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Este animal voltou à vida após 24 mil anos congelado no solo da Sibéria

Galileu [Unofficial] May 2, 2026
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Em 2021, pesquisadores do Laboratório de Criologia do Solo do Instituto de Problemas Físico-Químicos e Biológicos em Ciência do Solo, em Pushchino, na Rússia, encontraram um animal que, mesmo após 24 mil anos congelado no permafrost da Sibéria, voltou à vida. Não se tratava de um cachorro, um gato, nem um mamute pré-histórico gigante, mas sim de um rotífero. Os rotíferos são microrganismos aquáticos extremamente pequenos, de modo que a maioria deles não pode ser sequer vista ao olho nu. Eles são conhecidos pela resistência a condições de dessecação, congelamento, inanição e baixa oxigenação, sendo capazes de sobreviver longos períodos de congelamento ou seca. Seus “superpoderes” de alta resistência são alvo de estudo de pesquisas que buscam novas estratégias de como células humanas podem ser melhor preservadas com técnicas de criogenia. Movimentação microscópica de um rotífero Ra'ike/Wikimedia Commons Superpoderes microscópicos A resposta para a sobrevivência em condições extremas dos rotíferos congelados pode estar nas suas habilidades de suportar a formação dos cristais de gelo que surgem durante o congelamento lento do solo. Os pesquisadores do estudo, publicado na revista científica Current Biology na época, sugerem que esses animais tenham algum mecanismo de proteção celular para evitar danos em seus órgãos em temperaturas muito baixas. Apesar da amostra de 24 mil anos coletada no rio Alazeya, na Sibéria, ser um caso excepcional, os rotíferos possuem vários outros “superpoderes” que os descrevem como seres diferenciados. Um deles é a capacidade de se reproduzirem por partenogênese, ou seja, as fêmeas geram novos indivíduos por conta própria. Clones da mãe nascem a partir de óvulos não fertilizados, o que permite a criação rápida de grandes populações desses microrganismos. Rotíferos são microrganismos aquáticos extremamente pequenos, quase invisíveis a olho nu Michael Plewka/Current Biology Outra característica única dos rotíferos é uma que pode classificá-los como “ladrões microscópicos”. Um estudo publicado na revista científica Nature Communications em 2024 mostrou como esses animais roubam genes de bactérias para se proteger de infecções. O risco associado a pouca variação de seus perfis genéticos faz com que eles incorporem genes de diferentes bactérias em seus organismos, gerando um tipo de antibiótico natural para proteção. Fascinante, não? Vilões dos microplásticos? Como se não bastasse tantas habilidades, os cientistas permanecem descobrindo aptidões dos rotíferos que pouco se encontram pela natureza. Uma reportagem do jornal The Guardian de 2023 relata como cientistas acabaram descobrindo que plânctons de rotíferos também podem digerir microplásticos presentes em água doce e salgada. Leia mais notícias: Havaí está transformando plástico do oceano em estradas para combater poluição Entretanto, esse “superpoder” pode se tornar um problema, já que ao invés de oferecer uma solução para as ameaças do plástico para a vida aquática, os rotíferos fragmentam ainda mais essas estruturas. Segundo a matéria, apenas um rotífero pode criar entre 348 mil e 366 mil nanoplásticos – partículas menores que um micrômetro – por dia. Considerando que a fragmentação de microplásticos pode intensificar a liberação de aditivos químicos presentes no material, os efeitos da poluição hídrica no mundo podem ser potencialmente agravados pelos rotíferos. É aquela história: com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.

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