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  "textContent": "\nDaqui a poucos dias, 48 seleções entrarão em gigantescos e modernos estádios para disputar a Copa do Mundo. Por ser um evento de projeções planetárias, bilhões de pessoas se encantam pelo futebol, mas nem todas conseguem acompanhar o evento. Para algumas, faltam até as chuteiras e a bola para praticarem o esporte, como os palestinos que vivem na cidade de Al-Mawasi, localizada na Faixa de Gaza. Desde outubro de 2023, quando bombas passaram a ser lançadas por Israel, os setores esportivos de Gaza sofrem com a destruição de sua infraestrutura, como campos, sedes de clubes e centros de treinamento. O cenário fica ainda pior: segundo a Associação Palestina de Futebol, centenas de atletas foram mortos. Essas perdas, no entanto, não impediram que fosse organizado um campeonato entre os campos de sobreviventes. “Com os recursos mais limitados, tentamos jogar”, contou Alaa Abu Taha, da Associação Palestina de Futebol, em comunicado publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Agora não há infraestrutura esportiva (...), mas nosso povo cria tudo do nada”, uma vez que frente à dolorosa realidade por eles vivida, o futebol se tornou uma das únicas válvulas de escape. Entre os palestinos que se apoiam no esporte está Asaad Al-Azzabi, ex-jogador do Al-Tajammu Club em Rafah. Antes ele tinha acesso a equipamentos de última geração, técnicos e boa infraestrutura, agora tem sorte se conseguir encontrar um par de chuteiras para jogar com os seus amigos do abrigo de Al-Rahma. Pelos campos do mundo Segundo dados da ONU, cerca de 1,7 milhão de pessoas vivem em aproximadamente 1.600 locais de deslocamento espalhados pela Faixa de Gaza. A maioria depende de água transportada por caminhões e enfrenta restrições à entrada de equipamentos, combustível e materiais necessários para reparos básicos. Em meio à luta diária para suprir necessidades essenciais, Al-Azzabi se prepara para a partida contra o time do campo Sheikh Al-Eid, localizado nas proximidades. Antes do jogo, ele reúne seus companheiros e desenha na areia a estratégia que pretende adotar. Pouco depois, a equipe segue a pé até um campo improvisado entre as tendas dos deslocados. Em campo, Asaad Al-Azzabi corre com chuteiras remendadas por fita adesiva, um contraste distante da estrutura que conheceu quando atuava profissionalmente ONU News A partida oferece algumas horas de distração diante das dificuldades dos acampamentos, tanto que ao redor do campo de areia, crianças e adolescentes se reúnem para acompanhar o confronto. Alguns dos espectadores chegaram após passar horas em filas para conseguir comida, água ou carregar baterias e, ainda assim, encontraram energia para torcer. Al-Azzabi disse que quando o seu time vence as partidas, a vitória representa mais do que o placar final. Para ele, é uma mensagem enviada à esposa que vive na Jordânia para tratar o câncer do filho deles. Também se trata de uma tentativa de preservar parte da identidade construída antes da guerra. “Nestas circunstâncias difíceis, poder entrar em campo e jogar uma partida como esta é algo muito bom”. Futebol sem fronteiras Às vésperas da maior Copa do Mundo da história, o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) apresentou a equipe Gamechanging, formada por atletas profissionais cujas trajetórias foram marcadas pelo deslocamento forçado por guerras e perseguições. A iniciativa busca evidenciar o potencial de pessoas que, após serem obrigadas a abandonar suas casas, encontraram segurança e oportunidades para reconstruir suas vidas. O capitão do grupo será Alphonso Davies, estrela do Bayern de Munique e da seleção canadense. O jogador nasceu em um campo de refugiados em Gana, após seus pais fugirem da guerra civil na Libéria antes de se estabelecerem no Canadá. A equipe também contará com outros nomes de destaque do futebol internacional. Entre eles estão Eduardo Camavinga, meio-campista do Real Madrid nascido em Angola durante a guerra civil, e Antonio Rüdiger, defensor alemão cujos pais deixaram Serra Leoa em razão do conflito armado. Crianças, adolescentes e adultos deslocados de Rafah assistindo à partida entre o Campo Al-Rahma e o Campo Sheikh Al-Eid ONU News Em um cenário global marcado pela intensificação dos conflitos, a ONU estima que mais de 117 milhões de pessoas estejam deslocadas à força. “Em tempos como estes, espero que possamos trazer esperança e a crença de que, não importa o quão difícil seja o caminho, sempre é possível superá-lo”, declarou Davies. O time foi anunciado oficialmente em 25 de maio. Na ocasião, Stéphane Dujarric, porta-voz da ONU, destacou como o esporte pode desempenhar um papel importante para os jovens que enfrentam o deslocamento. “Ele [o futebol] pode ser terapêutico, pode trazer esperança, pode trazer um sentimento de pertencimento e também tem o poder de mudar vidas”. Esse potencial do futebol é ainda mais valorizado tendo em vista que crianças e adolescentes estão entre os grupos de deslocados mais vulneráveis. Isso é agravado porque muitos deles são separados de suas famílias, expostos a traumas ou submetidos a diferentes formas de violência e privação. Nesse contexto, atividades esportivas podem funcionar como ferramentas de inclusão e desenvolvimento. Para marcar a data, diplomatas, ex-jogadores e funcionários da ONU participaram de um torneio amistoso em um campo improvisado dentro da sede da organização, em Manhattan, nos Estados Unidos. Representantes de diferentes países deixaram temporariamente de lado rivalidades diplomáticas para dividir o mesmo time. Mesmo separados por milhares de quilômetros, os gramados improvisados de Gaza e o campo montado na sede da ONU mostraram como o futebol é uma linguagem universa Eduardo Bray",
  "title": "Partidas de futebol em Gaza levam um pouco de alegria à população"
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