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  "textContent": "\nUma análise inédita de dados oceanográficos acumulados ao longo de quatro décadas indica que massas de água mais quentes das profundezas estão migrando em direção à Antártida. O fenômeno, descrito em um estudo da Universidade de Cambridge publicado nesta terça-feira (28) na revista Communications Earth & Environment, representa uma ameaça potencial às plataformas de gelo que circundam o continente. Segundo os pesquisadores, a chamada “água profunda circumpolar” eleva o risco de infiltração por baixo das plataformas de gelo, o que, por sua vez, pode acelerar seu derretimento e comprometer sua estabilidade. “É preocupante, porque essa água quente pode fluir por baixo das plataformas de gelo da Antártida, derretendo-as por baixo e desestabilizando-as”, afirma Joshua Lanham, um dos autores do artigo, em comunicado. Reconstruindo quatro décadas de mudanças A identificação dessa tendência só foi possível graças à combinação de diferentes conjuntos de dados. Historicamente, as medições no Oceano Antártico dependiam de campanhas esporádicas de navios, que forneciam retratos detalhados, porém descontínuos, das condições da água. Sensores de monitoramento da água sendo instalados na lateral de um navio como parte do programa internacional de monitoramento oceânico de longo prazo \"GO-SHIP: Programa Global de Investigações Hidrográficas Oceânicas Baseadas em Navios\". Esses instrumentos capturam medições detalhadas em toda a coluna d'água, mas os dados são coletados com pouca frequência Laura Cimoli/Universidade de Cambridge Para ampliar a cobertura temporal, os cientistas incorporaram informações de flutuadores autônomos do programa Argo, capazes de registrar dados de forma contínua na camada superior do oceano. Com o apoio de técnicas de aprendizado de máquina, essas fontes foram integradas em um único registro, permitindo reconstruir variações mensais ao longo de cerca de 40 anos. Essa nova abordagem revelou mudanças na estrutura térmica do oceano que antes passavam despercebidas. “No passado, as calotas polares eram protegidas por uma camada de água fria, o que impedia seu derretimento. Agora, parece que a circulação oceânica mudou, e é quase como se alguém tivesse aberto a torneira de água quente”, explica a professora Sarah Purkey, coautora do estudo. Consequências além da Antártida Os resultados reforçam o papel central dos oceanos no sistema climático. Mais de 90% do calor adicional gerado pelo aquecimento global é absorvido pelas águas marinhas, com destaque para o Oceano Antártico, que atua como um dos principais reservatórios desse excesso de energia. Alterações na distribuição desse calor podem afetar a dinâmica de grandes correntes oceânicas responsáveis pelo transporte de carbono, nutrientes e energia térmica ao redor do planeta. Entre elas está a circulação de revolvimento, cuja estabilidade já vem sendo questionada por projeções climáticas recentes. Nesse contexto, os pesquisadores afirmam que o que antes era previsto apenas por modelos começa a se confirmar empiricamente. “Já podemos ver que esse cenário está surgindo nas observações”, aponta Lanham. “Não se trata apenas de um possível cenário futuro sugerido por modelos; é algo que está acontecendo agora.” Para Ali Mashayek, também autor do estudo, os efeitos dessa transformação são amplos. “Mudanças na distribuição de calor nessa região têm implicações mais amplas para o sistema climático global”, destaca ele. Daí a importância de ampliar o monitoramento contínuo dos oceanos, especialmente em regiões polares, onde as transformações graduais podem desencadear impactos em escala global.",
  "title": "Calor do fundo do oceano está se aproximando da Antártida, sugere estudo"
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