External Publication
Visit Post

Cientistas criam células da retina em laboratório pela primeira vez

Galileu [Unofficial] June 30, 2026
Source
Pela primeira vez, cientistas cultivaram células de retina em laboratório a partir de células-tronco. Essas células, quando injetadas em camundongos, regeneraram vasos sanguíneos e restauraram a função da retina. Os resultados, publicados nesta terça-feira (30) na revista Nature, podem resultar em novos tratamentos para a perda de visão. Liderada por engenheiros biomédicos da Universidade Duke, nos Estados Unidos, a pesquisa também demonstra a capacidade das células cultivadas de formar tecido vascular retiniano funcional em um ambiente de laboratório, permitindo modelar e pesquisar diversas doenças oculares. Atualmente, essas células endoteliais da retina são coletadas e cultivadas a partir de pacientes reais, o que as torna relativamente caras e com disponibilidade limitada. Para reduzir custos e controlar a variabilidade, os pesquisadores queriam averiguar se seria possível cultivá-las a partir de células-tronco, que são capazes de se diferenciar em uma ampla variedade de outros tipos de células. Deteriorização da retina Os olhos são considerados uma extensão do cérebro, pois os neurônios da retina fazem parte do sistema nervoso central. A retina é protegida por uma barreira hematoencefálica que regula a passagem de substâncias, preservando sua saúde, mas também dificultando tratamentos. Essa barreira é formada por células altamente especializadas, exclusivas da retina, o que torna sua regeneração e cicatrização particularmente complexas. “Quando esse tecido vascular especializado começa a se deteriorar, pode causar diversas doenças que levam à perda de visão”, explica o doutorando Parker Esswein, primeiro coautor do artigo, em comunicado. “Embora existam fontes de células endoteliais da retina, a capacidade de cultivar um suprimento contínuo a partir do zero poderia oferecer muitas vantagens para quem trabalha na área.” Pensando nisso, a equipe usou um procedimento bem estabelecido para induzir as células-tronco em células endoteliais comuns, que formam a camada interna da maioria dos vasos sanguíneos do corpo. Em seguida, a partir de um coquetel especializado, os cientistas induziram as células a se tornarem um tipo específico encontrado na retina. Os pesquisadores conseguiram com que as células formassem as mesmas redes e estruturas que formam no corpo. Logo depois, submeteram esses tecidos a baixos níveis de oxigênio e altos níveis de glicose, condições causadoras da retinopatia diabética. Por fim, fizeram com que a barreira tecidual se rompesse, assim como acontece em pacientes. Resultados em roedores Ao utilizarem as células cultivadas em laboratório como terapia para modelos de camundongos com vasos sanguíneos da retina frágeis e desestruturados, mas ainda sem perda de visão, os pesquisadores notaram que essas células se integraram com sucesso ao tecido existente, ajudando a desenvolver vasos sanguíneos com barreiras resistentes. “Os testes mostraram que essas células cultivadas em laboratório são promissoras para tratamentos preventivos, especialmente porque devem ser mais fáceis e baratas de obter usando nossa técnica”, conclui Esswein. Ele acrescenta que a equipe está confiante de que o estudo resultará em pesquisas sobre doenças oculares com modelos de tecido humano em laboratório. Os pesquisadores planejam explorar esses usos potenciais para suas células endoteliais da retina também por meio de parcerias com a indústria. O grupo já possui uma patente pendente que abrange tanto as terapias baseadas em células-tronco quanto a modelagem in vitro para descoberta e teste de medicamentos.

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...