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Estudo mostra controle inédito de câncer de pulmão avançado por mais de sete anos

Galileu [Unofficial] June 5, 2026
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Mais da metade dos pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células permaneceu sem piora da doença durante pelo menos sete anos após iniciar tratamento com o medicamento lorlatinibe (LORBRENA). O resultado, divulgado pela Pfizer a partir da atualização do estudo internacional de fase 3 CROWN, é considerado um marco para a oncologia por representar o período mais longo já observado de controle da doença nesse grupo de pacientes. Os dados foram publicados no dia 29 de maio no periódico Annals of Oncology, após serem apresentados no congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), um dos principais eventos mundiais da área. Segundo a análise, 55% dos pacientes tratados com o fármaco continuavam vivos sem sinais de progressão do câncer. No grupo que recebeu o tratamento de comparação, o crizotinibe, esse índice foi de apenas 3%. A investigação avaliou pessoas com câncer que apresentavam uma alteração no gene ALK. Essa mutação funciona como um "interruptor" que estimula o crescimento do tumor e está presente em cerca de 3% a 5% dos casos do câncer de pulmão de não pequenas células. Para esses pacientes, terapias-alvo como o lorlatinibe atuam diretamente no mecanismo que impulsiona a doença. Um dos aspectos que mais chamaram a atenção dos pesquisadores foi o fato de que, mesmo após sete anos de acompanhamento, ainda não foi possível calcular a mediana de sobrevida livre de progressão — usada para indicar quanto tempo os pacientes vivem sem agravamento do câncer. Isso ocorre porque mais da metade deles seguia sem progressão da doença quando a análise foi realizada. “Os resultados atualizados do estudo CROWN mostram benefícios clínicos de longo prazo sem precedentes”, afirma Jeff Legos, líder científico de Oncologia Global da Pfizer, em comunicado enviado à imprensa. Segundo ele, os dados sugerem que esta pode ser a maior duração de controle da doença já observada em pacientes com câncer de pulmão. Na comparação com o grupo controle, o tratamento reduziu em 81% o risco de crescimento do tumor ou morte. Proteção contra metástases no cérebro Outro resultado considerado especialmente relevante do estudo envolve o controle das metástases cerebrais, quando o câncer se espalha para o cérebro. Esse é um problema frequente em pacientes com tumores ALK-positivos e costuma estar associado à piora da qualidade de vida e do prognóstico. A pesquisa mostrou que o lorlatinibe reduziu em 94% o risco de progressão da doença no sistema nervoso central em comparação com o tratamento de referência. Mais do que isso, verificou-se que nenhum novo caso de progressão cerebral foi registrado após os primeiros 30 meses de tratamento entre os pacientes que receberam o medicamento. Após sete anos, 92% dos pacientes tratados com lorlatinibe permaneciam sem progressão da doença no cérebro. Entre aqueles que receberam crizotinibe, esse percentual foi de 16%. Para Tony Shu-Kam Mok, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong e um dos líderes do estudo, os resultados mudam a perspectiva de médicos e pacientes. “Esses resultados são notáveis não apenas pela duração da resposta ao tratamento, mas pelo que representam. Trata-se de uma mudança fundamental no que médicos e pacientes podem esperar realisticamente de um câncer de pulmão avançado”, resume ele. Possibilidade de transformar a visão da doença Os pesquisadores avaliam que os resultados apontam para uma mudança importante na forma de encarar o câncer de pulmão ALK-positivo avançado. A análise mostrou que a maior parte dos casos de progressão ocorreu nos dois primeiros anos de tratamento. Entre os pacientes que chegaram ao final desse período sem agravamento da doença, quase oito em cada dez continuavam vivos e sem progressão cinco anos depois. Com base nesse comportamento, os autores sugerem que uma parcela significativa dos pacientes poderá conviver com a doença por longos períodos, em um cenário mais próximo ao de uma condição crônica do que de um câncer rapidamente progressivo. Essa hipótese ganha força porque, mesmo após sete anos de acompanhamento, a recomendação de tratamento com o fármaco continuou válida para 44% dos participantes. No grupo de comparação, apenas 3% continuavam sem mudanças na estratégia de tratamento, enquanto o restante precisou interromper o cuidado por razão diversas, como a ocorrência de eventos adversos com o fármaco, a deterioração do estado de saúde ou mesmo a progressão da doença. A equipe também avaliou a segurança do tratamento ao longo do período. Segundo o estudo, não surgiram novos problemas relevantes relacionados ao uso prolongado do medicamento. O perfil de efeitos colaterais permaneceu semelhante ao observado nas análises anteriores. Entre os eventos mais frequentes estiveram inchaço, aumento dos níveis de colesterol e triglicerídeos, ganho de peso e alterações neurológicas leves. Embora efeitos adversos mais intensos tenham sido registrados com maior frequência entre os pacientes tratados com lorlatinibe, a taxa de interrupção definitiva do tratamento por causa desses problemas foi baixa e semelhante à observada no grupo de comparação. Impacto para o Brasil O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no mundo. No Brasil, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima cerca de 32 mil novos casos por ano. O medicamento avaliado no estudo foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2020 e passou a ser indicado como tratamento inicial para pacientes com câncer de pulmão ALK-positivo em 2021, além de integrar o rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde desde 2022. Embora os dados de sobrevida global — indicador que mede quanto tempo os pacientes vivem independentemente da evolução da doença — ainda estejam sendo acompanhados, os resultados divulgados agora reforçam uma tendência cada vez mais clara na oncologia: o avanço das terapias-alvo, as quais estão permitindo que alguns tipos de câncer metastático sejam controlados por períodos antes considerados inalcançáveis.

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