{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreicjdsrvjo4pavk4kcmy2tsp3dy2cak3wa6x5izsixktcqsfdpxrwi",
    "uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mpaj6olvffg2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreihsmkrpqpxsevbzs2fi4tv3wdxct4a3zk6jtvmqzu53sfp4ufkk7m"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 68304
  },
  "path": "/ciencia/arqueologia/noticia/2026/06/como-cientistas-podem-reconstruir-a-dieta-de-ancestrais-humanos-a-partir-dos-dentes.ghtml",
  "publishedAt": "2026-06-26T17:46:09.000Z",
  "site": "https://revistagalileu.globo.com",
  "tags": [
    "galileu"
  ],
  "textContent": "\nUma nova ferramenta baseada em inteligência artificial (IA) pode ajudar pesquisadores a reconstruir a dieta de ancestrais humanos e outros primatas extintos a partir de marcas microscópicas presentes nos dentes. A técnica, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Barcelona (UB), na Espanha, e descrita em um novo estudo publicado em 28 de abril na revista Scientific Reports, utiliza aprendizado de máquina para identificar padrões tridimensionais de desgaste no esmalte dentário, permitindo classificar hábitos alimentares de forma mais consistente, independente da interpretação de especialistas. O estudo se baseia na análise do chamado desgaste dentário microscópico. Durante a mastigação, os alimentos deixam pequenas marcas na superfície do esmalte dos dentes. Essas marcas funcionam como registros da alimentação ao longo do tempo, indicando, por exemplo, se um animal consumia alimentos mais macios ou mais abrasivos. Essa abordagem já é amplamente utilizada na paleoantropologia para investigar a dieta de primatas e hominídeos fósseis. No entanto, em comunicado, Laura M. Martínez, da Faculdade de Biologia e do Instituto de Arqueologia (IAUB) da UB, e autora principal do estudo, explica que, anteriormente, os pesquisadores dependiam de medidas de desgaste mais simples, geralmente em duas dimensões, analisadas com técnicas estatísticas convencionais. Segundo ela, a adoção de técnicas tridimensionais aumentou significativamente a quantidade de informações obtidas a partir das superfícies dentárias. O problema é que esse volume de dados se tornou difícil de interpretar com ferramentas estatísticas tradicionais. Diante desse desafio, os pesquisadores treinaram modelos de IA utilizando superfícies de desgaste dentário em 3D de primatas atuais com dietas já conhecidas. Dessa forma, os algoritmos aprenderam a reconhecer padrões associados a diferentes tipos de alimentação. Além de distinguir primatas que vivem em ambientes distintos e seguem dietas diferentes, a metodologia também permitiu identificar quais variáveis são mais relevantes para classificar os padrões de desgaste observados nos dentes. O objetivo é aplicar esses modelos ao estudo de primatas fósseis encontrados em sítios africanos e da Península Ibérica datados entre 4 milhões e 1 milhão de anos atrás. Esse período foi marcado por mudanças climáticas que transformaram profundamente os ecossistemas africanos. Os cientistas estão especialmente interessados nos cercopitecídeos, uma ampla família de primatas que habitava diferentes ambientes e coexistiu com os primeiros hominídeos. Como esses animais viveram nos mesmos ecossistemas que os ancestrais dos humanos, eles podem servir como referência para compreender como as alterações ambientais influenciaram adaptações alimentares ao longo da evolução humana. A equipe pretende, no futuro, aumentar significativamente o tamanho da amostra para melhorar a precisão e a robustez do modelo. A ideia é incorporar amostras de mais espécies e ecossistemas, com dietas bem caracterizadas, além de outros fatores ecológicos, para tornar a análise mais consistente. \"Com um bom modelo de referência de primatas, seremos capazes de desenvolver referências robustas para interpretar a dieta de nossos ancestrais em 3D, de forma integrada com outros indicadores paleoecológicos e climáticos\", conclui Laura M. Martínez.",
  "title": "Como cientistas podem reconstruir a dieta de ancestrais humanos a partir dos dentes"
}