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"textContent": "\nCelebridades também podem ser fonte de desinformação sobre saúde. E um dos casos de destaque mais recentes foi protagonizado pelo ator Mel Gibson no podcast do comediante americano Joe Rogan. No episódio, Gibson defendeu o uso de medicamentos antiparasitários, como a ivermectina, para pacientes com câncer. O resultado é uma catástrofe médica e científica: as prescrições dispararam cerca de 2,5 vezes nos Estados Unidos. O desenrolar dessa história levou pesquisadores a estudarem sobre o poder da influência de figuras públicas e famosas em discussões sobre saúde, seja uma colaboração positiva ou negativa. O artigo foi publicado na revista JAMA Network Open nesta terça-feira (12). Os pesquisadores analisaram os registros médicos eletrônicos de 68.373.949 pacientes em 67 sistemas de saúde. Nesse processo, eles buscavam por informações referentes às taxas de prescrição de ivermectina e benzimidazol. No entanto, nenhum desses medicamentos foi submetido à ensaios clínicos sobre a sua segurança e eficácia no tratamento de câncer em seres humanos. Uma faca de dois gumes Publicado em janeiro de 2025, o episódio tem milhões de visualizações. O ator contou que muitos dos seus amigos se recuperaram do câncer após utilizarem uma combinação de ivermectina e benzimidazol. Acontece que a afirmativa levou muitas pessoas a mudarem os seus tratamentos, sobretudo pacientes brancos, homens e que vivessem no sul dos Estados Unidos, de acordo com a pesquisa. O efeito que esse e vários outros combos medicamentosos podem desencadear preocupa os cientistas. No entanto, o que tem gerado debates mais urgentes é, na verdade, o alcance das opiniões infundadas e sem confirmações científicas espalhadas por pessoas famosas como Gibson. Pessoas podem ter tentado obter o ivermectina sem receita, já que lojas de produtos agrícolas vendem formulações do medicamento para gado Wikimedia Commons Muitas dessas opiniões levam à prescrições desnecessárias. Em comunicado, Michelle Rockwell, da Universidade Estadual da Virgínia (Estados Unidos), compartilhou que muitos pacientes têm exigido e até pedido medicamentos aos seus médicos. “E é aí que eu acho que esses influenciadores famosos desempenham um papel muito importante”. E, considerando o cenário de saúde pública dos Estados Unidos, não é muito difícil que uma celebridade convença outras pessoas. Afinal, a frustração com o sistema de saúde, os preços dos medicamentos e as barreiras de acesso aos planos de saúde criam ressentimentos reais que tornam as pessoas mais fáceis de serem exploradas. O pior é que esse efeito “dominó” de influências não é exclusivo apenas dos estadunidenses. No Brasil, em plena pandemia da Covid-19, o ex-presidente Jair Bolsonaro incentivou que os pacientes se medicassem com cloroquina – medicamento utilizado para o tratamento de malária, lúpus e outras doenças – e desencorajou a vacinação sem quaisquer provas científicas. A ivermectina, a propósito, também foi considerada como um potencial medicamento para o vírus. Diversos ensaios clínicos constataram, porém, que ela não reduzia o risco de doença grave, não prevenia a hospitalização nem acelerava o tempo de recuperação. O que aconteceu foi algo até pior: a desinformação sobre o medicamento foi associada a um aumento de intoxicações por overdose em 2021. Embora o aumento nas prescrições de ivermectina tenha ocorrido após a participação de Gibson no programa do Rogan, os resultados não levam em consideração se outros fatores influenciaram essa atividade, como se os pacientes chegaram a, de fato, utilizar o medicamento. Ainda assim, o momento sugere que a influência do ator teve um efeito significativo. Mas impactos benéficos também podem ocorrer. Afinal, se as celebridades conseguem convencer as pessoas a tomar decisões médicas ruins, elas também podem fazer o oposto, não é mesmo? Nos anos 2000, a jornalista Katie Couric fez uma colonoscopia na TV, o que levou a um aumento de 20% da taxa de exames de detecção de câncer colorretal Reprodução/Today/YouTube",
"title": "Receitas de remédio para vermes dispararam entre pacientes com câncer após influência de Mel Gibson"
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