OMS faz alerta sobre possível aumento do sarampo por causa da Copa
Galileu [Unofficial]
June 5, 2026
Por décadas considerado uma das doenças mais contagiosas do mundo, o sarampo volta a preocupar autoridades sanitárias internacionais às vésperas da Copa do Mundo. Com partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México — países que registram aumento de casos da doença —, o torneio deve reunir milhões de pessoas em aeroportos, estádios e outros eventos simultâneos, criando condições favoráveis para a disseminação do vírus. Diante desse cenário, no final do mês de maio a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), instituição regional da Organização Mundial de Saúde (OMS), emitiu um alerta epidemiológico. A recomendação é para que os países reforcem a vigilância, ampliem a cobertura vacinal e se preparem com ações preventivas. Segundo a entidade, grandes eventos associados às intensas viagens internacionais podem aumentar significativamente o risco de propagação do sarampo. O temor das autoridades não é exagerado, uma vez que o sarampo é uma das doenças infecciosas mais transmissíveis conhecidas. Como aponta a ONU News, uma única pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 outras em ambientes suscetíveis. Além do alto nível de transmissão, o vírus pode circular rapidamente entre países por meio de viajantes infectados. Foi justamente esse processo que contribuiu para o retorno da doença em diversas regiões do mundo nos últimos anos. Cenário brasileiro Embora tenha recuperado o certificado de eliminação do sarampo em 2024, o Brasil também acompanha com atenção o avanço recente da doença nas Américas. Segundo o Ministério da Saúde, a certificação indica que o vírus não circula de forma contínua no país, mas não impede a ocorrência de casos isolados ou importados (relacionados a viagens internacionais). Em 2025, o país registrou dezenas de casos importados. Neste ano, até o momento, três novos casos da doença foram confirmados, associados a viagens internacionais e à ausência de vacinação. Além disso, o Ministério da Saúde investiga 468 casos suspeitos. A preocupação ganha força porque o histórico recente mostra que o sarampo pode retornar mesmo após ter sido eliminado. Em 2019, o Brasil perdeu o certificado conquistado em 2016 após um período prolongado de transmissão contínua, resultado da combinação entre casos internacionais, indivíduos não imunizados e queda da vacinação. O principal ponto de preocupação dos especialistas está nas áreas com baixa cobertura vacinal, que podem facilitar a disseminação do vírus caso ele seja reintroduzido no país. "Uma grande preocupação é que há alguns bolsões onde a cobertura vacinal está abaixo do desejado. Esses são locais onde uma reintrodução pode levar a um surto", disse Alberto Chebabo, infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista à DW Brasil (reproduzida pelo g1). Cenário nos países-sede Os países que receberão a Copa do Mundo estão entre os mais afetados pelo avanço recente do sarampo nas Américas. Dados mais recentes da OPAS apontam que o México lidera os números, com mais de 10 mil infecções e 13 mortes confirmadas neste ano. Nos Estados Unidos, já foram registrados quase 2 mil casos, enquanto o Canadá passou de mil casos. Fora os países-sede, a Guatemala também chama atenção, com mais de 6 mil registros e 12 mortes. O Peru registrou 301 infecções, e outros países da região — incluindo o Brasil — identificaram casos relacionados a surtos ou importações do vírus. A OPAS destaca que a maior parte dos casos registrados nas Américas ocorreu entre pessoas não vacinadas ou com histórico vacinal desconhecido. Para a organização, o cenário atual de surtos junto ao aumento da circulação internacional de pessoas reforça a necessidade de fortalecer a vigilância e ampliar a cobertura vacinal, especialmente entre viajantes que pretendem participar de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo. Campanha nacional Como resposta ao risco, o Ministério da Saúde lançou, no fim de abril, uma campanha voltada aos brasileiros que pretendem acompanhar a Copa presencialmente em um dos três países anfitriões. A orientação é que os viajantes verifiquem sua situação vacinal e atualizem a caderneta antes do embarque. A recomendação segue o calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI): crianças de 6 a 11 meses devem receber a chamada "dose zero"; pessoas entre 12 meses e 29 anos precisam ter duas doses da vacina; e adultos de 30 a 59 anos precisam de pelo menos uma dose. A vacina disponibilizada contra o sarampo é a tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Embora a vacinação dos torcedores seja uma medida importante para reduzir o risco de importação de casos, especialistas destacam que o principal desafio continua sendo manter altas coberturas vacinais na população ao longo do tempo. Por isso, a Copa de 2026 funciona como um teste para os sistemas de vigilância epidemiológica da região. Mais do que evitar casos durante o torneio, o objetivo é impedir que o evento contribua para reintroduzir uma doença que muitos países passaram décadas tentando eliminar. O que é o sarampo e por que ele preocupa? O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa transmitida pelo ar, por meio de gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Os sintomas costumam começar com febre alta, tosse, coriza e olhos avermelhados, seguidos pelo aparecimento de manchas vermelhas na pele. Embora muitas pessoas se recuperem sem complicações, a infecção pode causar pneumonia, encefalite (inflamação do cérebro), sequelas neurológicas permanentes e até a morte, especialmente em crianças pequenas, gestantes e pessoas não imunizadas ou com o sistema imunológico comprometido. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação continua sendo a forma mais segura e eficaz de prevenção, oferecendo proteção elevada contra a doença e contribuindo para impedir a ocorrência de surtos.
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