{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreihnvoo73k6tjmjk43pq6svaqsrqhhxggmtyzycrfy7axdptexnutu",
    "uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mltndrdbhxp2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreietgvia7mevlvyhtmrym32tb6gtyc5h4onakx7ohvknonq5gcbcou"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 348489
  },
  "path": "/ciencia/noticia/2026/05/1-em-cada-4-jogos-da-copa-do-mundo-acontecerao-sob-calor-intenso-diz-relatorio.ghtml",
  "publishedAt": "2026-05-14T17:42:32.000Z",
  "site": "https://revistagalileu.globo.com",
  "tags": [
    "galileu"
  ],
  "textContent": "\nEntre pausas para hidratação e arquibancadas lotadas, a Copa do Mundo de 2026 poderá se tornar também um retrato fiel das novas condições climáticas do planeta. Um estudo divulgado nesta quinta-feira (14) pela World Weather Attribution (WWA), rede internacional de cientistas climáticos, aponta que um em cada quatro jogos do torneio corre o risco de ocorrer sob calor extremo na América do Norte. A competição será realizada entre os dias 11 de junho e 19 de julho em 16 cidades espalhadas pelos Estados Unidos, Canadá e México. Segundo os pesquisadores, as mudanças climáticas aumentaram significativamente a probabilidade de ondas de calor desde a última vez em que os Estados Unidos sediaram a competição, em 1994. Calor em campo Em comunicado, os cientistas afirmaram que atletas e público “enfrentarão um risco muito maior de calor e umidade intensos” em comparação ao torneio disputado há pouco mais de três décadas. A análise estima que 26 das 104 partidas poderão registrar temperaturas iguais ou superiores a 26°C. A medição se baseia na escala WBGT, sigla em inglês para “temperatura de bulbo úmido e globo”, índice utilizado para medir a capacidade do corpo humano de se resfriar. A partir dos 26°C, o sindicato internacional dos jogadores de futebol (FIFPRO) recomenda pausas obrigatórias para resfriamento durante as partidas. Já em temperaturas acima de 28°C, a entidade defende o adiamento ou a suspensão dos jogos até que as condições melhorem. As preocupações já provocaram mudanças na organização do torneio. A FIFA determinou que cada tempo das partidas conte com pausas para hidratação e resfriamento, numa tentativa de reduzir os impactos fisiológicos do calor extremo sobre atletas e arbitragem. Para além do calor dentro durante as partidas, torcedores terão que lidar com altas temperaturas no lado de fora dos estádios Pexels Apesar disso, os riscos permanecem distribuídos de forma desigual entre as sedes. Dos 26 jogos projetados para ocorrer acima dos 26°C WBGT, 17 acontecerão em estádios equipados com sistemas de refrigeração. Ainda assim, mais de um terço das partidas com chance relevante de calor extremo ocorrerão em locais sem ar condicionado. Três dos 16 estádios do torneio – localizados nos estados de Dallas, Houston e Atlanta, nos Estados Unidos – possuem estruturas climatizadas. Nas demais arenas, a experiência térmica dependerá diretamente das condições atmosféricas externas e do volume de pessoas concentradas nos arredores dos estádios. Desconforto no banco? Embora o debate frequentemente se concentre no desempenho físico dos jogadores, os pesquisadores alertam que os torcedores podem ficar ainda mais vulneráveis. Isso porque grande parte do público permanece por horas em filas, áreas abertas e deslocamentos urbanos sob exposição direta ao calor. “É perigoso para os jogadores, mas também para os torcedores que podem se reunir ao ar livre e correr riscos ainda maiores, porque não terão o atendimento de muitos médicos”, afirmou Friederike Otto, do Imperial College London. Nem todos os estádios que receberão jogos da Copa do Mundo 2026 são equipados com sistemas de refrigeração Reprodução/MetLife Stadium Mais do que um desafio esportivo, o calor extremo começa a alterar a própria lógica de organização dos megaeventos. Horários de jogos, infraestrutura urbana, protocolos médicos e sistemas de ventilação passam a ocupar um espaço cada vez mais central em competições globais. A final da competição, marcada para o dia 19 de julho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, exemplifica o tamanho da preocupação. Segundo os cálculos da WWA, a partida decisiva tem uma chance em oito de ocorrer em condições iguais ou superiores a 26°C WBGT e um risco de 2,7% de ultrapassar os 28°C. “O fato de a própria final da Copa do Mundo enfrentar um risco considerável de ser disputada em um calor que poderia levar ao cancelamento deveria servir de alerta para a FIFA e para os torcedores”, observou Otto.",
  "title": "1 em cada 4 jogos da Copa do Mundo acontecerão sob calor intenso, diz relatório"
}