Como será a base permanente que a Nasa quer construir na região sul da Lua
Galileu [Unofficial]
May 27, 2026
A Nasa detalhou pela primeira vez o plano completo para estabelecer uma presença humana permanente no polo sul lunar, transformando a região em um centro de pesquisa, logística e exploração espacial ao longo da próxima década. O programa, nomeado Moon Base, marca uma mudança estratégica na política espacial dos Estados Unidos: em vez de priorizar uma estação orbital ao redor da Lua, a agência decidiu concentrar recursos diretamente na superfície lunar, onde pretende instalar habitats, sistemas de energia, redes de comunicação e veículos de exploração. Como destaca a revista Wired, a iniciativa substitui parcialmente o protagonismo do programa Gateway, a estação espacial orbital planejada como elo entre Terra e Lua. A Nasa optou por simplificar sua arquitetura de exploração, reduzindo custos e acelerando o cronograma do programa Artemis, responsável por levar astronautas novamente ao satélite natural. A agência prevê três grandes fases para a construção da infraestrutura lunar, a primeira começando já em 2026. O núcleo do plano está concentrado no polo sul da Lua, região considerada estratégica por reunir crateras permanentemente sombreadas que podem conter gelo de água. O recurso é considerado fundamental para o sucesso das futuras missões de longa duração, já que a água pode ser convertida em oxigênio para respiração e hidrogênio para combustível, reduzindo drasticamente a dependência de suprimentos enviados da Terra. As fases um e dois do programa de bases lunares da NASA contemplam experimentação em solo, entrega de cargas úteis e instalação da fundação Nasa A NASA estima realizar ao menos 25 missões e 21 pousos lunares entre 2026 e 2029. “A Base Lunar será o primeiro posto avançado da humanidade em outro mundo celestial”, afirma Jared Isaacman, administrador da Nasa, em comunicado. “Cada missão, tripulada ou não, será uma oportunidade de aprendizado à medida que retornarmos à superfície lunar, construirmos a infraestrutura necessária para permanecermos lá e dominarmos as habilidades necessárias para viver e operar em um dos ambientes mais exigentes e perigosos imagináveis.” Primeiras missões já têm cronograma A primeira missão do novo programa, Moon Base 1, está prevista para o outono de 2026. Ela utilizará o módulo de pouso Blue Moon Mark 1 Endurance, da Blue Origin, para transportar instrumentos científicos e testar tecnologias críticas para futuras operações tripuladas. O pouso deverá ocorrer na região chamada Shackleton Connecting Ridge, próxima ao polo sul lunar. Entre os equipamentos embarcados estarão câmeras estéreo para estudar a interação entre os motores do módulo e o solo lunar, além de um sistema de retroreflexão a laser que ajudará futuras espaçonaves a determinar sua posição com maior precisão. Da esquerda para a direita, modelos do módulo de pouso lunar Blue Origin Mark 1, do veículo lunar tripulado Astrolab, do veículo lunar Pegasus do programa Lunar Outpost e do orbitador Firely Elytra Dark são vistos ao final de uma coletiva de imprensa para discutir a Base Lunar, uma iniciativa de longo prazo de exploração lunar e infraestrutura projetada para permitir a presença humana sustentada e a expansão das atividades científicas e comerciais no Polo Sul lunar, na terça-feira, 26 de maio de 2026, no edifício Mary W. Jackson da sede da NASA em Washington NASA/Aubrey Gemignani De acordo com a Wired, a missão servirá para validar sistemas de navegação e descida controlada. Caso os testes sejam bem-sucedidos, a Blue Origin pretende desenvolver uma versão tripulada do módulo, possivelmente o Blue Moon Mark 2, para missões em torno de 2028. As missões Moon Base 2 e 3 também devem ocorrer a partir de 2026. A segunda utilizará o módulo Griffin, da Astrobotic, para transportar mais de 500 kg de carga, incluindo o rover FLIP, da Astrolab. O objetivo será testar sistemas de mobilidade e operações de veículos