Qual animal tem o DNA mais parecido com o dos humanos?
Galileu [Unofficial]
May 10, 2026
Os chimpanzés (Pan troglodytes) e os bonobos (Pan paniscus) são os animais com o DNA mais próximo dos humanos, de acordo com o consenso atual. A porcentagem de semelhança varia: há fontes que apontam 98,7% de proximidade, enquanto outras falam em 98,8%. Esses números dependem do estudo em que a informação se baseia — alguns chegam a sugerir uma semelhança menor, de 95%. Acredita-se que, aproximadamente sete ou oito milhões de anos atrás, os humanos, chimpanzés e bonobos tinham um ancestral comum. Algum tempo depois, a árvore evolutiva se ramificou: em um dos lados surgiram os humanos, no outro os chimpanzés e bonobos. Ilustração de livro do século 19 que mostra ramos evolutivos relacionados à espécie humana Ernest Haeckel, "Generelle Morphologie der Organismen" (Berlim, 1866), vol. 2 Essa semelhança foi aprofundada em 2005, quando os cientistas conseguiram sequenciar o DNA do chimpanzé pela primeira vez. Eles também descobriram que cerca de 1,6% do DNA humano mostra maior semelhança com o dos chimpanzés do que com o dos bonobos, e o mesmo vale no sentido inverso (1,6% são mais semelhantes com os bonobos do que com os chimpanzés). Essas diferenças sugerem que a população ancestral de símios que deu origem às três espécies era bastante grande e geneticamente diversa, com tamanho estimado de cerca de 27 mil indivíduos reprodutores. Polêmica Mas é claro que a ciência está sempre descobrindo coisas novas, então algumas certezas, às vezes, voltam a ser dúvidas. Em 2025, um importante estudo publicado na revista Nature sequenciou partes novas do genoma dos chimpanzés e descobriu que a diferença em relação ao DNA humano pode ser muito maior, chegando a 14,9%. Essa discrepância se deve ao método usado. O novo estudo inclui trechos “difíceis” de comparar, como regiões sem correspondência direta, grandes inserções/deleções e duplicações estruturais. Isso altera fundamentalmente o que é considerado “diferença”. O DNA humano e o do chimpanzé são essencialmente uma longa sequência construída por quatro nucleotídeos: adenina (A), guanina (G), citosina (C) e timina (T). E bota longa nisso: cada genoma tem cerca de 3 bilhões de nucleotídeos em sequência. Para estimar a semelhança entre as espécies, os cientistas identificam a sequência de letras/nucleotídeos em ambos os genomas e procuram trechos de DNA onde há muito alinhamento entre os dois. Em seguida, eles contam o número de letras correspondentes nessas regiões e estabelecem a porcentagem de semelhança. Esse é o método usado em estudos anteriores. Mas ele é passível de críticas porque, ao ignorar seções de DNA que são difíceis de comparar, pode estar negligenciando informação importante — trechos do DNA humano sem uma contraparte clara no DNA do chimpanzé constituem entre 15% e 20% do genoma, dependendo do método utilizado. No estudo de 2025, os cientistas compararam o genoma completo das duas espécies, sem se basear apenas nos trechos similares, e com melhor resolução para trechos difíceis, daí a discrepância. Esse método não invalida os estudos anteriores e também tem seus problemas (pelo critério que estabelece, a diferença pode chegar a cerca de 9% até mesmo entre chimpanzés, o que mostra como o método pode inflar essas estimativas). Ele apenas mostra que o tema ainda precisa de novos estudos antes de ter uma resposta padrão. Por que somos tão diferentes? Seja como for, o DNA humano continua sendo muito próximo do dessas duas espécies. Isso traz a pergunta: por que o Homo sapiens é tão diferente? Em resumo: porque essa pequena porcentagem já faz uma diferença enorme. Cada célula humana contém aproximadamente três bilhões de pares de bases de DNA. 1,2% disso já equivale a cerca de 35 milhões de diferenças. Algumas delas têm um grande impacto, outras não. E mesmo dois trechos idênticos de DNA podem funcionar de maneira diferente — podem ser "ativados" em intensidades diferentes, em locais diferentes ou em momentos diferentes. A ciência tem até um nome para isso: expressão gênica. Durante o desenvolvimento do cérebro, por exemplo, genes envolvidos na formação e na conexão de neurônios podem ser expressos por mais tempo ou com maior intensidade em humanos do que em chimpanzés, contribuindo para diferenças no tamanho e na complexidade cerebral. Essas variações não dependem necessariamente de mudanças na sequência do DNA em si, mas de como esse DNA é regulado e de quando e onde os genes entram em ação ao longo do desenvolvimento.
Discussion in the ATmosphere