pessoas com 60 anos ou mais podem estar ligados a um risco maior de depressão. É o que indica um novo estudo, publicado em 12 de março na revista científica JMIR Aging. Pesquisadores analisaram as respostas de questionários de 2.585 adultos, residentes em 87 comunidades em cinco distritos de Guangzhou, na China. Com uso de tecnologia deep learning, eles identificaram quais fatores estavam mais associados à depressão. O isolamento despontou como um dos principais, sendo por vezes acompanhado pela exposição do idoso por longos períodos na internet. Outra revelação do estudo diz respeito ao limite da participação desses adultos nas redes sociais. Na maioria dos casos de depressão clínica, a dependência e o excesso do uso de telas apareceram - sobretudo entre os idosos que raramente utilizavam recursos de comunicação interativa. Apesar das relações entre o quadro de saúde mental e o uso das tecnologias parecerem interdependentes, os cientistas destacaram que a pesquisa não comprova que o uso excessivo de smartphones causa depressão. Isso porque a análise captou um único momento, não sendo possível determinar se o uso problemático do celular contribui para sintomas depressivos, se a depressão leva os idosos a passarem mais tempo em seus celulares ou se os dois se reforçam mutuamente. O mundo de lá e o mundo de cá Um mesmo dispositivo pode servir como ponte para o contato com entes queridos e a comunidade, como também pode se tornar uma barreira para excluir os idosos das interações sociais. “Tudo se resume à interação intencional versus o escapismo compulsivo”, observou Chien-Chung Huang, da Escola de Serviço Social de Rutgers, em comunicado. Homens dependentes de seus cônjuges ou parceiros para estabeleceram relações sociais estão entre os mais suscetíveis a desenvolver depressão Unsplash Essa dicotomia analisada por Huang ficou em evidência no novo estudo. Os resultados sugerem que o uso dos smartphones pode ser benéfico quando ajuda os adultos da terceira idade a manterem relacionamentos, especialmente os que são à distância. Essa falsa proximidade é permitida por meio de videochamadas, mensagens e compartilhamento de fotos nas redes sociais. Mas “quando um idoso usa o celular como escudo para substituir ou evitar a participação social na vida real, isso funciona como um grande sinal de alerta para depressão”, contou Huang. A desconexão com a realidade é potencializada pelas tecnologias como os celulares. No entanto, o grau e como essa dissociação afetam a vida de alguém depende muito da forma como cada pessoa as utiliza: o seu smartphone é utilizado para recorrer se engajar ativamente com o mundo ou para se isolar? Não é o fim, mas o meio Antes de aplicar os questionários aos participantes, os cientistas também coletaram informações demográficas e de saúde, como idade, sexo, estado civil, escolaridade e renda, e avaliaram sintomas depressivos com um instrumento de triagem comumente utilizado em idosos. A partir disso, o estudo identificou dois grupos que se mostraram especialmente vulneráveis ​​à depressão. Um padrão observado foi o de homens mais velhos com menor escolaridade que apresentavam sinais de dependência de smartphones. Para esses adultos, a menor alfabetização digital pode dificultar o uso de aplicativos complexos, aumentando a probabilidade de recorrerem a formas passivas de entretenimento. O segundo padrão foi relatado tanto entre homens quanto em mulheres: adultos com renda e nível de escolaridade mais elevados que sofriam de dependência de smartphones eram mais propensos à depressão. Para Huang, esse padrão sugere que riqueza, educação e acesso à tecnologia não são indicativos de que um idoso será extremamente sociável. Familiares podem envolver os idosos em grupos de compartilhamento de fotos, conversas por texto e videochamadas com horários estabelecidos Unsplash Para Huang, a relação de causalidade entre depressão e excesso do uso de smartphone é cíclica quando um idoso se sente muito sozinho, as telas podem ser a sua única companhia e distração. “Com o tempo, o consumo digital passivo pode começar a substituir as interações do mundo real que ajudam a proteger a saúde mental”, explica, aprofundando o isolamento e agravando os sintomas depressivos. Famílias, organizações comunitárias e profissionais de saúde podem ajudar incentivando os idosos a usar os telefones de maneiras que promovam a interação, em vez de entretenimento solitário. O objetivo não é desencorajar o uso de smartphones, mas torná-los mais sociais e produtivos.",
  "title": "Uso intenso de celular por idosos está associado a maior risco de depressão"
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