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"textContent": "\nA matemática não ser a disciplina predileta da maioria dos humanos - e fazer contas também não é uma habilidade só nossa. Espécies de primatas e aves como os corvos, por exemplo, já demonstraram ser capazes de manipular quantidades numéricas. Agora, um novo estudo publicado na revista Scientific Reports na última sexta-feira (26), revelou que as girafas também reconhecem contas simples, como adições. Liderada por cientistas da Universidade de Barcelona (Espanha), a pesquisa desafia a ideia de que habilidades cognitivas complexas são exclusivas dos seres humanos e reforça a hipótese de que certas capacidades sofisticadas podem ter evoluído de forma convergente em diferentes linhagens animais. Esticando os pescoços Para investigar se as girafas também seriam capazes de realizar operações matemáticas básicas, os pesquisadores desenvolveram um experimento com quatro indivíduos do Zoológico de Barcelona. O objetivo era verificar se os animais conseguiam identificar, entre dois recipientes, aquele que passaria a conter a maior quantidade de alimento após sofrer uma alteração. “Essa alteração poderia envolver a adição de alimento, como em uma operação de soma; a retirada de alimento, como em uma subtração; ou operações sequenciais, como retirar alimento de uma opção e adicioná-lo à outra\", explicou Iker Loidi and Jordi Galbany, da Universidade de Barcelona, em comunicado. No teste, cada girafa observava inicialmente duas quantidades diferentes de cenouras distribuídas em recipientes amarelos, que eram fechados após alguns segundos. Em seguida, os pesquisadores apresentavam um terceiro recipiente verde contendo a quantidade de alimento que seria adicionada a um dos recipientes. Na tarefa de subtração, por sua vez, o recipiente verde começava vazio e era utilizado para recolher as cenouras retiradas de um dos recipientes amarelos. O detalhe mais curioso do experimento é que, depois da etapa inicial, as quantidades deixavam de ficar visíveis para os animais. Assim, para fazer a escolha correta, as girafas precisavam recordar mentalmente o número de cenouras visto anteriormente e atualizar essa informação após a alteração. Diagrama dos recipientes utilizados no experimento, abertos e fechados. Quando fechados, o conteúdo era visível apenas para o experimentador (seta verde), mas não para o sujeito do teste (seta vermelha) Universidade de Barcelona Ao final dos testes, duas das quatro girafas conseguiram resolver corretamente as tarefas de adição, indicando que esses animais são capazes de memorizar quantidades, atualizar essas representações mentais e tomar decisões com base nelas. Em contrapartida, nenhuma delas obteve sucesso nas tarefas de subtração ou nos cálculos sequenciais. Segundo Loidi, o resultado acompanha um padrão já observado em seres humanos. “Existem diferenças individuais na capacidade de resolver problemas numéricos e, de modo geral, a subtração é mais difícil do que a adição. Além disso, a subtração ativa áreas do cérebro especializadas em processamento complexo e controlado, algo que a adição não exige da mesma forma”, afirmou. Para os pesquisadores, as exigentes condições enfrentadas pelas girafas podem ter favorecido o desenvolvimento dessas habilidades cognitivas. Na natureza, esses animais vivem em comunidades que se dividem em grupos menores e voltam a se reunir de acordo com as condições ambientais, enquanto suas principais fontes de alimento, especialmente as acácias, encontram-se espalhadas pela savana. “Isso pode favorecer a necessidade de estimar onde, quando e em que quantidade esses recursos estão disponíveis para otimizar as decisões de alimentação\", explicou Loidi. Além de ampliar o conhecimento sobre a inteligência das girafas, os pesquisadores acreditam que o estudo contribui para uma compreensão mais abrangente da evolução da cognição animal.",
"title": "Girafas sabem reconhecer somas matemáticas, mostra novo estudo"
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