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  "textContent": "\nA existência de árvores gigantes em florestas tropicais intriga cientistas: como, afinal, elas conseguem se manter vivas, já que necessitam de muito mais recursos que outros seres vivos do ecossistema ao redor? Na verdade, um estudo de pesquisadores brasileiros revelou que árvores que ultrapassam os 70 metros de altura não têm dificuldades em transportar a água até o topo e não organismos mais frágeis que árvores menores. Publicada nesta quinta-feira (2) na revista científica Science, a pesquisa mostrou que essas árvores possuem adaptações específicas que compensam os desafios de levar água até os galhos mais altos. Mecanismo até o topo “A literatura científica sugere que, à medida que as árvores crescem, sua capacidade de transportar água para cima é prejudicada pela maior distância entre as raízes e as folhas, bem como pelos efeitos da gravidade. Isso reduziria a fotossíntese, limitaria o crescimento e aumentaria a vulnerabilidade à seca” descreve o comunicado sobre o estudo. No entanto, os resultados da pesquisa com árvores da família Dipterocarpaceae, as angiospermas mais altas do mundo, trazem novos olhares sobre essa concepção. Com a análise se 38 árvores pertencentes a cinco espécies diferentes, os pesquisadores descobriram que ajustes nos vasos do xilema – tubos microscópicos para o transporte de água e nutrientes – aumentam o seu diâmetro à medida que a árvore cresce. Pesquisadores do estudo com família Dipterocarpaceae diante de uma das árvores mais altas do mundo Lindsay Banin/Centro Britânico de Ecologia e Hidrologia em Edimburgo Esse tipo de adaptação é muito eficiente em condições de seca, já que ela é responsável por reduzir a probabilidade de falha no transporte de água. Devido a complexidade em se estudar funções hidráulicas de plantas, especialmente daquelas que atingem grandes alturas, a descoberta dos mecanismos de ajustes internos é notável. “Em vez de assumir que a altura por si só aumenta a vulnerabilidade hidráulica, as descobertas sugerem que outros mecanismos fisiológicos e anatômicos podem ser igualmente ou mais importantes para explicar a sobrevivência dessas árvores diante das mudanças climáticas”, diz Rafael Oliveira, biólogo da Unicamp e pesquisador envolvido no estudo, no comunicado. Leia mais notícias: Influência das árvores gigantes Estudar árvores gigantes vai muito mais além de compreender seres vivos com adaptações evolutivas fantásticas. A ação também é importante para o estabelecimento de modelos mais realistas de como as florestas funcionam e respondem a climas cada vez mais secos. Mais da metade de todo o carbono armazenado em ecossistemas florestais está preso em apenas 1% das árvores mais altas, o que as coloca numa posição de destaque para estudos futuros que tratem de entender os mecanismos de sobrevivência dessas plantas e seu papel dentro de um cenário de mudanças climáticas.",
  "title": "Como árvores de 70 metros transportam água para as folhas? Estudo de brasileiros descobriu"
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