Como estas duas montanhas da Europa podem esconder reservas de energia limpa
Galileu [Unofficial]
May 18, 2026
Um estudo publicado nesta segunda-feira (18) na revista Journal of Geophysical Research: Solid Earth, confirma que os Pirineus e os Alpes – montanhas localizadas na Europa – podem ser alvos importantes para a busca por novas fontes de energia limpa. Isso porque processos erosivos levaram à formação e acúmulo de reservas de gás hidrogênio (H2) no subsolo dessas cadeias montanhosas, que demonstram potencial para serem explorados. Pesquisas anteriores já levantaram a hipótese de que cadeias montanhosas poderiam oferecer condições favoráveis à formação e ao armazenamento de hidrogênio natural, um tipo de energia limpa. Mas a confirmação do papel decisivo do desgaste das rochas nesse processo veio no estudo mais recente. “A erosão revela-se um fator chave e ambivalente na produção natural de hidrogênio”, afirmou Frank Zwaan, da Universidade de Lausanne (Suíça), em comunicado. Das placas à energia limpa Na tentativa de substituir as fontes de energia não renováveis e de tornar outras matrizes menos poluentes, especialistas têm investigado diversas frentes. Nesta busca, o hidrogênio pode desempenhar um papel central na transição energética devido ao seu grande potencial para abastecer veículos e descarbonizar processos industriais. Um dos problemas atuais é que, apesar de ser considerada energia limpa, a produção de hidrogênio natural depende de combustíveis fósseis poluentes. Então, enquanto a produção de hidrogênio não estiver relacionada às matrizes energéticas limpas, ela continuará sendo dispensável. Vista panorâmica da Bacia de Mauléon, região pertencente à cordilheira dos Pirenéus Ocidentais, no sudoeste da França, uma área privilegiada para potenciaexploração de gás hidrogênio Peter Pilz Agora, a possível presença de hidrogênio natural explorável no subsolo dos Alpes e dos Pirinéus muda o cenário. Mas como isso seria possível? Nessas regiões, as placas tectônicas se separaram há milhões de anos, o que levou à formação de bacias de rifte. Essas estruturas geológicas, com o tempo, convergiram e colidiram, dando origem às cadeias montanhosas. Como resultado desses processos, rochas do manto profundo foram gradualmente trazidas mais próximas da superfície. Nessa região, elas atingiram condições favoráveis para um processo químico conhecido como serpentinização, isto é, quando as rochas reagem eficientemente com a água e liberam hidrogênio. A partir disso, o gás pode se acumular em camadas de rocha porosa que, por sua vez, atuam como reservatórios. Veja mais no esquema abaixo. Esboço de uma formação montanhosa com manto exumado, como aconteceu há milhões de anos com as cordilheiras dos Alpes e Pirinéus Frank Zwaan A descoberta não quer dizer que a exploração em escala já pode dar início. Zwaan explicou que “assim como nos sistemas petrolíferos, condições muito específicas precisam ser atendidas, com todos os elementos-chave presentes no momento certo”. Para que isso seja possível e viável, mais pesquisas precisam ser realizadas para que os pesquisadores saibam onde os recursos naturais de hidrogênio podem ser explorados. Ainda assim, a proposta é empolgante, sobretudo porque a Terra produz grandes quantidades de hidrogênio. A questão fundamental agora é onde podem ser encontradas grandes reservas deste gás. Nem todas as cadeias montanhosas são iguais O novo estudo confirmou a importância da erosão para o acúmulo de gás hidrogênio no subsolo das montanhas. A equipe de cientistas descobriu isso a partir do uso de modelos avançados que simulam o comportamento de placas tectônicas. Os modelos analisados mostraram que a erosão pode promover a elevação de rochas do manto em direção à superfície, o que melhora as condições para a serpentinização e, logo, para a geração de hidrogênio natural. No entanto, quando a erosão é muito rápida ou intensa, essa produção pode sofrer significativas baixas, já que pode destruir rochas ou alterar as condições de temperatura. Além da erosão, as simulações indicaram que a história geológica das regiões estudadas é outro fator importante. Acontece que a duração das fases de extensão tectônica também influenciam o potencial de geração de hidrogênio, mesmo que as montanhas nem tenham se formado ainda. Não à toa, ao comparar diferentes cadeias montanhosas, os pesquisadores demonstraram que nem todas têm o mesmo potencial apresentado pelos Alpes e Pirineus, sendo este último o que abrange os fatores mais favoráveis.
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