{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreieborg7qdtr75ap7ggzul2grmlaw6uuzuwj3ivsrzrbe2dluy7us4",
"uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mmyabeztubs2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreihpecyncxmitnb5dui5kms4me5pdaoqw2wk6gd66n4jidk4gkjrwq"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 76553
},
"path": "/ciencia/noticia/2026/05/tesouro-de-1200-anos-foi-enterrado-por-peregrino-medieval.ghtml",
"publishedAt": "2026-05-28T21:04:05.000Z",
"site": "https://revistagalileu.globo.com",
"tags": [
"galileu"
],
"textContent": "\nAlém de serem objetos valiosos, os tesouros arqueológicos ajudam pesquisadores a reconstruir trajetórias humanas, rotas comerciais e até hábitos religiosos de civilizações antigas. Esse é o caso de uma recente descoberta feita na Arábia Saudita, onde arqueólogos encontraram um vaso de barro com joias feitas de ouro, prata e pedras preciosas. O que mais os surpreendeu foi o local onde o artefato foi desenterrado: uma rota medieval utilizada por peregrinos islâmicos há cerca de 1.200 anos. A descoberta aconteceu em Diriyah, um sítio arqueológico nos arredores da capital do país e que, séculos atrás, funcionou como uma importante parada para viajantes a caminho de Meca. O conjunto foi apelidado “Tesouro de Diriyah” pelos pesquisadores. Dentro do recipiente, estavam mais de 100 peças decoradas com padrões florais, detalhes geométricos e incrustações de pedras semipreciosas. Segundo os especialistas responsáveis pelas escavações, as joias demonstram um alto nível de sofisticação metalúrgica para a época. Caminho da fé Nos últimos anos, arqueólogos vêm investigando as estruturas antigas de Diriyah e já identificaram paredes de residências, reservatórios de água feitos de gesso e diversos fragmentos de vidro e cerâmica. As joias recém-encontradas foram avistadas durante a sexta temporada de escavações realizadas no local. As análises de radiocarbono realizadas em restos orgânicos do assentamento indicam que a área principal foi ocupada entre os anos 743 e 753. Isso significa que o tesouro provavelmente foi enterrado durante os primeiros anos do califado abássida, dinastia islâmica que governou grande parte do Oriente Médio entre os séculos 8 e 13. Fotografia aérea das escavações arqueológicas em Diriyah, sítio arqueológico localizado nos arredores de Riade, capital da Arábia Saudita Comissão do Patrimônio Saudita Durante o período abássida, Diriyah funcionava como uma parada estratégica na rota do Hajj, isto é, a peregrinação islâmica obrigatória para muçulmanos que possuem condições físicas e financeiras de realizá-la ao menos uma vez na vida. Na época, peregrinos saíam de Basra, no atual Iraque, atravessavam áreas da Península Arábica e seguiam até Meca. Ao longo desse trajeto, cidades como Diriyah serviam como pontos de descanso, abastecimento e encontro entre viajantes vindos de diferentes regiões do império islâmico. Apesar da ligação histórica e geográfica, os pesquisadores ainda não sabem exatamente o motivo pelo qual o tesouro foi enterrado na região. Uma das hipóteses é que as joias pertenciam a um peregrino que decidiu escondê-las durante a viagem. Outra possibilidade é que o recipiente tenha sido ocultado em um momento de instabilidade ou conflito. O que as joias revelam? Além do valor histórico, as peças oferecem pistas sobre o nível de desenvolvimento artístico e tecnológico do período abássida. De acordo com os arqueólogos, os artesãos da época dominavam técnicas complexas de moldagem em ouro, gravação em relevo e incrustação de pedras preciosas. O próprio contexto histórico ajuda a explicar essa sofisticação. O califado abássida foi responsável por impulsionar a chamada Era de Ouro Islâmica, período marcado pelo avanço da ciência, matemática, medicina, filosofia e artes. Naquele momento, cidades como Bagdá se transformaram em centros intelectuais do mundo islâmico. O império se estendia do norte da África até regiões do atual Irã, conectando povos, mercadorias e conhecimentos por meio de extensas rotas comerciais e religiosas. Agora, os pesquisadores esperam que novas escavações em Diriyah ajudem a esclarecer quem enterrou o tesouro e por que ele permaneceu escondido por mais de um milênio sob a areia da Península Arábica.",
"title": "Descoberto tesouro de 1200 anos que foi enterrado por peregrino medieval"
}