{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreid7etvmu3usr7zrliyp2y6i4i7pfgnob3xpravx5b6nfvwuvhl7ma",
    "uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mmzbqzfvarr2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreihcot46rf5y3oqbxcb7wkht2ia56b7nmbfbi2zntikocoruawomhy"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 32854
  },
  "path": "/ciencia/noticia/2026/05/pombos-sentem-o-campo-magnetico-da-terra-usando-o-figado.ghtml",
  "publishedAt": "2026-05-29T18:15:27.000Z",
  "site": "https://revistagalileu.globo.com",
  "tags": [
    "galileu"
  ],
  "textContent": "\nÉ isso mesmo o que você acabou de ler, leitor da GALILEU: é pelo fígado que os pombos sentem o campo magnético da Terra. Apesar de parecer uma informação aleatória, trata-se de uma revelação importante para a ciência, que já sabiam que o magnetismo terrestre ajuda as aves migratórias e os pombos-correios a se orientarem, mas não se tinha noção de como isso ocorria exatamente. Parte das respostas para esse fenômeno foram publicadas nesta quinta-feira (28) em um estudo da revista Science. Os pombos possuem uma bússola surpreendente: os macrófagos, isto é, as células imunológicas encontradas dentro dos seus fígados, que são sensíveis ao campo magnético do planeta. “Nossa descoberta de que o sistema imunológico também pode sentir o campo magnético da Terra é uma camada completamente nova nesse conceito de ‘imuno-sensação’ e abre caminho para novas pesquisas”, contou Clivia Lisowski, da Universidade de Bonn (Alemanha), em entrevista à Popular Science. Guiados pelo sangue Integrantes do sistema imunológico, os macrófagos são grandes células de defesa. Entre as suas principais funções, estão a fagocitose, a limpeza de tecidos mortos e a participação no processo de cicatrização do organismo. Quando os macrófagos destroem os glóbulos vermelhos envelhecidos, eles acumulam ferro, o que os torna estruturas supermagnéticas. Esse magnetismo não é aleatório, pelo contrário: ele ocorre em nanopartículas específicas que, por sua vez, podem ser magnetizadas se um campo magnético for aplicado a elas, como o pertencente à Terra. Não à toa, “quando os pombos voam, as nanopartículas se alinham com o campo magnético [terrestre] e se tornam ‘magnetizadas’”, explicou Lisowski. Essa organização interna é o que permite a orientação dos animais se assemelhar a de uma bússola. Imagem de microscopia eletrônica de tecido hepático de pombo mostra macrófago hepático (azul) em contato com fibra nervosa (amarela), o que lhes permite transmitir informações (“magnéticas”) para o cérebro do animal Clivia Lisowski Revelado esse detalhe do mistério, a equipe de pesquisadores decidiu rastrear a localização dessas células no corpo das aves. As análises partiram do fígado e do baço, já que ambos são órgãos que armazenam quantidades consideráveis de ferro. Ulf Wiedwald, da Universidade de Duisburg-Essen (Alemanha), confirmou que o fígado foi o que apresentou uma resposta magnética mais forte. Certos que as nanopartículas especializadas estavam presentes em maior quantidade no fígado desses animais, os pesquisadores decidiram colocar os macrófagos à prova. Para isso, a equipe utilizou pombos treinados para voarem de volta ao seu viveiro, localizado a mais de 20 quilômetros de distância do local onde os testes foram realizados. As observações seguiram da seguinte maneira: algumas aves tiveram os seus macrófagos retirados, enquanto outros os mantiveram. Foi então que os pesquisadores notaram que aquelas sem as células se perdiam pelo caminho, sobretudo em dias nublados. Mas, quando o sol aparecia, os sinais solares muito provavelmente os guiavam. A partir daí, Lisowski, Wiedwald e os demais membros da equipe perceberam que tanto a percepção magnética quanto os raios solares auxiliam os pombos a se orientarem no meio ambiente. No vídeo a seguir, é possível observar o trajeto feito pelos 16 pombos utilizados no estudo: Outras direções Os especialistas também descobriram que os macrófagos ricos em ferro estão próximos às fibras nervosas, característica essa que indica que a informação absorvida pelo magnetismo pode chegar ao cérebro dos animais. Essa ligação também demonstra a importância da pesquisa como um campo de estudos interdisciplinares, uma vez que envolveu imunologistas, biólogos comportamentais e físicos. “Nosso estudo tem implicações tanto para o panorama da pesquisa imunológica quanto para a pesquisa sobre navegação animal ou magnetorecepção. Para a navegação animal, trata-se de um novo conceito de como os animais percebem o campo magnético da Terra”, afirmou Lisowski. A descoberta também poderá explicar como aves que migram à noite e outros animais que migram em ambientes escuros conseguem se orientar pelo magnetismo.",
  "title": "Pombos sentem o campo magnético da Terra usando o... fígado"
}