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Filhos de socorristas do 11 de setembro ainda enfrentam impactos psicológicos, diz estudo

Galileu [Unofficial] May 31, 2026
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Mais de duas décadas após os ataques de 11 de setembro de 2001, um novo estudo sugere que os efeitos psicológicos da tragédia continuam atingindo famílias dos socorristas que trabalharam no resgate e na limpeza no World Trade Center (complexo de edifícios onde ficavam as Torres Gêmeas), inclusive seus filhos. A pesquisa foi publicada no dia 27 de maio na revista PLOS Mental Health e conduzida por pesquisadores do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York e da Universidade Columbia, nos Estados Unidos. Segundo os autores, os resultados reforçam a ideia de que traumas extremos podem atravessar gerações. Como o estudo foi feito Para a realização do estudo, os pesquisadores analisaram 176 socorristas que foram diagnosticados com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) após os ataques, juntamente com 270 de seus filhos já adultos. Os participantes incluíam dois grupos de trabalhadores: socorristas tradicionais, como policiais e bombeiros, e trabalhadores civis de recuperação e limpeza, incluindo funcionários de serviços públicos, saneamento e construção. Os participantes, tanto pais como filhos adultos, responderam questionários que envolviam questões como depressão, ansiedade, transtorno do pânico, consumo de álcool e histórico familiar de saúde mental. Os pesquisadores observaram que filhos de socorristas com sintomas mais intensos de TEPT e outros problemas psicológicos relacionados ao 11 de setembro apresentavam piores indicadores de saúde mental. Segundo os autores, o convívio prolongado com pais traumatizados pode influenciar o ambiente familiar e afetar emocionalmente os filhos ao longo dos anos. Como destacou o site Study Finds, entre os filhos adultos avaliados, mais de 20% atingiram os critérios de triagem para depressão, enquanto mais de um quarto apresentou sinais de transtorno de ansiedade. Os pesquisadores ressaltam, porém, que os dados foram baseados em ferramentas de triagem psicológica e não em diagnósticos clínicos formais. O estudo também identificou que o transtorno por uso de álcool foi significativamente mais comum entre os filhos do que entre os próprios pais socorristas. A equipe também identificou que o nível de exposição dos pais ao desastre influenciou os resultados observados nos filhos. Socorristas que passaram mais tempo no local dos ataques ou tiveram contato com restos mortais apresentaram maior probabilidade de ter filhos adultos com sinais de TEPT, ansiedade e sintomas de pânico. Além disso, pais que ainda convivem com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático apresentaram maior probabilidade de ter filhos com sintomas ligados a TEPT, depressão e pânico. A pesquisa também apontou que relações familiares marcadas por conflitos e pouco afeto estavam a maiores índices de depressão, TEPT e problemas relacionados ao consumo de álcool entre os filhos adultos. Relações conjugais mais tensas também apareceram ligadas a taxas mais elevadas de depressão e TEPT. Por fim, os pesquisadores também identificaram diferenças entre grupos de trabalhadores analisados. Entre filhos de trabalhadores civis de resgate e limpeza, a atuação dos pais no local dos escombros foi associada a um risco maior de ansiedade. Já entre famílias de policiais, vínculos familiares mais frágeis apareceram ligados a maiores índices de problemas relacionados ao consumo de álcool entre os filhos adultos. Embora os filhos avaliados não tenham vivenciado diretamente os ataques, muitos cresceram acompanhando as consequências psicológicas enfrentadas pelos pais após as operações de resgate e limpeza no local da tragédia. Por isso, os autores destacam que compreender como grandes traumas podem atravessar gerações pode ajudar no desenvolvimento de políticas de saúde mental voltadas não apenas às vítimas diretas de desastres, mas também às suas famílias.

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