Por que evitar estes alimentos pode proteger seu coração, segundo estudo
Galileu [Unofficial]
May 11, 2026
A relação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e um risco maior de obesidade e diabetes é conhecida pela ciência há décadas. Agora, um novo estudo reuniu mais argumentos para sustentar que esse padrão alimentar está ligado também a um maior risco de doenças cardiovasculares e morte. O estudo, publicado no dia 6 de maio na revista científica European Heart Journal e liderado por especialistas da Sociedade Europeia de Cardiologia, reúne resultados observados ao longo da última década sobre os impactos dos ultraprocessados na saúde do coração. Segundo os autores, pessoas que consomem maiores quantidades desses alimentos podem apresentar até 19% mais risco de desenvolver doenças cardíacas, além de um aumento de 13% no risco de fibrilação atrial (um tipo de arritmia cardíaca) e 65% no risco de morte cardiovascular. Entre os problemas associados ao alto consumo desses produtos estão obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão arterial e acúmulo de gorduras nocivas na corrente sanguínea - fatores conhecidos por elevar o risco cardíaco. De acordo com os pesquisadores, os ultraprocessados têm substituído em grande parte as dietas tradicionais em diversos países europeus. A pesquisa aponta que esses alimentos já garantem 61% das calorias consumidas na Holanda e 54% no Reino Unido. Em países como Itália, Portugal e Espanha, apesar de menores, os índices também preocupam, já que representam 25%, 22% e 18% das calorias consumidas, respectivamente. O Brasil também enfrenta um cenário semelhante. Como aponta uma série de artigos publicada em 2025, que considerou dados de 93 países, os ultraprocessados passaram a fazer parte da alimentação da população e, agora, representam cerca de 23% das calorias consumidas pelos brasileiros. O que são alimentos ultraprocessados? Os alimentos ultraprocessados são produtos modificados industrialmente que envolvem a mistura de alimentos naturais baratos (ou com pouco processamento industrial) — como farinha de milho/trigo, gorduras, óleos ou açúcar — e aditivos químicos. Essas substâncias sintéticas são adicionadas aos alimentos tanto para aumentar sua durabilidade quanto características como textura, aparência ou sabor. Exemplos de ultraprocessados comuns em lares do Brasil são os refrigerantes, salgadinhos, macarrão instantâneo, biscoitos recheados, embutidos (linguiça, mortadela, presunto) e refeições congeladas. Além de conterem aditivos, que vão desde conservantes até corantes e aromatizantes, esses produtos também são ricos em gordura saturada, sódio e açúcar — o que os torna pobres nutricionalmente. Segundo os autores, o problema não está apenas na quantidade de açúcar, sal e gordura desses produtos, mas também nos efeitos provocados pelo próprio nível de processamento industrial. “Esses alimentos também contêm aditivos, contaminantes e uma estrutura alimentar alterada, o que pode desencadear inflamação, disfunção metabólica, alterações na microbiota intestinal e excesso de alimentação”, afirmou Marialaura Bonaccio, do Instituto Neurológico Mediterrêneo, centro de pesquisa de referência da Itália, em comunicado. Médicos precisam perguntar mais A equipe de pesquisa defende que médicos passem a incluir perguntas e conversar mais sobre ultraprocessados durante consultas de rotina, especialmente em pacientes com risco ou que possuem doenças cardiovasculares. Além disso, os especialistas destacam que as diretrizes alimentares atuais focam apenas nos nutrientes dos alimentos — como calorias, gordura e açúcar — sem considerar o grau de processamento deles. Isso pode levar consumidores a acreditarem que determinados produtos industrializados são saudáveis apenas porque possuem menos açúcar ou mais proteína. “Mesmo alimentos com bons perfis nutricionais podem ser prejudiciais se forem altamente processados. Integrar a conscientização sobre alimentos ultraprocessados aos cuidados médicos de rotina pode melhorar a saúde do paciente sem aumentar significativamente os custos ou o tempo”, destacou Bonaccio. Os autores do estudo defendem que deve haver políticas públicas voltadas à rotulagem mais clara dos produtos, além de cuidados médicos e campanhas para conscientizar a população sobre os riscos associados aos ultraprocessados. Bonaccio afirma que novos estudos ainda são necessários para compreender se a redução do consumo de ultraprocessados pode melhorar a saúde cardiovascular e de que forma aditivos específicos afetam o coração. Além disso, a especialista defende que pesquisadores passem a se concentrar na implementação de intervenções dietéticas voltadas a esses alimentos na prática clínica.
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