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"textContent": "\nAnos depois do auge da pandemia, cientistas anunciaram um comprimido antiviral capaz de prevenir a Covid-19 após a exposição ao SARS-CoV-2. Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine, mostram que o medicamento ensitrelvir reduziu significativamente o risco de infecção entre pessoas que conviviam com familiares contaminados. O antiviral, desenvolvido pela farmacêutica japonesa Shionogi e comercializado como Xocova, foi aprovado no Japão em março para uso pós-exposição. Agora, autoridades regulatórias dos Estados Unidos e da Europa analisam se seguirão o mesmo caminho. O estudo internacional acompanhou mais de 2 mil pessoas entre junho de 2023 e setembro de 2024. Os participantes receberam o medicamento até 72 horas após o surgimento de sintomas em alguém da mesma residência. Entre aqueles que tomaram placebo, cerca de 9% desenvolveram Covid-19 sintomática. Já no grupo tratado com ensitrelvir, esse índice caiu para aproximadamente 3%. Além de reduzir os casos sintomáticos, o antiviral também diminuiu a transmissão viral. Infecções confirmadas, com ou sem sintomas, ocorreram em 14% das pessoas que receberam o medicamento, contra 21,5% entre aquelas que tomaram placebo. O ensitrelvir atua bloqueando uma enzima essencial para a replicação do coronavírus, atingindo o mesmo alvo de um dos componentes do Paxlovid, antiviral da Pfizer. A diferença é que, enquanto o Paxlovid não conseguiu demonstrar eficácia estatisticamente significativa na prevenção de infecções domiciliares, o novo medicamento alcançou resultados robustos. Para especialistas, o tratamento pode se tornar especialmente relevante para grupos de maior risco, como idosos, imunossuprimidos e moradores de instituições de longa permanência. “Como uma pessoa de 78 anos com comorbidades, certamente usaria a vacina se tivesse tido contato com alguém infectado”, afirmou Frederick Hayden, virologista clínico da Faculdade de Medicina da Universidade da Virgínia e coautor do estudo, ao Nature. Representação visual das particulas da Covid-19 kjpargeter/Freepik O sucesso do ensitrelvir também representa uma vitória em uma área marcada por frustrações. Diversos antivirais e terapias preventivas falharam ao longo dos últimos anos, incluindo anticorpos monoclonais que perderam eficácia diante do surgimento de variantes como a Ômicron. Mesmo assim, pesquisadores ainda discutem quem deveria receber prioritariamente o medicamento em um cenário no qual grande parte da população já possui algum grau de imunidade, seja por vacinação ou infecção prévia. David Boulware, especialista em doenças infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de Minnesota, acredita que idosos e pessoas com problemas de saúde preexistentes devem ser os principais candidatos. “A exposição ocupacional também desempenha um papel”, disse ele, citando profissionais da saúde que desejam evitar a infecção após cuidar de pacientes com Covid-19. “Eu realmente acho que teria um público amplo”, afirmou Annie Antar, infectologista da Escola de Medicina Johns Hopkins. Ela explica que o alcance potencial do antiviral pode ser ainda maior, mencionando desde pessoas mais cautelosas em relação à Covid-19 até trabalhadores que desejam evitar afastamentos por doença. Embora a percepção pública sobre a pandemia tenha diminuído, especialistas lembram que o coronavírus continua circulando em larga escala. Hayden ressalta que a Covid-19 ainda provoca dezenas de milhares de mortes e centenas de milhares de hospitalizações por ano apenas nos Estados Unidos. “Ainda não nos livramos desse vírus”, afirmou. “E agora, finalmente, existe um comprimido para ajudar a mantê-lo sob controle.”",
"title": "Comprimido antiviral mostra pela primeira vez que pode prevenir da Covid-19 após exposição ao vírus"
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