lunares de longo alcance. Já a terceira missão enviará o experimento Lunar Vertex, a bordo do módulo Nova-C Trinity, da Intuitive Machines, para estudar os chamados “redemoinhos lunares”, áreas brilhantes na superfície cuja origem ainda não é completamente compreendida. O projeto também contará com participação da Agência Espacial Europeia e do Instituto Coreano de Astronomia e Ciências Espaciais. Veículos lunares serão fundamentais A mobilidade aparece como um dos pilares centrais da futura base. A Nasa anunciou contratos de US$ 219 milhões (cerca de R$ 1,09 bilhão) para a Astrolab e US$ 220 milhões (R$ 1,1 bilhão) para a Lunar Outpost desenvolverem os primeiros Veículos Terrestres Lunares (LTVs), que deverão operar até 2028. O modelo CLV-1, da Astrolab, deriva da plataforma FLEX e foi projetado para transportar astronautas, suprimentos e executar operações remotas. O veículo terá cerca de 900 kg e poderá alcançar velocidades superiores a 9,6 km/h em terreno plano. Já o rover Pegasus, da Lunar Outpost, foi concebido para operar de forma manual, autônoma ou teleoperada, podendo permanecer ativo por até um ano na superfície lunar e atingir velocidades acima de 14 km/h. Segundo a Nasa, esses veículos serão essenciais para caracterizar terrenos, mover materiais, posicionar equipamentos e reduzir riscos antes da chegada das missões tripuladas do programa Artemis. A agência considera a mobilidade um componente-chave para estabelecer uma presença humana duradoura na Lua. Drones, reatores e habitats A segunda fase do programa começará por volta de 2029 e envolverá a instalação de infraestrutura semipermanente. A Nasa planeja enviar até 60 toneladas de carga em 24 missões para construir sistemas de energia, redes de comunicação e os primeiros elementos habitáveis da base lunar. Entre os projetos mais ambiciosos está a missão MoonFall, desenvolvida pelo Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa em parceria com a Firefly Aerospace. A missão enviará quatro drones autônomos para explorar áreas de difícil acesso no polo sul lunar. A terceira fase envolve um local de operações semipermanente com habitações, estradas, energia elétrica e rotação constante de astronautas Nasa Os drones deverão pousar de forma independente, realizar voos curtos para mapear possíveis locais de aterrissagem e coletar imagens de alta resolução ao longo de um único dia lunar. Depois do voo final, os equipamentos permanecerão ativos durante meses, funcionando como uma presença contínua americana na região. A segunda etapa também incluirá reatores nucleares de superfície, sistemas energéticos avançados e redes logísticas mais robustas — elementos considerados indispensáveis para manter astronautas em operação contínua. Visão de longo prazo Por fim, a terceira fase prevê a transformação da estrutura inicial em uma instalação permanente, com módulos habitáveis interligados, fornecimento estável de energia, estradas lunares e rotação constante de astronautas. Estima-se que a Nasa projeta enviar cerca de 38 toneladas de carga anualmente para manutenção e expansão da infraestrutura. A ideia é criar um centro operacional capaz de sustentar pesquisas científicas contínuas, testes tecnológicos e futuras missões para Marte. No comunicado, Jared Isaacman afirma que o objetivo vai além da exploração científica. “Iremos em busca da ciência, de tudo o que podemos ganhar do ponto de vista econômico e tecnológico, das inovações que tornarão a vida melhor aqui na Terra e para nos prepararmos para onde inevitavelmente iremos em seguida”, declara o especialista. Ao detalhar pela primeira vez uma arquitetura concreta para ocupação permanente da Lua, a Nasa sinaliza que o programa Artemis deixa de ser apenas uma série de missões de retorno ao satélite e passa a representar uma tentativa de estabelecer uma presença humana contínua fora da Terra. Até poucos anos, tal ideia ainda pertencia ao campo da ficção científica.
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