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"publishedAt": "2026-05-13T15:15:21.000Z",
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"textContent": "\nPesquisadores registraram um comportamento tão estranho quanto inesperado no oceano: peixes rêmora, famosos por viajarem “grudados” em animais maiores, foram vistos entrando na cloaca de raias-manta — abertura usada para excreção, reprodução e liberação de resíduos. O comportamento foi descrito em um novo estudo publicado em 11 de maio na revista Ecology and Evolution. Segundo os pesquisadores, as imagens causaram uma combinação de espanto e horror, justamente porque mostram um tipo de interação animal raramente observado na natureza. As rêmoras são peixes especializados em “pegar carona” em animais maiores. Elas possuem uma estrutura em forma de disco de sucção na parte superior da cabeça (uma espécie de ventosa biológica) usada para se fixar ao corpo de tubarões, baleias, tartarugas e raias. Essa relação costuma beneficiar as rêmoras, já que economizam energia ao viajar longas distâncias e ainda conseguem um fácil acesso à proteção contra predadores e a alimentos, como restos de refeições e parasitas na pele do hospedeiro e até mesmo fezes. Uma raia-manta-do-atlântico (Mobula yarae) fêmea com uma rêmora dentro da cloaca, avistada por cientistas na Flórida (EUA) em outubro de 2025. As rêmoras se inserem completa ou parcialmente nas raias, podendo deixar suas caudas para fora do orifício desses animais Jessica Pate / Marine Megafauna Foundation Mas os registros recentes mostraram um comportamento ainda mais incomum: em vez de permanecerem aderidas à superfície do corpo das raias-manta, algumas rêmoras foram vistas entrando na cloaca dos animais. Em alguns casos, apenas a cauda do peixe permanecia visível do lado de fora. Em uma das observações descritas no estudo, um mergulhador nadava próximo de uma raia-manta-do-atlântico adulta (Mobula yarae) quando percebeu que uma rêmora-comum (Remora remora) estava posicionada perto das nadadeiras pélvicas do animal. Segundo os pesquisadores, a aproximação do mergulhador pareceu assustar o peixe, que “rapidamente se inseriu na abertura cloacal da raia-manta”. O movimento repentino aparentemente incomodou a raia. Os autores relatam que o animal estremeceu brevemente antes de continuar nadando com a rêmora ainda dentro do orifício. Veja o momento no vídeo abaixo. Mutualismo, comensalismo ou... parasitismo? Apesar da descoberta inusitada, os pesquisadores afirmam que ela pode mudar a forma como os cientistas entendem a relação entre rêmoras e seus hospedeiros marinhos. A pesquisadora Emily Yeager, do Programa de Pesquisa e Conservação de Tubarões da Universidade de Miami, que estuda relações simbióticas no oceano — interações próximas e duradouras entre espécies diferentes — explica que essas relações costumam ser classificadas em três categorias: mutualismo, quando ambos os animais se beneficiam; comensalismo, quando apenas um se beneficia sem afetar o outro; e parasitismo, quando um organismo ganha vantagens às custas do hospedeiro. Pesquisadores observaram uma rêmora-comum (Remora remora) saindo da cloaca de uma raia-manta-do-atlântico (Mobula yarae) macho juvenil na Flórida (EUA) em julho de 2021 Bryant Turffs / Marine Megafauna Foundation Até agora, a relação entre rêmoras e grandes animais marinhos era geralmente interpretada como uma relação de mutualismo ou comensalismo. Pesquisadores sugerem, por exemplo, que as rêmoras podem ajudar seus hospedeiros ao remover parasitas de sua pele. Mas pesquisas recentes indicam que essa convivência talvez não seja tão inofensiva quanto parece, uma vez que a presença das rêmoras pode aumentar o arrasto durante a natação, tornando o deslocamento menos eficiente e exigindo mais energia dos hospedeiros. Em alguns casos, quando são maiores ou estão em grupos, as rêmoras também podem causar danos na pele ao se fixarem no corpo de animais maiores. Agora, com registros de rêmoras entrando em regiões sensíveis do corpo de raias-manta, como a cloaca e as fendas branquiais — aberturas essenciais para a respiração —, pesquisadores começaram a reconsiderar se algumas dessas relações podem estar mais próximas do parasitismo do que da parceria entre as espécies. “Para as raias-manta, a sucção pode causar ferimentos ou desconforto físico, aumentar seus gastos energéticos enquanto tentam remover o peixe e até interferir na reprodução\", disse Yeager, em entrevista ao site Live Science. A pesquisadora também relata que raias-manta já foram observadas tentando desalojar rêmoras saltando para fora da água ou raspando o corpo contra a areia. Essa observação reforça a ideia defendida por Yeager de que relações simbióticas não se encaixam necessariamente em categorias fixas, mas funcionam dentro de um espectro em que os níveis de benefício e prejuízo entre as espécies podem variar. Yeager compara essas relações aos vínculos familiares. \"Vocês se dão muito bem, mas às vezes brigam, não é?\", disse a pesquisadora, ao Live Science. \"E esses tipos de relacionamento provavelmente também existem nessas comunidades ecológicas.\" Para ela, entender essas dinâmicas é só uma questão de observação, dessa forma, quanto mais estudos e pesquisadores acompanham a vida na natureza, mais comportamentos inusitados como esses podem aparecer.",
"title": "Vídeo raro flagra peixe entrando em raia manta – mas pelo buraco errado; assista"
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