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Maior câmera digital do mundo começa operar e faz registros detalhados do espaço

Galileu [Unofficial] July 2, 2026
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A maior câmera digital já construída entrou oficialmente em operação no dia 30 de junho, e começou a produzir o mais amplo registro contínuo do Universo já planejado. Instalada no Observatório Vera C. Rubin, no Chile, a câmera de 3.200 megapixels dará início a um levantamento de dez anos que observará repetidamente todo o céu do Hemisfério Sul. O objetivo é criar uma espécie de "filme" em altíssima definição da evolução do cosmos, permitindo aos cientistas acompanharem desde explosões de estrelas até o movimento de asteroides e galáxias distantes. Nomeado LSST (Legacy Survey of Space and Time), ou Levantamento Legado do Espaço e do Tempo na tradução para o português, o projeto deve registrar bilhões de objetos celestes e gerar um conjunto de dados sem precedentes para a astronomia. Ao revisitar as mesmas regiões do céu a cada poucas noites, os pesquisadores poderão comparar imagens obtidas em diferentes momentos e identificar mudanças que antes passavam despercebidas. “Hoje, começamos a filmar o maior filme cósmico já feito”, afirma Brian Stone, diretor interino da NSF (Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos), em comunicado à imprensa. De acordo com Stone, o início das operações representa o resultado de décadas de planejamento e inovação tecnológica. “Todas as noites, o Observatório Rubin expandirá as fronteiras do conhecimento.” Registros do Universo em movimento Diferentemente de observatórios tradicionais, que costumam concentrar suas observações em alvos específicos, o Rubin foi projetado para monitorar continuamente grandes áreas do céu. Sua câmera produzirá uma nova fotografia aproximadamente a cada 30 ou 40 segundos, permitindo acompanhar fenômenos que mudam rapidamente, como explosões de supernovas e o deslocamento de asteroides e cometas. Essas imagens serão combinadas para formar uma sequência semelhante a um filme em time-lapse, técnica que reúne fotografias feitas em momentos diferentes para mostrar mudanças ao longo do tempo. Ao final da missão, cada região observada terá sido registrada cerca de 800 vezes. “O levantamento foi projetado para ver tudo, até mesmo as coisas que ainda não sabemos que estamos procurando”, indica Phil Marshall, vice-diretor de operações do Rubin, em entrevista ao jornal The New York Times. Para ele, o banco de dados será uma “verdadeira mina de ouro para a ciência”. Ferramenta para investigar mistérios da ciência Além de ampliar o catálogo de estrelas, galáxias e objetos do Sistema Solar, o observatório deverá ajudar a responder questões fundamentais sobre a composição do Universo. Entre elas estão a natureza da matéria escura e da energia escura. Esta imagem de 1,7 gigapixels de um campo de estrelas na constelação de Lupus demonstra a visão sem precedentes do Universo que o Observatório Vera C. Rubin, financiado pela NSF e pelo Departamento de Energia dos EUA, nos proporciona. Equipado com a câmera LSST — a maior câmera digital do mundo — o Rubin combina uma ampla visão do céu com a capacidade de detectar objetos extremamente tênues. Com essa capacidade, o Rubin pode revelar detalhes do cosmos em uma enorme variedade de escalas, desde galáxias distantes a estrelas individuais, até nuvens de poeira espalhadas por nossa galáxia NSF–DOE Vera C. Rubin Observatory/NOIRLab/SLAC/AURA Embora invisível, a matéria escura é uma substância cuja existência é inferida pelos efeitos gravitacionais que exerce sobre galáxias e outros corpos celestes. Os cientistas estimam que ela represente cerca de 85% de toda a matéria do Universo. Já a energia escura é uma força ainda pouco compreendida, associada à expansão acelerada do cosmos. “Com seu design e ferramentas de classe mundial, o Observatório Rubin capturará a natureza dinâmica do nosso cosmos e revelará perspectivas inimagináveis sobre os maiores mistérios do Universo”, sugere Darío Gil, subsecretário de Ciência do Departamento de Energia dos Estados Unidos. “Ao buscarmos compreender a energia escura e a matéria escura, estamos nos esforçando para entender as leis fundamentais que governam a nossa existência.” Milhões de alertas todas as noites O volume de informações produzido pelo observatório impressiona. A expectativa é que sejam coletados cerca de 10 terabytes de dados por noite — uma quantidade equivalente a centenas de filmes em resolução 4K. Além disso, também é esperada a emissão de até sete milhões de alertas automáticos sempre que algum objeto apresentar mudanças de brilho, posição ou aparência. Esses avisos permitem que telescópios em diferentes partes do mundo direcionem rapidamente suas observações para eventos considerados relevantes. Nos testes realizados antes do início oficial das operações, o Rubin já demonstrou seu potencial ao descobrir mais de 11 mil asteroides até então desconhecidos, incluindo 33 objetos próximos da Terra e centenas de corpos situados além da órbita de Netuno. Ele também registrou imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS, originado fora do Sistema Solar. Projeto esperado há décadas O início do levantamento encerra uma espera de aproximadamente três décadas desde a concepção do projeto e mais de vinte anos de desenvolvimento tecnológico. Nos últimos meses, engenheiros e cientistas realizaram uma extensa bateria de testes para verificar a qualidade das imagens, a estabilidade dos equipamentos e a confiabilidade dos sistemas que irão operar continuamente durante os próximos dez anos. “É incrível e gratificante estar aqui neste momento, após mais de duas décadas de trabalho excepcional de nossa dedicada equipe”, observa Bob Blum, diretor do Observatório Rubin no NSF NOIRLab. “Este projeto mudará a forma como fazemos astronomia e astrofísica, permitindo que pesquisadores de diferentes países tenham acesso a uma quantidade inédita de informações.”

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