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Caixão romano ornamentado e feito de de chumbo é achado durante obra na Inglaterra

Galileu [Unofficial] May 19, 2026
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Uma descoberta arqueológica realizada na Inglaterra pode trazer novas evidências sobre as tradições funerárias da elite no final do período romano. Durante escavações feitas em 2023, arqueólogos encontraram os restos mortais de uma jovem mulher que acreditam ter pertencido à alta sociedade da época. O túmulo foi localizado em Colchester, cidade inglesa que serviu como a primeira capital da Britânia romana. A descoberta aconteceu durante as obras no local do antigo Hospital do Condado de Essex, que estava sendo desapropriado para a construção de moradias. A mulher, apelidada Dama de Lexden, foi enterrada entre meados do século 3 e meados do século 5, em um caixão de chumbo ornamentado, acompanhado de diversos objetos funerários. A parte externa do caixão foi decorada com conchas de vieira, círculos e padrões geométricos formados por linhas de contas e desenhos semelhantes a carretéis duplos, organizados em formato de diamante. O caixão de chumbo, considerado raro, apresentava muito detalhes em sua parte externa Colchester Archaeological Trust Segundo os arqueólogos, a mulher tinha entre 25 e 35 anos quando morreu. Com ela, foram encontrados grampos de cabelo feitos de azeviche — um tipo de pedra de madeira compactada e fossilizada—, frascos de vidro e vestígios de incenso, gesso e resina. Isso sugere que o corpo pode ter sido tratado com substâncias valiosas antes do sepultamento. Grampos de cabelo de azeviche encontrados no caixão Colchester Archaeological Trust Raros frascos de vidro também foram colocados no caixão para o enterro da jovem Colchester Archaeological Trust Como destaca a revista Smithsonian, na Britânia romana, os mortos às vezes eram cobertos com gesso líquido antes do enterro. À medida que o material endurecia, ele criava uma espécie de molde do corpo e das roupas da pessoa sepultada. Ainda que enterros com gesso tenham sido encontrados em outras partes do mundo, a prática parece ter sido especialmente comum na Inglaterra romana. Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que o gesso era usado nesses sepultamentos. Mas, para a arqueologia, o material pode ser extremamente útil, já que preserva detalhes sobre indivíduos que viveram há milhares de anos. Em 2023, por exemplo, pesquisadores utilizaram tecnologia de escaneamento 3D para analisar um molde de gesso de cerca de 1,7 mil anos contendo dois adultos e uma criança — provavelmente uma família. Embora os corpos já tivessem se decomposto, as digitalizações revelaram detalhes importantes, incluindo o fato de que os indivíduos foram sido envolvidos em tecidos antes do sepultamento. O processo de escaneamento foi noticiado pelo site Live Science. Os arqueólogos também já encontraram uma impressão digital preservada em gesso em outro sepultamento romano de cerca de 1,7 mil anos. A descoberta sugere que o material às vezes era aplicado como uma pasta macia, e não apenas derramado em estado líquido sobre o corpo. Caixões de chumbo eram raros O uso de caixões de chumbo era incomum no período romano e geralmente reservado a indivíduos de alta posição social, tanto pagãos quanto cristãos. Ainda assim, os objetos funerários e a orientação do caixão indicam que a mulher provavelmente seguia práticas pagãs. “O caixão decorado é um belo objeto por si só, mas é a combinação do caixão, dos objetos funerários e das evidências científicas que torna este sepultamento impressionante”, disse Adam Wightman, diretor de arqueologia do Colchester Archaeological Trust, em comunicado. “Juntos, eles nos permitem vislumbrar não apenas uma pessoa, mas o cuidado, o ritual e a crença que envolveram seu sepultamento na Colchester do final do período romano.” Os pesquisadores também acreditam que o caixão de chumbo ficava originalmente dentro de um caixão de madeira. Isso porque o solo em que ele foi encontrado continha manchas e havia muitos pregos de ferro no local. Possivelmente, o conjunto era bastante pesado, o que dificultou sua colocação na sepultura. De acordo com a BBC, o caixão e os restos mortais da mulher serão expostos ao público em Colchester, na Inglaterra. Os visitantes da mostra poderão conhecer o que as análises científicas revelaram sobre a vida da jovem.

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