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"textContent": "\nUma força gravitacional mais intensa do que a encontrada na superfície de Júpiter deveria ser suficiente para esmagar o comportamento de pequenos organismos vivos. Mas, quando cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR), localizada nos Estados Unidos, submeteram moscas-das-frutas a ambientes de hipergravidade, elas continuaram vivas -- e até conseguiram se reproduzir. O experimento colocou as moscas sob forças equivalentes a até 13 vezes a gravidade da Terra. Ainda assim, os insetos não apenas resistiram, como também apresentaram adaptações comportamentais complexas relacionadas ao movimento, metabolismo e uso de energia. As descobertas foram publicadas no dia 23 de abril na revista científica Journal of Experimental Biology. Mesmo após décadas de missões espaciais tripuladas, cientistas ainda sabem relativamente pouco sobre os efeitos de ambientes de alta gravidade no corpo. Grande parte das pesquisas se concentra na microgravidade, por isso o novo estudo decidiu investigar justamente o extremo oposto. O objetivo era responder à pergunta: “como a gravidade molda o movimento?”. Para respondê-la, a equipe utilizou moscas-das-frutas comuns e as colocou dentro de uma centrífuga construída especialmente para simular hipergravidade. “A centrífuga é como um carrossel. Quanto mais rápido você gira, mais você se sente puxado para fora. Isso é hipergravidade”, explicou Sushmita Arumugam Amogh, da UCR, em entrevista ao IFLScience. Um zum-zum-zum mais lento Os pesquisadores monitoraram continuamente os movimentos das moscas usando sensores infravermelhos capazes de registrar cada deslocamento dentro de pequenos tubos. Além disso, eles analisaram um comportamento natural conhecido como geotaxia negativa, isto é, a tendência das moscas de subirem contra a direção da gravidade. Confira a seguir um vídeo do experimento: Os primeiros resultados surpreenderam até os próprios cientistas. Isso porque, quando expostas a quatro vezes a gravidade terrestre (4G) durante 24 horas, as moscas se tornaram significativamente mais ativas. Porém, em níveis ainda maiores – de 7G, 10G e 13G –, o comportamento mudou drasticamente: os insetos passaram a economizar energia, reduzindo a movimentação e a capacidade de escalada. A diferença sugere que o cérebro pode realizar uma espécie de “cálculo energético” diante do estresse gravitacional. Em gravidades moderadamente elevadas, os organismos parecem aumentar o movimento para compensar novas demandas metabólicas. Mas, sob forças extremas, ficar voando de um lado para o outro gasta energia demais. “A gravidade influencia diretamente a tomada de decisões do cérebro em relação ao uso de energia e ao movimento”, afirmou Arumugam Amogh. “Ela ajuda a determinar se devemos agir ou conservar energia.” Sobrevivendo ao impossível Os cientistas decidiram, então, investigar algo ainda mais ambicioso: o que aconteceria se os animais passassem praticamente toda a vida em hipergravidade? O experimento foi ampliado para acompanhar moscas desde a fase de ovo até a idade adulta sob gravidade elevada. Depois, a equipe foi além: algumas populações viveram, acasalaram e se reproduziram sob hipergravidade durante 10 gerações consecutivas. O resultado contrariou uma expectativa relativamente comum na biologia: a de que ambientes extremos inevitavelmente provocam danos irreversíveis. A gravidade é um sinal biológico ativo, capaz de influenciar comportamento, metabolismo e tomada de decisão energética mesmo em organismos como as moscas-da-fruta PxHere Embora as moscas expostas continuamente apresentassem dificuldades locomotoras persistentes ao retornarem para 1G, elas continuaram capazes de sobreviver e completar seu ciclo de vida mesmo sob forças gravitacionais extremamente elevadas. As alterações também afetaram o metabolismo, já que logo após a exposição à hipergravidade, os estoques de gordura corporal aumentavam. Mais tarde, conforme os insetos se tornavam mais ativos, essas reservas diminuíam novamente. Além disso, as fêmeas passaram a produzir menos ovos em ambientes mais extremos, indicando que o organismo pode priorizar manutenção e sobrevivência em detrimento da reprodução. O estudo também reforça uma ideia que vem ganhando espaço entre pesquisadores: a gravidade não funciona apenas como pano de fundo da vida terrestre, mas como um sinal biológico ativo. Isso explica por que mudanças gravitacionais afetam tanto organismos vivos. Se uma mosca fosse levada às nuvens de Júpiter, por exemplo, ela experimentaria algo em torno de 2,5G. No experimento do novo estudo, porém, os animais foram submetidos a até 13G, níveis muito superiores aos encontrados naturalmente em quase qualquer ambiente do Sistema Solar. Os pesquisadores destacam que o estudo não busca reproduzir exatamente a experiência de astronautas. Ainda assim, os resultados podem contribuir para futuras estratégias de proteção do organismo humano em missões espaciais de longa duração.",
"title": "Cientistas testam reação de moscas sob gravidade mais forte que a de Júpiter"
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