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  "textContent": "\nUm surto raro de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro internacional colocou autoridades sanitárias de diversos países em alerta, desencadeando uma ampla operação de rastreamento de passageiros espalhados pelo mundo. Desde abril, ao menos oito casos – três deles confirmados em laboratório – foram associados ao navio MV Hondius, que partiu da Argentina rumo a regiões do Atlântico Sul e da Antártida. Três passageiros morreram. As autoridades de saúde tratam a situação com cautela porque há indícios de que parte das infecções possa ter ocorrido por transmissão entre humanos, um fenômeno incomum, mas já registrado no caso da cepa de Andes. Passageiros do Reino Unido, Holanda, Suíça, Estados Unidos e África do Sul estão sendo monitorados desde que desembarcaram. Apesar da mobilização internacional, especialistas insistem que o risco para a população em geral continua baixo. “Não é Covid, não é gripe, a forma de propagação é muito diferente”, afirmou Maria Van Kerkhove, da Organização Mundial da Saúde (OMS), nesta quinta-feira (7), em comunicado. Segundo ela, o hantavírus não possui a mesma capacidade de disseminação rápida observada em doenças respiratórias altamente contagiosas. Mistério em alto-mar O MV Hondius deixou Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril para uma expedição por áreas de vida selvagem e regiões isoladas do hemisfério sul. O primeiro caso, iniciado após apenas cinco dias de viagem, chamou a atenção dos epidemiologistas porque o período de incubação do hantavírus costuma variar entre duas e quatro semanas, embora possa chegar a apenas sete dias em casos raros. A diferença temporal levantou uma hipótese importante: o passageiro provavelmente já havia sido exposto ao vírus antes do embarque. Investigadores agora analisam atividades realizadas na Argentina antes da viagem, incluindo excursões de observação de aves em áreas onde pode haver contato com roedores silvestres infectados, principais vetores do vírus. O hantavírus é tradicionalmente transmitido pela inalação de partículas virais presentes na urina, fezes ou saliva de roedores contaminados. No caso da cepa Andes, entretanto, pesquisadores já documentaram episódios limitados de transmissão entre humanos em surtos registrados anteriormente na América do Sul. Os cientistas pretendem sequenciar geneticamente o vírus encontrado nos pacientes para verificar se ele possui mutações associadas à transmissão entre humanos observada em surtos anteriores Wikimedia Commons As condições do próprio navio também podem ter favorecido o cenário. Mesmo em cruzeiros de luxo, passageiros compartilham cabines, áreas de refeição e ambientes fechados por longos períodos, fatores que aumentam o contato próximo entre pessoas potencialmente infectadas. Os especialistas acreditam que justamente essas conexões próximas entre passageiros podem ajudar a esclarecer se houve transmissão interpessoal durante a viagem. Cientistas tentam descobrir se o surto no MV Hondius segue o mesmo padrão de transmissão que o vírus Andes, identificado na América do Sul e associado a raros episódios de contaminação humana. E como os sintomas podem demorar quase um mês para se manifestarem, os investigadores têm concentrado esforços em reconstruir detalhadamente os contatos entre os passageiros: quem dividiu cabines, participou das mesmas excursões, compartilhou refeições ou teve contato próximo com pessoas doentes. Caça aos contaminados Um dos desafios enfrentados pelos investigadores é o comportamento imprevisível da doença. Os sintomas iniciais podem parecer semelhantes aos da gripe: febre, fadiga e dores musculares. Em casos mais graves, surgem falta de ar, dor abdominal, náuseas e diarreia. Além disso, a síndrome pulmonar por hantavírus pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória severa. O problema é que o atendimento médico ainda é baseado no suporte hospitalar para aliviar os sintomas, mas não existe tratamento específico contra a infecção. E justamente pelo caráter silencioso dos sintomas é que uma operação de rastreamento já mobiliza autoridades sanitárias de diversos países. Passageiros que desembarcaram em Cabo Verde e outros pontos da rota estão sendo monitorados após retornarem aos seus países de origem. Desde que o pedido de isolamento dos passageiros que ainda estão à bordo do MV Hondius foi implantado, nenhum caso ou sintoma foi registrado Oceanwide Expeditions No Reino Unido, a Agência de Segurança da Saúde (UKHSA) determinou que passageiros britânicos ligados ao navio entrem em isolamento por 45 dias. Segundo Robin May, diretor da agência, o rastreamento deve continuar por semanas. Nos Estados Unidos, autoridades dos estados da Geórgia e do Arizona monitoram três passageiros que retornaram ao país. Nenhum apresentou sintomas até o momento. Já a Suíça confirmou que um passageiro infectado está internado em um hospital de Zurique. Enquanto isso, o MV Hondius segue em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, após permanecer três dias ancorado próximo a Cabo Verde. Passageiros e tripulantes restantes permanecem isolados a bordo. Sem motivo para pânico Apesar da repercussão internacional, a OMS reforça que não há indícios de uma ameaça semelhante à pandemia de Covid-19. O hantavírus Andes exige contato muito próximo ou prolongado para eventualmente se espalhar entre pessoas. Para os epidemiologistas, porém, o caso do MV Hondius representa um raro laboratório em tempo real sobre o comportamento de um vírus pouco compreendido. A investigação poderá ajudar cientistas a esclarecer até que ponto a cepa Andes consegue se adaptar à transmissão humana, pergunta esta que permanece em aberto desde os primeiros surtos registrados na América do Sul.",
  "title": "Existe um risco de epidemia de hantavírus? Entenda o caso"
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