External Publication
Visit Post

Manuscrito medieval com lenda do Rei Arthur vai a leilão por R$ 10 milhões

Galileu [Unofficial] May 28, 2026
Source
Um dos mais raros registros medievais das histórias do Rei Arthur, de Merlin e da busca pelo Santo Graal será colocado à venda em julho pela casa de leilões Christie's, em Londres, no Reino Unido, com valor estimado superior a US$ 2 milhões (cerca de R$ 10 milhões, na cotação atual). Datado entre 1290 e 1310, o manuscrito permaneceu em coleções particulares por mais de 700 anos e, segundo o jornal The Guardian, nunca foi exibido publicamente ou estudado de forma abrangente por pesquisadores. O códice apresenta episódios clássicos da tradição arturiana em francês antigo, além de reunir 126 miniaturas pintadas sobre pergaminho e adornadas com folha de ouro brunida. Entre as imagens mais chamativas da obra está a representação do mago Merlin transformado em um cervo falante. Outras miniaturas conhecidas mostram cavaleiros da Távola Redonda retornando de batalhas, torneios medievais e diálogos nos arredores da mitológica cidade de Camelot, onde o Rei Arthur teria governado. Um dos mais importantes romances medievais O manuscrito integra o chamado Ciclo da Vulgata — também conhecido como Ciclo de Lancelote-Graal —, conjunto de narrativas anônimas escritas na França do século 13 e consideradas fundamentais para a consolidação das lendas arturianas no Ocidente. As histórias relatam episódios da juventude de Merlin, a ascensão de Arthur ao trono, o romance entre Lancelot e Guinevere e a busca pelo Santo Graal. Folheando o manuscrito arturiano Séculos depois, esses textos serviriam de base para “Le Morte d’Arthur”, obra de Thomas Malory considerada um marco da literatura inglesa medieval. “Este é um manuscrito redescoberto de um dos maiores romances medievais de todos os tempos. São textos fundamentais para a cultura ocidental”, afirma Eugenio Donadoni, especialista sênior em manuscritos medievais e renascentistas da Christie's, em comunicado reproduzido pela revista Smithsonian. Conhecido como “manuscrito Lebaudy” ou “Santo Graal de Clermont-Tonnerre”, o tomo é considerado a versão mais antiga do Ciclo da Vulgata já colocada em leilão. Em entrevista ao The Guardian, Donadoni destaca que apenas três manuscritos semelhantes permanecem em coleções privadas. “O nosso é o mais antigo dos três e o mais ricamente ilustrado. Seu texto é único”, afirma o pesquisador. “Mestre do Apocalipse” As miniaturas do manuscrito são atribuídas ao chamado “Mestre do Apocalipse de Liège”, um artista anônimo identificado por especialistas a partir de outro manuscrito medieval iluminado sobre o fim dos tempos. Segundo o jornal The Telegraph, Donadoni descreveu o estilo do ilustrador como marcado por figuras de “queixo quadrado”, perfis exageradamente angulares e pontos alaranjados cuidadosamente pintados nas bochechas dos personagens. ma das ilustrações presentes no manuscrito mostra Merlin se transformando em um cervo falante Christie's “As iluminuras do Graal de Clermont-Tonnerre, repletas de detalhes narrativos, estão entre os exemplos mais ricos de sua obra”, declara o especialista. O trabalho também impressiona pela sofisticação técnica: muitas das imagens receberam aplicações de ouro brunido, obtido a partir de folhas metálicas polidas intensamente para aumentar o brilho. “Muitas das miniaturas são em ouro brunido, [criadas] usando folha de ouro, que foi polida de forma muito intensa para dar brilho.” De acordo com o veículo, o manuscrito passou pelas mãos de cavaleiros, aristocratas e colecionadores especializados em obras medievais ao longo dos séculos. Entre os antigos proprietários estão o conde de Clermont-Tonnerre, o bibliófilo Sir Thomas Phillipps e o industrial francês Jean Lebaudy, cujo sobrenome acabou associado ao códice. Versão “especial” intriga pesquisadores Além do seu valor artístico e histórico, os estudiosos consideram o manuscrito particularmente relevante por apresentar uma versão incomum da chamada “Suite Vulgate du Merlin”. A medievalista Irene Fabry-Tehranchi, especialista em textos franceses da Biblioteca da Universidade de Cambridge, apontou ao The Guardian que o final da narrativa foi abreviado e reescrito, resultando numa interpretação singular da história. Segundo ela, essa adaptação desloca parte do foco das aventuras cavalheirescas para questões políticas e militares ligadas ao reinado de Arthur. “Em alguns casos, os escribas pensavam que podiam reescrever a história e torná-la mais atraente para o que seus patronos desejavam ou de uma forma que lhes parecesse melhor”, ressalta. “Essa era uma prática comum na escrita medieval.” Fabry-Tehranchi também lamentou o fato de o manuscrito ter permanecido inacessível à maior parte da comunidade acadêmica durante séculos: “Essa posse privada de um manuscrito medieval fundamental é um verdadeiro desafio para os estudiosos. Infelizmente, isso impede novas pesquisas”. A especialista afirmou esperar que a obra seja adquirida por uma instituição pública, capaz de preservar o manuscrito e ampliar seu acesso a pesquisadores e visitantes. “Essas instituições existem para preservar esses textos e torná-los acessíveis ao público”, declarou. O fascínio em torno da obra também reflete o caráter enigmático das próprias lendas arturianas. Embora as histórias tenham atravessado séculos e inspirado livros, filmes e adaptações contemporâneas, historiadores ainda discutem se o Rei Arthur existiu de fato ou se seria uma combinação de personagens históricos e elementos mitológicos. Muitos estudiosos consideram Arthur uma figura moldada ao longo do tempo por tradições orais e narrativas literárias de diferentes regiões da Europa. Folhas de ouro brunidas foram polidas para obter brilho Christie's

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...