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  "textContent": "\nPoucas vergonhas superam a de, acidentalmente, soltar aquele gás perto dos outros. Mas talvez até isso seja melhor do que estar do outro lado da parada e sentir seu amigo ou ente querido lançar um ataque venenoso perto do seu nariz. E sim, é verdade que o pum dos outros parece cheirar pior do que o nosso próprio. Isso se deve a uma série de fatores. Mas, antes de entender isso, é preciso entender o que torna os puns, em termos químicos, muito similares uns aos outros. O maior percentual da flatulência é composto por gases inodoros como nitrogênio, oxigênio e dióxido de carbono. E de onde vem o cheiro? De gases sulfurados, ou seja, que contêm enxofre em sua composição. O principal culpado é o sulfeto de hidrogênio, a substância responsável pelo cheiro de \"ovo podre\". Outros incluem o metanotiol, que tem cheiro de vegetais em decomposição, e o sulfeto de dimetila, que possui um odor adocicado, porém desagradável. Então, se os puns são parecidos, por que sentimos que os dos outros são piores? Veja os motivos a seguir. Quanto mais conhecemos a origem do cheiro, menos nojo sentimos Um estudo de 2005 da Universidade de Washington (EUA) buscou explicar por que sentimos nojo e observou que essa emoção foi importante evolutivamente para que os humanos procurassem evitar doenças. Um dos testes realizados pelos cientistas envolveu um grupo de 185 universitários que precisou ler descrições curtas de situações envolvendo odores desagradáveis, como gases, suor e chulé. Em cada cenário, a origem do cheiro variava: podia ser o próprio participante, um desconhecido ou alguém próximo. Os participantes classificaram o nível de incômodo e repulsa que acreditavam sentir e os resultados revelaram um padrão consistente: os odores hipotéticos que vinham deles mesmos foram considerados significativamente menos desagradáveis do que os provenientes de estranhos. Essa diferença foi ainda mais acentuada no caso de odores de origem fecal — associados a maior risco de transmissão de doenças — quando comparados a odores não corporais, como o de lixo. Isso indica que nossa repulsa a um odor não está ligada apenas ao quanto ele é malcheiroso, mas também ao nosso conhecimento sobre sua fonte: quanto mais familiarizados estamos com a origem do odor, menos nojo sentimos. A dificuldade de identificar a origem de um cheiro o torna mais malcheiroso para o cérebro Outro estudo, de 2007, analisou como a nossa familiaridade com os odores altera nossa percepção sobre eles. Os participantes foram apresentados a cheiros de origem conhecida e desconhecida, e depois precisaram ranqueá-los em termos de “redolência”, que, no contexto do estudo, pode ser traduzido como “fedido” ou “de cheiro ambíguo”. Os cientistas descobriram que os cheiros não familiares são mais difíceis de reconhecer e foram classificados como mais intensos e agradável. Em testes subsequentes, os voluntários foram apresentados novamente a odores não familiares que já tinham cheirado nos primeiros ensaios. A simples repetição de vivenciar o cheiro foi suficiente para que esses odores fossem classificados como menos agradáveis nesses testes posteriores. Ou seja: mesmo que o cheiro seja ruim, passar várias vezes pela experiência de cheirá-lo reduz nossa repulsa a ele. E quem cheira mais nossos próprios peidos do que nós mesmos? Associamos cheiros ruins a coisas ruins Um estudo antigo, de 1976, submeteu estudantes a um teste cego de cheiros. Os alunos receberam 12 amostras de odor corporal desagradável, sendo 10 de origem estranha, uma de controle e uma vinda de seus próprios corpos. Em seguida, foi solicitado a eles que ranqueassem os odores em termos de agradabilidade e também que tentassem identificar qual era o seu próprio. Apenas três conseguiram apontar o próprio cheiro. Mas quase todos ranquearam seus próprios cheiros como mais agradáveis que os demais. E não foi só: os estudantes também associaram os cheiros piores a características sociais desagradáveis, como falta de higiene, falta de aptidão social e falta de popularidade. Outros estudos apresentam conclusões parecidas. Em termos evolutivos, faz sentido: nosso cérebro entende pessoas sujas como pessoas com mais chance de carregar doenças, portanto associá-las a cheiros ruins é uma forma de garantir que a gente mantenha distância.",
  "title": "Por que o pum dos outros parece mais fedido do que o nosso?"
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