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  "textContent": "\nReferência mundial na pesquia de Alzheimer, o neurocientista sueco Kaj Blennow ajudou, nos anos 1990, a identificar biomarcadores (\"indicadores de problemas\" presentes nas células, em linhas gerais) que hoje são considerados fundamentais para o diagnóstico precoce da doença. Em entrevista à GALILEU, ele afirma que esses indicadores já permitem detectar a condição com até duas décadas de antecedência. Autor de mais de 1.000 publicações científicas e acumulando cerca de 250 mil citações, Blennow iniciou suas pesquisas sobre o tema há mais de 30 anos. Em seu primeiro artigo, publicado na prestigiada revista Annals of Neurology, desenvolveu métodos para medir proteínas tau no líquido cefalorraquidiano. O professor Kaj Blennow no Clinical Research Summit Latin America Hospital Moinhos de Vento Atualmente, o pesquisador é reconhecido pelos estudos sobre três moléculas centrais no Alzheimer: as proteínas tau total (T-tau), tau fosforilada (P-tau) e β-amiloide 1-42 (Aβ42). Segundo ele, a doença começa a se desenvolver quando essas proteínas passam a se acumular no cérebro. \"Elas começam a se acumular de 15 até 20 anos antes de surgirem sintomas\", estima. Para explicar o processo, o especialista compara os neurônios a “árvores” invadidas por emaranhados na região dos “galhos”. A proteína β-amiloide se torna pegajosa na parte externa dessas “árvores”, formando as chamadas placas β-amiloides. Essas estruturas contribuem para a deterioração neuronal e para o aparecimento de sintomas clássicos da doença, como a perda progressiva de memória. Quando atravessam o plasma sanguíneo, as proteínas tau e β-amiloide aparecem em concentrações menores. Sua presença funciona como um importante indicador para prever o risco de desenvolvimento de Alzheimer ou outras demências. \"Essas proteínas foram descobertas estudando cérebros de pessoas que morreram com Alzheimer\", explica Blennow. \"Mas não dá para fazer biópsias cerebrais em pacientes vivos. Então, ainda precisamos usar métodos indiretos, como PET scans ou exames do líquido cefalorraquidiano\". Do cérebro ao sangue Apesar da eficácia, exames de imagem cerebral e análises do líquido cefalorraquidiano ainda são procedimentos caros e invasivos. Como alternativa, Blennow e pesquisadores da Universidade de Gotemburgo vêm desenvolvendo um exame de sangue domiciliar capaz de detectar sinais precoces do Alzheimer. O estudo, publicado em janeiro na revista Nature Medicine, integra um projeto conduzido por sete centros médicos europeus. Ao todo, 337 participantes realizaram a coleta de sangue em casa, por meio de punção digital. Os níveis da proteína p-tau217 identificados nessas amostras apresentaram forte concordância com aqueles obtidos em exames de sangue convencionais. Já a correspondência com amostras da medula espinhal alcançou 86%. Além disso, dois outros biomarcadores associados ao Alzheimer — GFAP e NfL — também mostraram resultados consistentes, sugerindo que o sangue autocoletado pode se tornar uma ferramenta eficaz para o diagnóstico precoce da doença. Relação com a síndrome de Down Blennow participou como palestrante da segunda edição do Clinical Research Summit Latin America, promovido pelo Hospital Moinhos de Vento nos dias 12 e 13 de maio, em Porto Alegre. Durante sua apresentação, destacou que o envelhecimento é frequentemente um processo heterogêneo, especialmente em pacientes idosos diagnosticados com Alzheimer. \"Pacientes diagnosticados clinicamente não apresentam apenas a patologia típica do Alzheimer — com placas, emaranhados e neurodegeneração —, mas também podem apresentar patologia TDP-43, doença cerebrovascular e patologia de corpos de Lewy, da mesma forma que ocorre em outras demências\", explicou. \"Tudo isso torna o diagnóstico clínico mais difícil, de modo que acabamos tendo uma sensibilidade e especificidade talvez em torno de apenas 70% a 80%. É por isso que precisamos de biomarcadores\". O neurocientista também citou pesquisas que apontam a proteína P-tau212 como um biomarcador específico para Alzheimer em pessoas com Síndrome de Down. \"Pessoas com Down têm uma cópia extra do cromossomo 21. A proteína Tau-212 está justamente nesse cromossomo\", detalhou. Em comparação com pessoas sem a síndrome que desenvolvem Alzheimer, indivíduos com Down apresentam níveis mais elevados dessa proteína. \"O mais interessante é que esse aumento surge [em quem tem Down] muito cedo: cerca de 20 anos antes do aparecimento dos sintomas. Isso sugere que essas alterações podem ajudar a identificar processos ligados ao Alzheimer muito antes dos sinais clínicos da doença\", observou. *A jornalista viajou até Porto Alegre, a convite do Hospital Moinhos de Vento.",
  "title": "Como cientista sueco se tornou pioneiro no diagnóstico precoce do Alzheimer"
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