Expedição internacional descobre 31 novas espécies marinhas no Brasil
Galileu [Unofficial]
June 17, 2026
A bordo do navio R/V Falkor (too), pesquisadores fizeram a descoberta de 31 novas espécies marinhas que vivem na costa brasileira ao longo do Atlântico Sul. A área de exploração consistiu na camada de água situada entre a região iluminada pelo Sol e o fundo marinho, região ainda pouquíssimo explorada pela ciência. Entre as espécies descobertas pela equipe internacional do Schmidt Ocean Institute, estão um anfípode – um tipo de crustáceo aparentado com caranguejos e lagostas –, um verme translúcido, nove águas-vivas, sete sifonóforos, organismos coloniais aparentados às águas vivas e aos corais e até dois rizários gigantes – organismos unicelulares visíveis ao olho nu. Segundo comunicado do instituto, a diversidade e a abundância de espécies encontradas na região chamada zona intermediária do oceano surpreendeu os cientistas do estudo. Você pode ver abaixo registros únicos das espécies, feitos durante a expedição: Novas espécies descobertas nas profundezas oceânicas da costa brasileira Mapeando na escuridão A expedição contou com cerca de 20 pesquisadores e teve o intuito de mapear o oceano profundo da costa brasileira para o Censo do Oceano. Esse é um projeto de escala global que prevê o mapeamento de todo o fundo do mar em alta resolução. Entre 17 de maio e 15 de junho, a tripulação do R/V Falkor (too) ficou responsável por parte dessa tarefa. A embarcação Falkor (too) é um navio construído para ser especializado para pesquisas oceanográficas e navega sob a bandeira das Ilhas Cayman Alex Ingle/Schmidt Ocean Institute "Estamos numa corrida contra o tempo para descobrir a vida marinha antes que ela se perca para as gerações futuras. O Censo criará uma imensa riqueza de conhecimento de acesso aberto que beneficiará e sustentará toda a vida na Terra, para a humanidade e para o nosso planeta", diz Yohei Sasakawa, presidente da Fundação Nippon, financiadora do projeto. Ainda assim, a exploração da zona intermediária do oceano apresenta desafios: pela inacessibilidade, pouca luz solar e enorme volume é uma das regiões mais difíceis de se estudar no mundo. O uso de tecnologia de ponta para processamento de imagem e análises genéticas permitiram que os cientistas não apenas encontrassem as novas espécies, como também as descrevessem como inéditas em questão de poucos dias. No comunicado, explica-se que ferramentas como o DeepPIV e o EyeRIS que mapeiam animais marinhos de forma não invasiva, usando lasers para produzir imagens tridimensionais detalhadas. Também foi usada uma câmera de sombreamento, capaz de registrar detalhes anatômicos de estruturas internas dos animais que podem escapar das varreduras em 3D. Na imagem acima, você observa um exemplo de escaneamento de um sifonóforo feito por equipamentos da equipe de exploração numa profundidade de 350 metros ROV SuBastian/Schmidt Ocean Institute Auxílio tecnológico em pesquisas oceanográficas Boa parte dos animais que vivem na zona intermediária possuem corpos gelatinosos, macios e extremamente delicados. E as descobertas dos cientistas seguiram esse padrão. Além dos já citados, a expedição contou com a descrição de novas espécies de ctenóforos – conhecidos como “águas-vivas-de-pente” –, lulas-de-vidro e larváceos do plâncton marinho, que evolutivamente são parentes mais próximos dos vertebrados do que de qualquer outro invertebrado. Leia mais notícias: Os avanços de tecnologia de pesquisa utilizados na expedição, como o sequenciamento genômico dos espécimes coletados diretamente a bordo da embarcação, abre novos potenciais para avanços em pesquisas nas profundezas oceânicas. A descoberta de novas espécies nesse ambiente pode se tornar cada vez mais comum. “O maior habitat da Terra, a zona intermediária do oceano, está repleto de animais incríveis que estamos apenas começando a compreender. Continuo fascinada pela extraordinária variedade de soluções evolutivas que esses organismos desenvolveram para sobreviver nesse ambiente desafiador, e isso me motiva a continuar fazendo perguntas sobre o nosso oceano”, diz Karen Osborn, Museu de História Natural dos EUA.
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