O que revelou o DNA antigo de 12 leões-das-cavernas encontrados na Sibéria
Galileu [Unofficial]
June 5, 2026
Um novo estudo, publicado na revista Cell nesta quarta-feira (3), analisou o material genético de 12 leões-das-cavernas (Panthera spelaea) recuperados de cavernas, margens de rios e de permafrost no norte da Sibéria. Com isso, pesquisadores descobriram que esses felinos se separaram dos leões modernos há cerca de 1,5 milhão de anos – muito antes do estimado anteriormente. Os genomas de todos os exemplares foi comparado ao de 20 leões modernos da África e do sul da Ásia, revelando que as criaturas cruzaram com seu parente moderno, separando-se depois em um grupo distinto. Entre os espécimes, datados entre aproximadamente 17 mil e mais de 100 mil anos, havia dois filhotes excepcionalmente bem preservados. “Os leões das cavernas têm sido frequentemente retratados apenas como uma versão maior e mais robusta dos leões modernos”, conta em comunicado o autor principal da pesquisa, David Stanton, ex-pós-doutorando em Estocolmo e agora professor na Universidade de Cardiff, no Reino Unido. Os autores do estudo também identificaram diferenças genéticas que provavelmente contribuíram para a biologia peculiar dos leões-das-cavernas. Por exemplo, eles descobriram mutações exclusivas desses antigos felinos que, segundo previsões, impactam a função das proteínas. Além disso, esses predadores apresentavam um excesso de alterações em genes ligados à função cerebral, visão, crescimento e desenvolvimento circulatório. Isso tudo condiz com fósseis e pinturas rupestres que sugerem que os leões-das-cavernas diferiam dos leões modernos em tamanho, comportamento e adaptação ecológica. Contudo, os cientistas acreditam que os dois grupos não evoluíram em completo isolamento. Na verdade, houve vários cruzamentos ao longo de dezenas de milhares de anos, aparentemente ligados a mudanças climáticas globais no passado. Leões-das-cavernas se separaram dos leões modernos há cerca de 1,5 milhão de anos Universidade de Cardiff Um encontro de felinos Embora a contribuição genética dos leões modernos tenha sido relativamente pequena, sua ancestralidade no genoma dos leões-das-cavernas aumentou durante os períodos em que as camadas de gelo atingiram maior extensão. Nesses intervalos mais frios, acredita-se que populações de leões-das-cavernas avançaram para regiões mais ao sul, entrando em contato com leões modernos em áreas como a Ásia Central e o Sudoeste Asiático. Os leões modernos que habitavam o sudoeste da Ásia — hoje extintos — provavelmente foram a principal fonte da transferência genética entre as duas populações. Ao mesmo tempo, os próprios leões-das-cavernas mantinham uma ampla conectividade genética em toda a Eurásia, espalhando-se por grandes distâncias em períodos relativamente curtos. Segundo os cientistas, a mistura genética entre leões modernos e leões-das-cavernas está diretamente relacionada à expansão global das geleiras. No estudo, os pesquisadores relatam a detecção de "3,2% a 4,4% de ancestralidade de leão moderno em um leão-das-cavernas de aproximadamente 20 mil anos encontrado na Ásia Centro-Oriental". "Essas descobertas fornecem novas informações sobre a história evolutiva do leão-das-cavernas, que já foi uma das espécies de megafauna com maior impacto ecológico no Hemisfério Norte", concluem os autores.
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