External Publication
Visit Post

Quantos dias é possível ficar acordado?

Galileu [Unofficial] May 9, 2026
Source
O recorde de tempo acordado para um ser humano é do americano Robert McDonald, um dublê que permaneceu desperto por 453 horas e 40 minutos (18 dias, 21 horas e 56 minutos) em 1986. Esse é o último registro do Guinness World Records, que parou de monitorar esse recorde em 1997 devido aos perigos associados à privação do sono. Mas é difícil saber se esse é o máximo ao qual uma pessoa pode chegar sem dormir. Até porque isso depende da definição de “estar acordado”. Os cientistas concordam que, após 24 horas desperto, a atividade cerebral do indivíduo muda, de modo que ele fica no limiar entre o dormir e o acordar. Isso é chamado de “intrusão do sono” ou “microssono”, quando a pessoa parece acordada, mas vive um tipo de sono anormal, que pode incluir intervalos de desatenção ou alucinações. Hoje, especialistas defendem que McDonald vivenciou episódios de microssono que não foram monitorados. O que diz a ciência Ao longo dos anos, diversos estudos monitorados acompanharam voluntários que passaram vários dias sem dormir. Em alguns deles, os participantes chegaram a ficar 10 horas despertos. Nenhum desses voluntários apresentou problemas médicos, neurológicos, fisiológicos ou psiquiátricos graves após os experimentos — bastou um sono restaurador para tudo voltar ao normal. Entretanto, durante a vigília, todos apresentaram déficits progressivos na concentração, na motivação, na percepção e em outros processos mentais. Não há pesquisas sobre privação do sono forçada porque esse seria um método antiético — inclusive, manter alguém acordado a qualquer custo é considerado tortura. Experimentos com ratos mostraram que esses animais conseguiram se manter vivos entre 11 e 32 dias quando submetidos à privação completa de sono. Um estudo com humanos de 2019, publicado no periódico Nature and Science of Sleep, descobriu que o estado de alerta e a vigilância dos participantes eram relativamente normais até 16 horas após o início da privação de sono. Mas, após 16 horas, as falhas de atenção aumentaram significativamente e foram ainda piores para os participantes com insônia crônica. Algumas doenças podem causar quadros severos de insônia, como a Síndrome de Morvan, caracterizada pela hiperatividade dos sistemas nervosos central, autônomo e periférico, e a Insônia Familiar Fatal, uma condição neurodegenerativa causada por uma mutação genética. Quem sofre de IFF, uma doença sem cura, geralmente morre após 18 meses em decorrência de falência múltipla dos órgãos. O que acontece no seu corpo Veja os efeitos da privação de sono prolongada: Até 16 horas - Você consegue manter seus processos mentais normalmente. De 16 a 24 horas - Começam os problemas, como lapsos de atenção e falhas na memória. Mais de 24 horas - Lapsos de atenção, fala embargada, tempo de reação alterado, problemas de memória, irritabilidade, tremores, coordenação motora comprometida, performance reduzida em tarefas. Mais de 36 horas - Os sintomas pioram e surgem outros: agressividade, euforia, alucinações, confusão e dificuldade em regular o estresse e as emoções. Mais de 48 horas - Alucinações profundas, dificuldade em distinguir realidade e imaginação, despersonalização (quando a pessoa sente que sai do próprio corpo). Mais de 72 horas - Há poucos estudos a partir deste ponto, a maioria antigos. Os sintomas se agravam e a saúde mental entra em rápido declínio.

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...