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Número de refugiados diminui, mas crise humanitária ainda é grave, diz a ONU

Galileu [Unofficial] June 16, 2026
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Pela primeira vez em dez anos, o número de refugiados no mundo diminuiu. Segundo o relatório Global Trends 2025, divulgado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a população global de refugiados caiu 3% no ano passado, chegando a 41,6 milhões de pessoas. Em um primeiro momento, o dado parece indicar uma melhora em uma das maiores crises humanitárias da atualidade. Mas, segundo a ONU News, os desafios ainda são enormes. Milhões de indivíduos continuam presos em situações de deslocamento prolongado, sem perspectivas de reconstruir suas vidas. O relatório mostra que cerca de 5,4 milhões de pessoas fugiram para outros países em 2025 para escapar de guerras, perseguições e violência. Ao mesmo tempo, 14,7 milhões de deslocados retornaram para suas regiões ou países de origem, incluindo 4,4 milhões de refugiados e 10,3 milhões de deslocados internos. Esse movimento de retorno foi o segundo maior já registrado pelo ACNUR desde que a agência começou a monitorar tais dados, em 1965. Os aumentos mais significativos ocorreram no Afeganistão, na Síria e no Sudão. No entanto, a organização ressalta que muitos desses retornos aconteceram sob pressão e em condições precárias. A crise não acaba ao voltar para casa O aumento dos retornos foi o principal responsável pela queda no número total de refugiados. Mas o ACNUR ressalta que voltar para casa não significa necessariamente o fim da crise. Em muitos casos, refugiados retornaram a regiões onde ainda há falta de serviços básicos, oportunidades econômicas limitadas e riscos à segurança. O relatório também aponta um avanço importante: quase 46 mil pessoas apátridas — que não são consideradas cidadãs por nenhum país, o que impede o acesso a direitos básicos — obtiveram cidadania em 24 países ao longo de 2025. Um dos dados que mais preocupam a ONU não é o número total de refugiados, mas a duração do deslocamento. Segundo o relatório, cerca de 70% dos refugiados estão exilados há vários e não encontram condições para uma vida plenamente restabelecida. “Para muitos refugiados, o deslocamento começa como uma tábua de salvação, mas dura a vida inteira”, afirmou o alto comissário da ONU para refugiados, Barham Salih. Uma estratégia diferente Diante desse cenário, o ACNUR defende uma mudança de abordagem. Segundo a agência, não basta oferecer ajuda emergencial, também é preciso ampliar o acesso dos refugiados à educação, ao mercado de trabalho, aos serviços financeiros e aos sistemas de saúde. A meta anunciada pela ONU é reduzir em mais da metade, nos próximos dez anos, o número de refugiados em situação de deslocamento prolongado que dependem exclusivamente de ajuda humanitária. No entanto, uma das principais alternativas para quem busca reconstruir a vida em outro país está se tornando menos acessível. O relatório mostra que os programas de reassentamento e patrocínio humanitário caíram significativamente em 2025. O número de pessoas acolhidas por esses programas caiu mais da metade em comparação com o ano anterior, chegando a cerca de apenas 81,8 mil. A redução ampliou a diferença entre as vagas disponíveis para reassentamento e as necessidades urgentes dos refugiados. Quem são os refugiados atuais? Mais de 70% dos refugiados do mundo são originários de apenas seis países: Afeganistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Ucrânia e Venezuela. Já os principais países de acolhimento são Colômbia, Alemanha e Turquia. Segundo o relatório, 65% dos refugiados vivem em países vizinhos aos seus locais de origem, e 68% estão em países de baixa e média renda. Embora o número de refugiados tenha diminuído em 2025, o ACNUR alerta que a situação continua preocupante. Para a agência, além de proteger quem foge de guerras e perseguições, é preciso criar condições para que essas pessoas possam reconstruir suas vidas. “Asilo e proteção salvam vidas e não estão em discussão”, disse Salih. “Mas não podemos aceitar um futuro em que milhões de refugiados permaneçam presos por anos ou décadas sem perspectivas realistas de reconstruir suas vidas.”

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