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"publishedAt": "2026-06-01T16:19:53.000Z",
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"textContent": "\nAo escutarem minúsculas ondas sonoras dentro do \"coração\" do Sol – uma técnica conhecida como heliosismologia – cientistas descobriram que a atividade solar mudou misteriosamente nos últimos 40 anos. Seus achados foram publicados em 28 de maio no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Os pesquisadores partiram de dados heliosísmicos de seis telescópios ao redor do mundo, provenientes da Rede de Oscilações Solares de Birmingham (BiSON), na Inglaterra. Eles notaram uma mudança gradual na estrutura logo abaixo da superfície que abrangeu múltiplos ciclos, com o atual 25º ciclo solar mostrando sinais particularmente fortes disso. Ao que tudo indica, a atividade magnética solar está sendo comprimida em uma camada cada vez mais rasa, logo abaixo da superfície visível, sinalizando mudanças de longo prazo no comportamento ativo do Sol. \"Esta é a primeira descoberta desse tipo e teria sido impossível sem as longas observações do BiSON\", afirma o autor principal, Professor Bill Chaplin, da Universidade de Birmingham, em comunicado. Conforme explica Chaplin, o Sol tem seu próprio \"biorritmo\", que cria uma atividade magnética crescente e decrescente, moldando o clima espacial. Porém, as medições de superfície tradicionais não capturaram todas as mudanças solares. A estrela pode, na verdade, estar entrando em um modo de comportamento diferente que se desenrolará ao longo de décadas. Funcionamento solar Tradicionalmente, a atividade solar aumenta e diminui em ciclos de 11 anos, produzindo erupções solares, ejeções de partículas altamente carregadas e ejeções de massa coronal que originam tempestades geomagnéticas e auroras. Essa atividade, e sua variação cíclica, tem origem no interior do Sol, em processos que regeneram e reorganizam o campo magnético solar. Para entenderem o comportamento da estrela, os pesquisadores analisaram as oscilações do modo p, formadas por ondas sonoras em seu interior, cujas frequências variam em resposta à atividade magnética solar. Com isso, eles concluíram que a estrutura interna solar mudou ao longo dos ciclos 22 a 25, que duraram de 1987 a 2025. Em seguida, os estudiosos agruparam as oscilações em faixas de baixa, média e alta frequência, comparando-as a medidas tradicionais de atividade solar. Com isso, eles concluíram que houve mudanças significativas desde o 23º ciclo, indicando uma evolução a longo prazo nos processos internos do Sol. Houve, inclusive, mudanças estruturais cada vez mais confinadas a camadas superficiais, a menos de 1.000 km da superfície do Sol. Além disso, o 25º ciclo parece mais fraco nos indicadores de superfície tradicionais, mas comparativamente forte quando observado nos dados heliosísmicos de alta frequência. Para o professor Sarbani Basu, da Universidade de Yale, essas mudanças no Sol não podem ser explicadas apenas por campos magnéticos mais fracos. \"Em vez disso, indica uma reorganização estrutural de como a atividade magnética do Sol é armazenada abaixo da superfície\", explica. As descobertas são importantes para o estudo do clima espacial, que pode afetar satélites, comunicações, sistemas de GPS e redes elétricas na Terra. Os pesquisadores esperam que novos dados do BiSON durante o restante do 25º ciclo e do 26º possam determinar se as alterações são de longo prazo no comportamento magnético.",
"title": "Pesquisadores ouvem o \"coração\" do Sol — e descobrem que a estrela está mudando"
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