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Estudo fez voluntários voarem – e analisou o que mudou no cérebro deles

Galileu [Unofficial] May 9, 2026
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Voar por conta própria é o sonho de muitos humanos. A boa notícia é que, graças a tecnologia, já é possível experimentar a sensação de voo com uma fidelidade considerável – tudo de forma virtual, claro. Uma nova pesquisa, publicada na revista Cell Reports nesta quinta-feira (7), usou óculos de realidade virtual (RV) para investigar como humanos vivem essa sensação. O objetivo principal dos pesquisadores foi entender como os cérebros dos 25 participantes voluntários responderam às asas. Spoiler: elas passaram a ser identificadas de forma semelhante a como o órgão reconhece os membros reais do corpo. Saindo do ninho Os testes foram feitos por pesquisadores da Universidade de Pequim, na China, que usa dispositivos de realidade virtual em suas pesquisas para estudar como as pessoas percebem o movimento. Kunlin Wei, que coordena o Grupo de Controle Motor da Universidade, contou, em entrevista à Science News, que começou a questionar a chance de alguém aprender a voar com asas em RV e, principalmente, como os cérebros humanos reagiriam à tarefa. Os participantes realizaram algumas atividades básicas para aprenderem a voar em RV, como se sustentar em um penhasco e atravessar anéis de ar Cells Reports As lições de aprendizado começaram logo depois. Para isso, a equipe criou um programa de treinamento de uma semana baseado na mecânica do voo das aves. Utilizando óculos de RV e equipamentos de rastreamento de movimento – sobretudo nos membros superiores do corpo –, os participantes realizaram uma série de tarefas para aprenderem a usar as suas asas virtuais. Quando olhavam para um espelho virtual, eles se viam como figuras semelhantes a pássaros com enormes asas e quaisquer movimentos feitos nos braços eram refletidos nas asas. Entre as atividades de aprendizado, os voluntários bateram as asas para desviar de bolas de ar que caíam, permaneceram no ar sobre penhascos íngremes e, até mesmo, voaram através de anéis no ar. A tarefa foi mais fácil para uns do que para outros. Ziyi Xiong, cientista da Universidade Normal de Pequim que também participou do estudo, disse que “alguns participantes aprenderam a voar na primeira tentativa, enquanto outros precisaram de três a quatro sessões”. O que os olhos vêem, o cérebro sente Além de aprenderem a voar, mesmo que só na RV, os participantes sofreram alterações cerebrais interessantes. Segundo os pesquisadores, partes do córtex visual – a região do cérebro que normalmente responde a imagens de partes do corpo – começaram a responder com mais intensidade a imagens de diferentes asas. Alterações no perfil funcional de similaridade representacional da asa após treinamento em realidade virtual Cells Reports O mais surpreendente, no entanto, foi como esses “acessórios” estavam sendo identificados pelo órgão: como membros naturais e reais dos seres humanos, assim como os braços. Resulado? Os participantes começaram a ver as asas como parte de seus próprios corpos. A descoberta sugere que os limites da plasticidade cerebral, isto é, a capacidade do cérebro de se reorganizar em resposta à aprendizagem e à experiência, podem ser mais amplos do que os cientistas pensavam. Isso porque as asas, que não são naturais aos humanos, foram rapidamente aceitas pela coordenação e pelas atividades cerebrais. Além de remodelar o cérebro, a experiência transformou a compreensão do voo pelos participantes de maneira que o conhecimento abstrato não consegue. Essa percepção, de acordo com Wei, pode ser ainda mais explorada em outras tecnologias e sentidos artificiais, que permitiriam que as pessoas experimentassem a “realidade” de diferentes maneiras.

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