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Carcaça de baleia é filmada se decompondo por 15 anos no fundo do mar; vídeo

Galileu [Unofficial] June 3, 2026
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Ao longo de 15 anos, pesquisadores filmaram uma baleia morta se decompondo no fundo do mar, a mais de 1,2 mil metros de profundidade, perto de Vancouver, no Canadá. Apesar de parte do tecido mole estar ausente, eles notaram que a carcaça apresentava uma oportunidade de pesquisa. A partir da análise do cadáver, a equipe mensurou quanto tempo as bactérias decompositoras de ossos levam para fazer seu trabalho. Os resultados mais recentes foram registrados no periódico Frontiers in Marine Science. Encontrado em 2009, o espécime é provavelmente uma baleia-azul (Balaenoptera musculus) ou baleia-fin (Balaenoptera physalus). Ao longo dos anos, seu local de descanso final foi visitado por veículos operados remotamente (ROVs) diversas vezes, permitindo aos pesquisadores gravar vídeos em alta definição e medir o animal. “O que foi tão especial é que, ao contrário de qualquer estudo anterior sobre carcaças de baleias, conseguimos retornar ao mesmo local e examinar o esqueleto com uma técnica de fotogrametria de precisão em escala centimétrica", destaca Fabio De Leo, da Universidade de Victoria, ao site Discover Wildlife. Entre 2012 e 2023, os cientistas perceberam que a mandíbula e 22 vértebras da baleia encolheram de comprimento em 1,4% e 7,8%, respectivamente. Enquanto isso, uma camada microbiana branca e difusa de bactérias sulfofílicas cresceu sobre seus ossos. Normalmente, a decomposição de baleias começa com necrófagos se alimentando de seus tecidos moles. Depois, os ossos são invadidos junto do sedimento ao redor por micróbios oportunistas. Até que bactérias decompõem os lipídios dentro dos ossos, liberando substâncias químicas à base de enxofre que são consumidas por outros seres. O tempo de duração dessa última etapa de decomposição, quando ocorre a liberação de enxofre, ainda era algo debatido por pesquisadores. Desta vez, os especialistas concluíram que tal fase sulfofílica, como é chamada, estava em curso há pelo menos 21 anos, podendo durar mais uma década — mais tempo do que estudos anteriores acreditavam. O principal indício está no simples fato de que os vermes perfuradores de ossos desapareceram no final do levantamento. Enquanto isso, muitas espécies sulfofílicas foram avistadas, incluindo vermes tubícolas vestimentíferos e amêijoas vesicomiídeas. Segundo aponta De Leo, “animais que são especialistas em carcaças de baleias sempre encontrarão um novo lar quando suas larvas forem levadas pela correnteza, já que outras carcaças de baleias permanecerão no fundo do mar no mesmo estágio sulfofílico”. Mas nem tudo são flores para os vermes perfuradores de ossos. Esses seres podem não conseguir colonizar carcaças em áreas oceânicas com baixo teor de oxigênio, conhecidas como zonas de mínimo de oxigênio (ZMOs), que estão se expandindo cada vez mais com as mudanças climáticas. "Isso, por sua vez, afetará todo o processo de erosão óssea", diz De Leo. "O efeito geral seria a diminuição da diversidade total de espécies no local onde a baleia foi encontrada morta". O vídeo, a seguir, mostra o processo de decomposição da baleia filmado pelos cientistas. Veja:

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