Meteoro gera explosão verde em topo de vulcão nas Filipinas; veja vídeo
Galileu [Unofficial]
May 27, 2026
Um clarão verde intenso cruzando o céu noturno sobre um dos vulcões mais ativos do planeta transformou a noite da última segunda-feira (25) em um espetáculo raro nas Filipinas. O fenômeno, registrado às 22h33 no horário local sobre o vulcão Mayon, na província de Albay, foi inicialmente interpretado por moradores e internautas como um possível impacto direto nas encostas da montanha em erupção. Horas depois, análises oficiais apontaram outra explicação: tratava-se da entrada de um meteoro na atmosfera terrestre. As imagens captadas por câmeras do Instituto Filipino de Vulcanologia e Sismologia (PHIVOLCS) e por transmissões ao vivo da região mostram um rastro luminoso verde cortando o céu acima do cone vulcânico, seguido por uma explosão brilhante que durou pouco mais de um segundo. Veja no vídeo abaixo. Segundo a Agência Espacial Filipina, o objeto se desintegrou antes de alcançar o solo. “O rastro de luz brilhante capturado sobre o vulcão Mayon foi causado pela entrada de um meteoro na atmosfera, um fenômeno que frequentemente produz um clarão de luz intenso”, explicou a agência espacial filipina em comunicado. A instituição acrescentou que a maioria dessas rochas espaciais vaporiza completamente entre 60 e 100 km de altitude devido ao atrito extremo com a atmosfera terrestre. O episódio ganhou enorme repercussão porque ocorreu justamente sobre o Mayon, vulcão conhecido mundialmente pelo formato cônico quase perfeito e pela intensa atividade eruptiva recente. De acordo com o Programa de Vulcanismo Global da Smithsonian Institution, o vulcão entrou novamente em erupção no início de 2026 e permanece sob monitoramento constante devido à emissão contínua de lava, fluxos piroclásticos e atividade sísmica elevada. Confusão inicial alimentou rumores nas redes As primeiras imagens divulgadas pelo PHIVOLCS chegaram a sugerir que o meteoro teria “atingido a encosta norte do vulcão”. A interpretação rapidamente viralizou em redes sociais e aplicativos de mensagens, impulsionada pelo aspecto dramático das gravações. Mais tarde, porém, o próprio instituto corrigiu a informação. “Nossa análise de dados sísmicos, infrassom e imagens adicionais de câmeras ao redor do vulcão indica que o meteoro se desintegrou na atmosfera e não atingiu as encostas do Mayon”, esclareceu o órgão. Essa hipótese de impacto direto chegou a mobilizar cálculos independentes. Um astrônomo amador da cidade de Masbate estimou que a energia liberada poderia equivaler a cerca de 6,8 milhões de kg de pólvora. Especialistas lembraram, contudo, que um choque dessa magnitude teria provocado grandes deslizamentos de rocha detectáveis pelos sensores sísmicos instalados ao redor do vulcão — algo que não ocorreu. Moradores relataram susto e surpresa O brilho repentino chamou atenção em diferentes partes da ilha de Luzon. Relatos publicados nas redes sociais descrevem surpresa, medo e fascínio diante da cena. Vídeos registrados por câmeras de segurança, automóveis e transmissões ao vivo mostraram o meteoro riscando o céu em alta velocidade antes da explosão esverdeada. Em uma das gravações, a lava incandescente do Mayon aparece escorrendo enquanto o clarão ilumina o horizonte, combinação considerada incomum até mesmo por especialistas. Por que o meteoro ficou verde? Como destaca o site Live Science, a coloração verde observada no fenômeno provavelmente está relacionada à composição química do objeto espacial. Meteoros conhecidos como “bolas de fogo” podem apresentar diferentes tonalidades conforme os elementos presentes em sua estrutura. Neste caso, uma concentração elevada de níquel pode ter produzido o brilho esmeralda visível nas imagens. O calor extremo gerado pela entrada atmosférica ioniza as moléculas de ar ao redor do meteoro, criando o rastro luminoso popularmente conhecido como “estrela cadente”. Apenas fragmentos maiores conseguem sobreviver ao processo e atingir o solo, tornando-se meteoritos. Vulcão segue em intensa atividade Embora o meteoro não tenha provocado impacto no Mayon, o vulcão permanece em atividade significativa. Dados recentes do PHIVOLCS mostram que o sistema vulcânico registrou centenas de quedas de rochas, terremotos vulcânicos e fluxos piroclásticos nas últimas semanas. Entre 14 e 20 de maio, o Mayon apresentou emissões constantes de lava, colunas de cinzas e gases, além de episódios de atividade estromboliana, caracterizada por explosões moderadas e frequentes. O nível de alerta segue em 3 numa escala de 0 a 5, o que indica possibilidade de atividade perigosa adicional. As autoridades filipinas mantêm uma zona de exclusão de 6 km ao redor do vulcão e recomendam que aeronaves evitem voos próximos ao cume devido ao risco de explosões repentinas e emissão de cinzas vulcânicas. O Monte Mayon possui um longo histórico eruptivo. De acordo com a Instituição Smithsonian, registros históricos apontam erupções desde 1616, frequentemente acompanhadas de fluxos de lava, correntes piroclásticas e deslizamentos de lama vulcânica.
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