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  "textContent": "\nOs pombos fazem parte do cotidiano das grandes cidades atuais, mas a relação entre essas aves e os seres humanos pode ser muito mais antiga do que se imaginava. Um novo estudo sugere que pombos da espécie Columba livia já conviviam intimamente com os humanos cerca de 3 mil anos atrás, e que poderiam até ser consumidos em contextos de rituais. A pesquisa analisou ossos de pombos, datados do final da Idade do Bronze, encontrados no sítio arqueológico de Hala Sultan Tekke, um assentamento costeiro no Chipre. De acordo com os pesquisadores, as aves não apenas circulavam pelas casas em busca de alimento, mas também viviam ao lado das pessoas em relações semidomesticadas. Ou seja: não eram pets, mas cultivavam certa dependência dos humanos. As descobertas foram publicadas no dia 21 de maio na revista Antiquity. Uma relação antiga Hoje associado a centros urbanos e frequentemente tratado como praga, o pombo-comum acompanha os seres humanos há milhares de anos. Ao longo da história, essas aves já foram criadas para consumo, usadas como animais de estimação e até tiveram seus excrementos aproveitados como fertilizante. Além disso, eles também carregam significados simbólicos em diferentes culturas e religiões. Mas exatamente quando essa relação entre humanos e aves começou ainda é um mistério para arqueólogos. Segundo os autores do estudo, os pombos-das-rochas, como também são chamados, possivelmente seguiram um caminho comensal para a domesticação, vivendo próximos às comunidades humanas e se alimentando de seus restos ao longo de muitas gerações. \"Sabíamos que os pombos deviam ter sido domesticados em algum lugar do Oriente Médio ou do Mediterrâneo Oriental, principalmente com base em registros escritos do Egito, mas não tínhamos ideia de quando ou como\", afirmou Anderson Carter, da Universidade de Groningen, na Holanda, em comunicado. Como aponta a revista Discover, a ideia de que humanos e pombos mantêm uma longa relação não é nova. Descobertas anteriores de ossos dessas aves em cavernas de Gibraltar, associados tanto a neandertais quanto aos primeiros humanos modernos, indicam que elas já eram exploradas por pessoas há pelo menos 67 mil anos. Dieta semelhante a dos humanos Para entender a alimentação e o modo de vida desses animais, os arqueólogos utilizaram análises zooarqueológicas e de isótopos estáveis. Os resultados indicam que os pombos compartilhavam hábitos alimentares semelhantes aos dos humanos, já que tinham uma dieta rica em grãos e sementes, mas também incluía restos de alimentos associados aos assentamentos humanos e nutrientes de origem animal. A presença de ossos de filhote também revelou que os pombos provavelmente se reproduziam dentro do próprio assentamento. Segundo os pesquisadores, as construções altas e com laterais íngremes de Hala Sultan Tekke podem ter imitado os ambientes naturais preferidos pelos pombos-das-rochas, que costumam formar ninhos em penhascos e fendas rochosas. Além da convivência cotidiana, alguns ossos encontrados no sítio apresentavam sinais de queimadura. Assim como restos de outros animais, eles estavam enterrados em um ambiente que continha um altar, uma mesa de pedra e itens de louça. Para os arqueólogos, isso pode indicar que os pombos também eram consumidos em festas ou banquetes rituais durante a Idade do Bronze. “Os ossos provavelmente foram queimados como forma de descartar resíduos após o consumo ou como parte de uma oferenda ou ritual. De qualquer forma, o local e o método de deposição — dentro de fossas cobertas em um espaço ritual — são intencionais”, escreveram os pesquisadores. As descobertas representam algumas das evidências biomoleculares mais antigas da convivência entre humanos e pombos, além de sugerirem um estágio inicial da domesticação dessas aves. Para os pesquisadores, o estudo também reforça que a domesticação animal não acontece de forma rápida ou linear, mas por meio de adaptações graduais entre espécies e ambientes humanos ao longo de gerações. “Estudos integrativos adicionais, como este, ajudarão a preencher as lacunas na história da domesticação dos pombos, contribuindo para a nossa compreensão da pré-história de regiões como o Chipre, onde essa ave teve uma presença significativa e constante no cotidiano”, concluíram os autores.",
  "title": "Pombos eram comidos por humanos em rituais há 3 mil anos, indica estudo"
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