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Número global de insetos pode ser três vezes maior do que se imagina, estima estudo

Galileu [Unofficial] June 30, 2026
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A Terra pode abrigar entre 14 milhões e 20 milhões de espécies de insetos, um total quase três vezes superior à estimativa mais aceita nas últimas quatro décadas, que apontava cerca de 6 milhões de espécies. A conclusão é de um estudo publicado nessa segunda-feira (29) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Para chegar à nova estimativa, os pesquisadores combinaram informações genéticas de mais de 1,6 milhão de insetos coletados na Costa Rica com modelos estatísticos capazes de projetar a diversidade global do grupo. Caso a projeção se confirme, o número de espécies de insetos conhecidas pela ciência poderá ser revisto em mais 8 milhões a 14 milhões de espécies. Segundo os autores, isso amplia significativamente a compreensão sobre a riqueza biológica do planeta e reforça a urgência de conservar esse patrimônio natural, sobretudo diante dos relatos de declínio das populações de insetos registrados em diferentes partes do mundo. O estudo também indica que a maior parte dessa biodiversidade permanece desconhecida. “Não podemos proteger as espécies se não soubermos que elas existem. Portanto, para entendermos a biodiversidade do nosso planeta, é importante saber quantas espécies existem”, afirma Laura Melissa Guzman, professora de Entomologia da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e autora principal da pesquisa, em comunicado à imprensa. Contagem de insetos Até hoje, a ciência descreveu aproximadamente 1,2 milhão de espécies de insetos. Descrever uma espécie significa identificá-la oficialmente, dar-lhe um nome científico e registrar características que permitam diferenciá-la das demais. No entanto, esse processo está longe de acompanhar a velocidade com que novas espécies são encontradas. “Sabemos que ainda há muito mais por descobrir, e um dos desafios é que quanto mais coletamos amostras, mais descobrimos”, aponta Guzman. “Trata-se de tentar estimar o que ainda não foi observado com base no que já sabemos.” A enorme diversidade dos insetos ajuda a explicar essa dificuldade. Muitos deles passam por metamorfose, permitindo que ocupem ambientes e utilizem alimentos diferentes em cada fase da vida. Além disso, seu pequeno tamanho favorece o surgimento de populações isoladas em áreas muito restritas, o que aumenta o número de espécies distintas. Laboratório natural em Costa Rica Para chegar à nova estimativa, os cientistas concentraram seus esforços na ACG (Área de Conservação Guanacaste), uma região protegida de aproximadamente 169 mil hectares localizada no noroeste da Costa Rica. O local é reconhecido pela grande riqueza de espécies e pelo intenso monitoramento científico realizado há décadas. A equipe estudou principalmente um grupo de pequenas vespas parasitoides da subfamília Microgastrinae. Diferentemente das vespas comuns, esses insetos depositam seus ovos dentro de lagartas. Quando as larvas nascem, alimentam-se do interior do hospedeiro até completar seu desenvolvimento. O consenso atual — o número aceito pela maioria dos especialistas — estima o total de insetos em cerca de 6 milhões de espécies Pexels Os pesquisadores utilizaram armadilhas do tipo Malaise, estruturas semelhantes a tendas que capturam insetos voadores, além da coleta direta de lagartas para identificar as vespas que emergiam delas. Somente as principais armadilhas reuniram mais de 1,6 milhão de indivíduos, cujos DNAs foram analisados por meio do chamado código de barras genético. Essa técnica consiste em sequenciar um pequeno trecho do DNA para identificar e distinguir espécies, funcionando como um “RG molecular” dos organismos. As análises revelaram cerca de 54 mil espécies de insetos apenas nas amostras obtidas pelas armadilhas principais e permitiram identificar 1.414 espécies de Microgastrinae considerando os três métodos de coleta empregados. Projeção do número global A equipe utilizou modelos estatísticos para estimar quantas espécies de vespas provavelmente existiam na região, mas não haviam sido capturadas. Essa proporção foi então aplicada ao conjunto de insetos encontrados na Área de Conservação Guanacaste, indicando que a reserva pode abrigar aproximadamente 333 mil espécies de insetos. Na etapa seguinte, os pesquisadores compararam a quantidade de espécies conhecidas de árvores existentes na reserva com o número estimado de espécies de árvores em todo o planeta. O mesmo raciocínio foi confrontado com dados de mamíferos, anfíbios e mariposas da família Saturniidae. Por meio dessas relações, o modelo projetou uma estimativa global entre 14 milhões e 20 milhões de espécies de insetos. Segundo os autores, a estratégia é conservadora e procura extrapolar os dados obtidos localmente utilizando grupos biológicos cuja diversidade já é relativamente bem conhecida. Risco de extinção antes mesmo da descoberta A revisão da estimativa mundial ganha ainda mais relevância diante das preocupações com a redução das populações de insetos provocada por atividades humanas. Esse fenômeno vem sendo chamado de “apocalipse dos insetos”, e sua intensidade varia entre regiões e grupos de espécies. “Nossos resultados apontam para um grande número de insetos não descritos, aqueles sem nome”, destaca Guzman. “Com os recentes relatos de declínio de insetos, pode haver muitas espécies em declínio que ainda nem descobrimos.” Para os pesquisadores, ampliar o conhecimento sobre a verdadeira dimensão da diversidade de insetos é fundamental para orientar políticas de conservação e compreender melhor o funcionamento dos ecossistemas. Vale lembrar que esses animais desempenham papéis essenciais na polinização, na decomposição da matéria orgânica e no controle natural de outras espécies.

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