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"textContent": "\nCom apenas alguns indivíduos sobrevivendo na natureza, a vaquita (Phocoena sinus) é considerada o mamífero marinho mais ameaçado do planeta. Agora, pesquisadores dos Estados Unidos criaram um dos registros anatômicos digitais mais detalhados já produzidos de uma vaquita, utilizando tomografias computadorizadas, microtomografia e fotografia de alta resolução. O trabalho, publicado na revista científica Marine Mammal Science, foi conduzido por pesquisadores da Universidade Atlântica da Flórida (FAU), em colaboração com o Museu de História Natural de San Diego, a SeaWorld California e a NOAA Fisheries. A equipe digitalizou completamente o esqueleto de uma fêmea coletada em 1966 e preservada em museu desde então. A vaquita é uma pequena toninha encontrada exclusivamente no norte do Golfo da Califórnia, no México. Com cerca de 1,5 metro de comprimento, ela é o menor cetáceo do mundo, grupo que inclui baleias, golfinhos e botos. Reconhecida pelos anéis escuros ao redor dos olhos e da boca, a espécie só foi descrita pela ciência na segunda metade do século XX. Apesar de sua descoberta relativamente recente, a população entrou em colapso nas últimas décadas. A principal ameaça são as redes de pesca usadas ilegalmente para capturar a totoaba, um peixe cuja bexiga natatória é vendida por altos valores no mercado paralelo internacional. Muitas vaquitas acabam presas acidentalmente nessas redes e morrem afogadas. Para documentar o raro espécime, os cientistas utilizaram diferentes técnicas de imagem em múltiplas escalas. Primeiro, o esqueleto passou por tomografia computadorizada convencional. Em seguida, ossos individuais foram fotografados e submetidos a exames de microtomografia computadorizada, capazes de revelar estruturas anatômicas microscópicas menores que a espessura de um fio de cabelo humano. magens do esqueleto da vaquita (Phocoena sinus) digitalizado por pesquisadores mostram detalhes anatômicos obtidos por fotografia científica e microtomografia computadorizada. Marine Mammal Science A partir de milhares de imagens obtidas nos exames, os pesquisadores reconstruíram modelos tridimensionais altamente detalhados de cada osso. As réplicas digitais permitem que cientistas, educadores e estudantes examinem a anatomia da espécie de qualquer ângulo sem a necessidade de manipular o material original, considerado extremamente raro e frágil. “Ao combinar tecnologias avançadas de imagem com o compartilhamento de dados de acesso aberto, o projeto não só protege um valioso registro de um dos mamíferos marinhos mais ameaçados do planeta, como também torna essa informação acessível a todos”, disse o cientista Jamie Knaub, primeiro autor, em comunicado. Segundo os pesquisadores, o projeto também tem um forte componente educacional. Os modelos digitais poderão servir de base para a produção de réplicas físicas destinadas a museus, escolas e programas de divulgação científica, ampliando o acesso ao conhecimento sobre a espécie e aumentando a conscientização sobre sua situação crítica. Representação artística de uma vaquita 좀비 브렌다 via Wikimedia Commons Além disso, todo o material foi disponibilizado gratuitamente na plataforma MorphoSource, um repositório internacional dedicado ao compartilhamento de modelos anatômicos em 3D. A iniciativa garante que pesquisadores de qualquer parte do mundo possam estudar a vaquita mesmo sem acesso ao espécime original. Para os cientistas, a digitalização representa mais do que um avanço tecnológico. Trata-se de uma forma de preservar informações valiosas sobre uma espécie que pode desaparecer nas próximas décadas caso a pesca ilegal continue ameaçando sua sobrevivência.",
"title": "Cientistas criam minucioso modelo 3D do mamífero marinho mais ameaçado do mundo"
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