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  "textContent": "\nSegundo um relatório da ONU publicado em 2025, mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso a água potável segura no planeta. Muitos locais com escassez hídrica utilizam processos de dessalinização, osmose reversa e destilação térmica para obter o recurso essencial para a vida, mas tratam-se de procedimentos caros e que consomem muita energia. Agora, cientistas da Universidade de Rochester são responsáveis pelo desenvolvimento de um novo sistema energeticamente eficiente que produz água potável sem aditivos químicos. Ele consiste num processo de dessalinização solar térmica da água do mar para a produção de água doce, não deixando resíduos de salmoura e retirando a necessidade de adições de substâncias de pré-tratamento da água. Descrita em estudo publicado em 27 de maio na revista científica Light: Science & Applications, a tecnologia promete ser uma alternativa a métodos mais custosos e menos sustentáveis de tratamento de água. Painéis solares como solução A dessalinização solar-térmica da água do mar consiste num processo que utiliza a radiação do Sol para elevar a temperatura do líquido e fazê-lo evaporar, deixando o sal e outras impurezas para trás. Após a condensação do vapor d’água ao entrar em contato com uma superfície fria, a água é armazenada para consumo. É um método que parece simples, mas aplicá-lo em larga escala é bem desafiador. Os pesquisadores buscaram a tecnologia de painéis solares de metal preto gravado com lasers de femtossegundo para deixar a superfície com alta capacidade de absorver luz e umidade. A imagem acima mostra frascos contendo, da esquerda para direita, água do mar, água do Great Salt Lake, sulfato de níquel, águas residuais com cloreto de cobre e água dessalinizada, juntamente com sais recuperados J. Adam Fenster/Universidade de Rochester “Os painéis possuem uma região ativa tratada a laser que atrai uma fina camada de água pela superfície, absorve quase toda a radiação solar, destila a água e deposita os sais e minerais restantes nas laterais não tratadas do painel, ou região “passiva”, de modo que o sal não obstrua a região ativa e interrompa a dessalinização contínua”, descreve os pesquisadores em comunicado. Não dar ponto sem nó Um desafio que os cientistas tiveram que lidar é o acúmulo de componentes da água do mar na superfície do painel solar: enquanto uma água de laboratório é tem compostos mais controlados, a água salgada dos oceanos contém materiais à base de magnésio e cálcio, que cristalizam-se e obstruem o painel, impedindo a penetração da água para dessalinização. Os pesquisadores lembram que é o mesmo fenômeno que acontece com nossos chuveiros, que ficam com acúmulo de calcário. A diferença é que a água do mar tem centenas de vezes mais sais. Para resolver esse problema, o painel foi desenvolvido para ser autolimpante a partir de… café! Pelo menos, a partir da ideia do chamado “efeito anel do café”. Leia mais notícias: “Se você pingar café em uma superfície, eventualmente a água evapora e fica um anel na borda externa com as partículas de café concentradas. Usamos esse mesmo princípio para levar os sais à região passiva”, explica Chunlei Guo, um dos autores do estudo, ao descrever os sulcos de metal preto desenvolvidos para coletar os resíduos de sais restantes do processo. Como se tudo isso já não fosse surpreendente, a pesquisa também estipula um destino útil para a salmoura – a solução de água saturada de sal que sobra. O método desenvolvido pelos cientistas é capaz de extrair quase 100% dos sais em forma sólida, permitindo que eles tenham utilidades que vão desde sal de mesa até compostos de baterias elétricas.",
  "title": "Nova tecnologia transforma água do mar em potável com maior eficiência"
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