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Primo bípede dos crocodilos que viveu há 200 milhões de anos não tinha dentes

Galileu [Unofficial] May 26, 2026
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Uma nova espécie de dinossauro do período Triássico – há cerca de 201 milhões de anos – acaba de ser descrita por paleontólogos do Museu de História Natural do Condado de Los Angeles (NHMLAC). O mais curioso por trás desse espécime é que, apesar de ser um ancestral antigo dos crocodilos, ele tinha características bem diferentes: segundo evidências, o animal era bípede, tinha bico e não possuía nenhum dente. Em estudo publicado hoje na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology, os pesquisadores dão detalhes sobre o corpo e hábitos desse dinossauro Labrujasuchus expectatus que viveu na região que hoje é conhecida como Ghost Ranch, no estado americano do Novo México. Membro da família Shuvosauridae, o primo distante dos crocodilos também faz parte de uma linhagem ancestral que deu origem às aves. Sua proximidade de parentesco é maior para o lado dos répteis modernos, mas a natureza bípede deixa os caminhos percorridos pela evolução ainda mais estranhos. Um criatura do seu tempo O Triássico é conhecido por ter sido um período importante para a diversidade animal no planeta, o que pode explicar, em partes, como uma criatura tão distante fisicamente dos crocodilos tenha sido um ancestral deles. Existem outros casos de histórias evolutivas bizarras de animais que vagavam pelo planeta nessa época. A região de Ghost Ranch já é conhecida por outros sítios paleontológicos em que foram descobertas mais espécies da família Shuvosauridae Nate Smith/NHMLAC Dinosaur Institute Um deles é o Drepanosaurus, que não era um dinossauro nem um lagarto, mas um réptil que vivia em árvores e usava o seu rabo para se locomover e suas garras únicas nas patas para caçar insetos. O estudo dessas espécies mostra aos cientistas que a natureza é perspicaz em encontrar diferentes caminhos para evoluções adaptativas com o mesmo propósito – caracterizando-se como evoluções convergentes. "Observamos que muitas das estratégias bem-sucedidas para animais modernos e dinossauros não-aviários surgiram primeiro no Triássico, e os shuvossauros são um ótimo exemplo dessa evolução convergente”, diz Alan Turner, pesquisador na Universidade Stony Brook e um dos autores do artigo, em comunicado. “O bipedalismo é certamente um caminho singular para os parentes dos crocodilos, mas é um caminho já trilhado por dinossauros e, posteriormente, por aves. Obviamente, funcionou para esses animais", completa o paleontólogo. Sendo a quinta espécie descoberta do grupo, o L. expectatus preenche uma lacuna evolutiva entre shuvossauros mais antigos e mais recentes que foram anteriormente descobertos. Era uma descoberta já esperada de acontecer em algum momento, vindo daí o termo “expectatus” para nomear a espécie. Leia mais notícias: Entre nomes e fósseis antigos A primeira parte do nome da nova espécie de dinossauro não deixa de ser tão interessante quanto a primeira. O gênero Labrujasuchus tem o nome que remete a “las brujas” em espanhol, que por sua é referência para “Rancho de Los Brujos”, antigo nome da região Ghost Ranch. Agora o termo suchous remete a Σούχος, forma grega de nomear Sobek, um deus egípcio com cabeça de… crocodilo! "Queríamos fazer uma homenagem a essa história rica e vibrante, e honrar o incrível papel que o Ghost Ranch desempenhou na expansão da nossa visão do Triássico”, diz Nate Smith, coautor do estudo, e Gretchen Augustyn, diretora e curadora do Instituto de Dinossauros do NHMLAC. Equipe de trabalho de campo responsável pela exploração de Ghost Ranch Nate Smith/NHMLAC Dinosaur Institute

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