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Favela de Belo Horizonte tem destaque em relatório global da ONU sobre habitação

Galileu [Unofficial] June 5, 2026
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Um relatório recente da ONU (Organização das Nações Unidas), lançado em 26 de maio, destaca um programa de revitalização de favelas no Brasil como modelo de solução habitacional no mundo. O documento cita a a comunidade de Izidora, no norte de Belo Horizonte (MG), que passa por um enorme plano de urbanização sustentável. Para a ONU, os programas brasileiros de favelas "ilustram uma mudança de paradigma, afastando-se dos despejos e da erradicação de favelas, políticas que, segundo o relatório, muitas vezes agravaram a pobreza e a exclusão social". Em vez de promover remoções, o programa de assentamentos humanos da ONU (UN-Habitat) adota a estratégia de “melhoria in situ”, que consiste em qualificar a infraestrutura urbana. A abordagem inclui a melhoria de vias, sistemas de saneamento e drenagem, além da requalificação habitacional. Os resultados vão desde reformas habitacionais em São Paulo até obras de drenagem em Recife e a implantação de um teleférico no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Favela-modelo Hoje, a favela de Izidora reúne aproximadamente 5 mil famílias. Ao todo, são quatro ocupações — Helena Greco, Rosa Leão, Esperança e Vitória — todas com nomes de mulheres, em reconhecimento ao protagonismo feminino e à história das mulheres no movimento em defesa da moradia segura. O Plano de Urbanização Sustentável de Izidora começou em 2025, com a ajuda de Josimar das Dores Coelho, residente da ocupação Helena Greco, que se estabeleceu no local em 2011, acompanhada de dois filhos pequenos e de vizinhos. “Quando o projeto de urbanização foi anunciado, eu disse: agora, vamos lutar”, relembra Josy, que ajudou a mobilizar outros moradores. Ao longo dos próximos sete anos, o projeto levará à região novas moradias, vias de acesso, redes de saneamento e serviços públicos. “Quando tudo estiver concluído e eu vir as famílias felizes em suas casas — justamente no lugar onde começou a nossa luta por moradia — meu coração estará cheio de felicidade", afirma a moradora. Na "Sala Verde" da COP29 em Baku, Azerbaijão, estão expostos modelos de cidades verdes e outras soluções climáticas ONU O problema da moradia no mundo Segundo dados da ONU, cerca de 1,2 bilhão de pessoas vivem atualmente em assentamentos precários ou favelas em todo o mundo. Além disso, 318 milhões estão em situação de rua e uma em cada quatro pessoas não tem acesso à água potável gerida de forma segura. Entre os exemplos internacionais de políticas bem-sucedidas para ampliar o acesso à moradia digna, a ONU-Habitat destaca o programa Baan Mankong, na Tailândia. Em vez de remover moradores de assentamentos informais, a iniciativa oferece financiamento para obras de infraestrutura e apoia acordos coletivos de posse da terra, permitindo que as próprias comunidades promovam melhorias em suas residências. Na Jordânia, um amplo espaço aberto próximo ao campo de refugiados de Al-Hussein, em Amã, foi transformado em um parque público resiliente às mudanças climáticas e adaptado para atender pessoas de diferentes faixas etárias. Experiências semelhantes também são encontradas no Camboja, onde projetos de melhoria urbana são liderados pelos próprios moradores, e nas Filipinas, onde comunidades participam diretamente do planejamento e da construção coletiva de suas casas. Na Tanzânia, por sua vez, a companhia nacional de energia implementou programas de financiamento para facilitar o acesso a eletrodomésticos e à eletrificação residencial. Como resultado, o acesso à eletricidade mais que dobrou entre 2020 e 2022. A expansão do uso de fogões elétricos também ajudou a reduzir a dependência de combustíveis altamente poluentes, como o carvão vegetal. O relatório defende que governos de todo o mundo reforcem a proteção contra despejos forçados, reconheçam diferentes formas de posse da terra e ampliem a participação das comunidades nos processos de tomada de decisão. O documento também coloca a habitação no centro da agenda climática, lembrando que os edifícios respondem por cerca de 37% das emissões globais de gases de efeito estufa. Para a ONU-Habitat, enfrentar a crise habitacional exige uma ação coordenada entre governos, organismos internacionais e os próprios moradores. Como afirma a diretora-executiva, Anacláudia Rossbach, no prefácio do relatório: “As ações que tomarmos agora determinarão se a habitação se tornará uma base para a estabilidade e o crescimento ou uma fonte de extrema vulnerabilidade”.

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