{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreicicqqyoch663t64xw6s7bsky24ocxpx53qd5lu37slfcsajjnpkq",
    "uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mp27743uopp2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreiaiwcdwuc7i2i5kmayldxoo5f3c7ud2dyh67h3zfn357ukefplesq"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 290225
  },
  "path": "/ciencia/biologia/noticia/2026/06/golfinhos-femeas-se-lembram-dos-machos-agressivos-e-evitam-fazer-sexo-com-eles.ghtml",
  "publishedAt": "2026-06-23T16:16:34.000Z",
  "site": "https://revistagalileu.globo.com",
  "tags": [
    "galileu"
  ],
  "textContent": "\nGolfinhos-nariz-de-garrafa do Indo-Pacífico (Tursiops aduncus) fêmeas parecem guardar na memória quais machos já demonstraram comportamentos agressivos e, na hora de reproduzir, preferem manter distância deles, aponta um estudo publicado no dia 1º de junho na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Ao que tudo indica, essas fêmeas usam experiências sociais acumuladas ao longo da vida para avaliar parceiros em potencial e reduzir riscos justamente no período em que podem engravidar. A avaliação passa pelos chamados “assobios característicos”, vocalizações únicas que funcionam como uma assinatura sonora de cada animal. Ao reconhecer esses sons, as fêmeas parecem associá-los ao comportamento de machos específicos e reagir de acordo com o histórico de cada um. “O fato de as fêmeas usarem informações sobre indivíduos específicos para orientar suas decisões sociais nos revela algo importante sobre o que elas observam nos machos”, afirma Alice Bouchard, autora principal do estudo, em entrevista à National Geographic. Identidade sonora A pesquisa foi realizada em Shark Bay, na Austrália, onde os cientistas acompanham populações de golfinhos há cerca de 40 anos. Esse monitoramento de longo prazo permitiu reunir informações detalhadas sobre as relações sociais e o histórico comportamental dos animais estudados. Os pesquisadores partiram de uma característica já conhecida dos golfinhos-nariz-de-garrafa: cada indivíduo desenvolve um assobio próprio, capaz de identificá-lo dentro do grupo. Essas vocalizações funcionam de maneira semelhante a um nome, permitindo que outros golfinhos reconheçam quem está emitindo o som. Para investigar como as fêmeas reagem a diferentes machos, a equipe reuniu 34 gravações de assobios pertencentes a 11 indivíduos. Os sons foram reproduzidos debaixo d’água para 17 fêmeas, enquanto drones registravam seus deslocamentos e comportamentos. Em diversos testes, as fêmeas se afastaram ao ouvir determinados assobios. “Quando reproduzíamos os assobios dos machos, às vezes as fêmeas se assustavam e simplesmente iam embora”, relata Bouchard. Acasalamento coercitivo Embora machos e fêmeas normalmente convivam de forma harmoniosa, com interações sociais positivas, o comportamento muda durante a temporada reprodutiva. Nesse período, os machos frequentemente formam alianças conhecidas como consórcios. Por meio dessa estratégia, dois ou mais indivíduos acompanham uma única fêmea durante horas, dias ou até semanas para aumentar suas chances de reprodução. Os pesquisadores explicam que esses episódios podem envolver coerção. Em muitos casos, os machos cercam a fêmea, limitam seus movimentos e recorrem a comportamentos agressivos, como perseguições, investidas, mordidas e golpes corporais. Vocalizações ameaçadoras também podem ser usadas para intimidá-la. O estudo mostra que justamente os machos mais associados a esse tipo de comportamento provocavam as respostas de evasão mais intensas. Memória vai além da experiência pessoal Um dos resultados mais interessantes da pesquisa é que as fêmeas não parecem reagir apenas a experiências vividas diretamente por elas. Segundo os autores, os dados indicam que elas também respondem ao histórico geral de agressividade dos machos dentro da população. Isso significa que um indivíduo poderia ser evitado não apenas por ter sido agressivo com determinada fêmea, mas também por apresentar um padrão recorrente de coerção contra outras integrantes do grupo. “Agora sabemos que a taxa geral de consórcios de um macho influencia a intensidade com que as fêmeas o evitam, o que nos diz algo importante sobre quais características masculinas elas estão monitorando”, afirma Bouchard. As reações mais fortes foram observadas entre as fêmeas consideradas reprodutivamente disponíveis — aquelas em idade fértil e em condições de engravidar. Elas se afastaram com maior frequência e percorreram distâncias maiores após ouvir os assobios de machos com histórico de agressividade. Já as fêmeas que estavam amamentando filhotes, eram mais velhas ou não se encontravam em uma fase fértil apresentaram respostas mais discretas. Para os autores, isso sugere que evitar machos coercitivos pode representar uma estratégia para reduzir riscos durante a reprodução. Entre os possíveis benefícios estão a diminuição da chance de sofrer ferimentos, a preservação do tempo dedicado à alimentação e uma maior liberdade para selecionar parceiros. Perguntas sem respostas Mesmo com os avanços, os pesquisadores ainda buscam compreender exatamente como as fêmeas adquirem essas informações. Uma possibilidade é que associem diretamente determinados assobios a experiências passadas. Outra hipótese é que aprendam observando as interações sociais entre outros indivíduos do grupo. A próxima etapa da pesquisa pretende investigar uma questão complementar: quais características tornam alguns machos atraentes para as fêmeas. Segundo Bouchard, compreender esse processo pode ajudar a explicar por que certos indivíduos têm mais sucesso reprodutivo do que outros. “Gostaríamos de entender melhor o que torna um macho atraente em vez de repulsivo para as fêmeas”, aponta a pesquisadora.",
  "title": "Golfinhos fêmeas se lembram dos machos agressivos — e evitam fazer sexo com eles"
}